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Progresso da vila depende das vias

Alfredo Ferreira | Ambriz

A exemplo do que se passa com Bula-Atumba, os habitantes da vila piscatória do Ambriz colocam grandes esperanças na conclusão das obras de reabilitação da estrada que liga o município à cidade de Caxito e ao Nzeto, na província do Zaire, para retomar o seu crescimento económico e social.

Um ângulo da vila piscatória do Ambriz a clamar por reabilitação e outros serviços públicos
Fotografia: Domingos Calucipa

A exemplo do que se passa com Bula-Atumba, os habitantes da vila piscatória do Ambriz colocam grandes esperanças na conclusão das obras de reabilitação da estrada que liga o município à cidade de Caxito e ao Nzeto, na província do Zaire, para retomar o seu crescimento económico e social.
Os munícipes contactados pelo Jornal de Angola foram unânimes em afirmar que o estado degradado da estrada tem contribuído para o fraco crescimento da região, que fica a 128 quilómetros de Caxito, a capital da província.
A agricultura de subsistência e a pesca artesanal são as principais actividades do município, contando esta última com quatro cooperativas na vila do Ambriz, a sede municipal.
 Os pescadores, mesmo os organizados em cooperativas, debatem-se com dificuldades na aquisição de redes, combustível e chatas, além de não disporem de uma oficina para a reabilitação de canoas.
 Com uma costa marítima de cem quilómetros, o Ambriz é rico em pescado, mas, por várias dificuldades, não pode, ainda, tirar proveito disso. 
 O administrador municipal em exercício, Manuel Miguel, garantiu, ao Jornal de Angola, que os pescadores, quer os organizados em cooperativas, quer os outros, estão enquadrados num programa de apoio do governo, com vista a diminuir algumas das dificuldades que têm.
 “Queremos organizar os nossos pescadores em cooperativas para aumentar os níveis da produção do pescado na região”, afirmou.
 
Saúde sem ambulância
                                            
Manuel Miguel disse que o sector da saúde no município vive ainda dificuldades devido à falta de fármacos e de uma ambulância que facilite o transporte dos pacientes em estado grave para o Hospital Central do Bengo.
 A construção, nos últimos anos, de oito postos médicos e de um centro de saúde, pela administração local, tem ajudado a minorar o sofrimento das populações da sede municipal e das comunas de Tabi, Bela Vista e Ambriz.
Dois médicos e 48 enfermeiros garantem os serviços de saúde. 
O administrador disse que há necessidade de mais médicos e enfermeiros, tendo em conta o número de pacientes que acorrem diariamente aos hospitais locais.
O hospital municipal do Ambriz, lembrou, tem uma capacidade de internamento de 38 pacientes.
 
Falta instituto médio

Manuel Miguel afirmou que há falta de um instituto médio onde as centenas de alunos que terminam anualmente o ensino básico possam prosseguir os estudos.
Um instituto médio politécnico, sublinhou, vai ser uma grande contribuição no processo de formação de quadros para apoiar a reconstrução do Ambriz.
A construção de uma instituição do ensino médio, disse, está contemplada no programa do fundo de gestão municipal.
A rede escolar, afirmou, tem também falta de 144 professores para o preenchimento de vagas existentes no ensino primário.
O sector da Educação no município dispõe de 23 salas de aula e de 105 professores para 4.117 alunos matriculados.
Manuel Miguel lamentou a escassez de material escolar atenuada pelo envio de algum pela Direcção Provincial de Educação.
 
Há água para todos
 
O município conta com um centro de tratamento de água e um outro sistema de abastecimento, na comuna sede, encontra-se na fase final de construção.
“Na comuna da Bela Vista, o sistema de abastecimento às populações funciona sem qualquer constrangimento graças à existência de uma nascente que permite aduzir água por gravidade”, disse Manuel Miguel, que acrescentou que no Tabi foi também instalada uma estação de captação e tratamento.
Enquanto o processo de distribuição domiciliária não é concluída, foram instalados 17 chafarizes nas sedes comunais: oito na comuna sede do Ambriz, quatro no Tabi e cinco na Bela Vista.

 Energia por geradores

O responsável pela administração municipal confirmou, ao Jornal de Angola, que a região está a ser abastecida em energia eléctrica por fontes alternativas compostas por três geradores, com capacidade para 1150 KVA, sendo dois de 250 KVA cada e um de 650 KVA.
A administração local, no âmbito do programa do fundo de gestão municipal, reabilitou a rede de distribuição domiciliária e de iluminação pública.
“O município tem tido é problemas com o fornecimento regular de combustível para manter o nível de distribuição e consumo de água”, referiu.

Comércio e indústria à míngua 
 
A nível da indústria, o município conta apenas com uma empresa, a Petromar, que presta serviços às petrolíferas de Angola e tem na região tubos e reservatórios de petróleo refinado.
A empresa, sublinhou, tem desenvolvido um papel muito importante na vida dos munícipes, até porque a maior parte dos jovens que terminam a formação no centro móvel de artes e ofícios tem o primeiro emprego na Petromar.
As empresas de construção civil, que têm surgido no município para trabalhos de restauro, também têm proporcionado emprego aos jovens recém formados no centro móvel.
Das 50 empresas existentes no município, além da Petromar, só seis, todos do ramo comercial, estão em funcionamento
A nível da rede bancária, há uma agência do Banco Sol e estão a ser construídos mais duas, uma do Caixa Totta de Angola e outra do Banco do Comércio e Indústria (BCI).
Mário Miguel, jovem que pretende fazer investimentos nos sectores do comércio e turismo, defendeu a concessão de crédito bancário com taxas de juro comportáveis.
“Para quem pretenda investir no interior, onde as condições são adversas, os bancos deviam conceder créditos com juros baixos”, defendeu, acrescentando que as actuais taxas de juro, na ordem dos 30 por cento, são incomportáveis para quem está a começar o negócio..
Outro aspecto que,  na visão de Mário Miguel, atrairia quadros para os sectores da saúde e da educação seria a atribuição do subsídio de isolamento, já aprovado pelas instituições do Estado, mas que tarda a ser aplicado em muitas regiões do país. “Quero acreditar que o subsídio de isolamento traria ao município mais professores e enfermeiros”, declarou.
 
Histórico

O município do Ambriz, fundado em 5 de Abril de 1855, com praias paradisíacas que convidam ao investimento no turismo, faz fronteira, a Norte, com a província do Zaire, a Leste, com o município do Nambuangongo e a Oeste, com o Oceano Atlântico.
 O município, com 3.850 metros quadrados de superfície e quase 19 mil habitantes, é composto pelas comunas da Bela Vista, Tabi e Ambriz, a sede da circunscrição.

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