Províncias

Progressos em terras do Zaire apesar do mau estado das vias

João Mavinga | Mbanza Congo

O mau estado das estradas travou mas não impediu o progresso da província do Zaire.

A província do Zaire ainda tem problemas na sua rede viária mas o ensino superior começa a funcionar em pleno
Fotografia: João Mavinga|Mbanza Congo

 
O mau estado das estradas travou mas não impediu o progresso da província do Zaire. Esta é a opinião generalizada das pessoas ouvidas pelo Jornal de Angola a propósito do crescimento socio-económico da província do Zaire nos últimos oito anos, período em que o país deixou para trás uma guerra atroz.
 O país está agora mais encontrado, a reconstrução acontece, apesar de persistirem ainda alguns percalços de ordem contratual com algumas empresas construtoras. Para algumas pessoas, o maior ganho da província do Zaire foi indubitavelmente trazer neste ano de 2010, pela primeira vez em Mbanza Congo desde a ascensão da independência nacional de Angola em 1975, o tão almejado projecto do ensino superior, com a construção da Escola Superior Politécnica, adstrita à nova Universidade Pública 11 de Novembro, com sede em Cabinda. Em conjunto, as duas províncias constituem a terceira região académica do país.
Para outros, porém, o grande ganho foi a colocação do tapete asfáltico em cerca de 280 quilómetros da estrada que liga Mbanza Congo ao município piscatório do Nzeto.
De Mbanza Congo ao Nzeto já se circula em duas horas e meia ou três horas de viagem, numa corrida normal, sem os actuais excessos que são a razão das grandes tragédias nas nossas estradas. Para quem se desloca para Luanda, a única contrariedade reside nos restantes 230 quilómetros que ligam o Nzeto à capital do país.
 É uma verdadeira odisseia e tortura sair por estrada da antiga cidade de São Salvador para Luanda. Mas é a única tábua de salvação, já que continuam paralisadas as obras de reabilitação e ampliação da pista do aeródromo de Mbanza Congo, iniciadas em Novembro de 2008.
 Situação análoga repete-se no troço que liga o município petrolífero do Soyo ao conhecido entroncamento da localidade da Casa da Telha, no município do Tomboco.
Na via em alusão, está programado um ambicioso projecto que consiste na construção de uma auto-estrada com quatro faixas de rodagem, sendo duas ascendentes e outras duas descendentes.
Na época seca, que findou em Agosto último, o troço Soyo-Casa da Telha beneficiou de obras paliativas de restauro a cargo da brigada de terraplanagem do governo do Zaire. O objectivo da empreitada foi permitir o transporte de material para restauro de obras na capital provincial, Mbanza Congo e não só, uma acção da responsabilidade do Governo Central. A ideia era fundamentalmente ligar Mbanza Congo ao resto do território da província. Mesmo com os estaleiros prontos ao longo da via, as obras do Soyo estão paralisadas.
Com uma rede de estradas estável, o Soyo teria a incumbência de alavancar o pólo de desenvolvimento socio-económico da província e de toda a região. A ideia subjacente seria desafogar Luanda em termos de acesso de bens e serviços.
Da antiga administração colonial o Zaire não herdou infra-estruturas de vulto, como estradas, energia eléctrica, água e saneamento básico, incluindo edifícios públicos. O que existe, na sua maioria, surgiu depois da independência. Os novos edifícios que emergem nas sedes municipais foram concebidos e executados no consulado de Pedro Sebastião, o actual governador provincial. Isso nos sectores da saúde, educação, desportos, residências sociais para quadros, vias de comunicação e serviços de telecomunicações em toda a extensão da província.
 
Vias de comunicação

O estado de degradação em que ainda se encontram as principais estradas inter-regionais tem provocado constrangimentos na vida socio-económica da província.
A capital da província fica dias a fio às escuras por falta de combustível, em consequência do estado calamitoso das vias que ligam Soyo a Mbanza Congo. Muito recentemente, a antiga cidade de São Salvador do Congo ficou privada de energia eléctrica durante muito tempo. O facto deveu-se ao entalamento, entre a zona de Impanga e Kifuma, dos camiões que transportavam o combustível do município do Soyo para Mbanza Congo. Tudo devido ao péssimo estado em que se encontra a estrada. O Zaire é o segundo maior produtor de petróleo, depois de Cabinda, mas fica privado de energia eléctrica por falta de gasóleo. Por falta de gasóleo ficam também afectados os automobilistas e as actividades comerciais na região.
As noites ficam preenchidas pelo barulho ensurdecedor de pequenos geradores caseiros, os famosos “fofandós”. O desejo da população vai no sentido de as autoridades competentes redobrarem esforços para minorarem o quadro de dificuldades vigente no que toca ao fornecimento de energia eléctrica.
 
Zaire e Cabinda
 
Está também atrasado o arranque do projecto de construção da ponte que ligará o Zaire à província de Cabinda, passando pelo território da República Democrática do Congo (RDC), cujas obras já foram adjudicadas. Os problemas resultantes da crise financeira internacional sobressaem como motivo central do atraso que se verifica, segundo constatou a nossa reportagem junto de fontes próximas ao dossier.
Com a construção de várias escolas ao nível dos municípios e comunas, mais de 30 mil crianças foram inseridas no sistema normal de ensino no Zaire. O facto é acompanhado também com o enquadramento de novos professores distribuídos em diferentes níveis de ensino, através de concursos públicos promovidos pelo Ministério da Educação.
O sector da Saúde teve melhorias assinaláveis no capítulo de novas infra-estruturas de média e pequena dimensão ao mesmo tempo que beneficiou de novas unidades móveis para testagem voluntária do HIV – Sida. Do ponto de vista medicamentoso, a situação é crítica, na medida em que muitas vezes as principais unidades sanitárias ficam sem os fármacos essenciais.
No capítulo dos recursos humanos, a região está bem servida, com a existência de dezenas de médicos estrangeiros e nacionais em todos os municípios e comunas. No município do Nóqui, por exemplo, são agora os cidadãos congoleses de Matadi que procuram assistência médica e medicamentosa nos hospitais angolanos.  

 Empresariado       

O sector empresarial na província do Zaire é pouco expressivo. Particularizam-se dois ou três agentes económicos de peso, que realizam projectos de vulto na região, como são os casos de Adriano Manuel “Dánia”, residente no Soyo, e António Pedro Gourgel “Topegel”, de Mbanza Congo.
O primeiro, Dánia, actua no ramo hoteleiro e habitacional, com aposta firme na mudança da imagem do município petrolífero do Soyo, através da construção, também, de infra-estruturas no sector de educação e construção de escritórios.
No próximo dia 10 de Dezembro, Dánia vai inaugurar um hotel de 120 quartos, incluindo duas suites presidenciais, projecto orçado em 17 milhões de dólares. A unidade hoteleira, denominada Nempanzo, apresenta uma imagem arquitectónica invejável e uma ponte-cais proporcionará aos clientes actividades turísticas no rio Zaire. O segundo empresário é versátil nas áreas de comércio e agro-pecuária, contando neste momento com 300 cabeças de gado bovino, adquiridas na vizinha República Democrática do Congo.

Tempo

Multimédia