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Ravina na fonte da Santa provoca acidentes graves

Vítor Mayala | Mbanza Congo

Uma ravina que surgiu há cerca de três anos nos arredores da cidade de Mbanza Congo, província do Zaire, cortou a via de acesso à nascente da “Santa” onde a população se abastece de água para consumo e está a provocar acidentes graves.

A população tem dificuldades em acarretar água porque a via de acesso está cortada
Fotografia: Vítor Mayala|Mbanza Congo

Uma ravina que surgiu há cerca de três anos nos arredores da cidade de Mbanza Congo, província do Zaire, cortou a via de acesso à nascente da “Santa” onde a população se abastece de água para consumo e está a provocar acidentes graves.
A nascente, cujas condições higiénicas são atentatórias à saúde pública, é a bóia de salvação dos cidadãos, perante um quadro caracterizado por insuficiência de chafarizes nos bairros periféricos da antiga capital do reino do Congo.
Os poucos chafarizes existentes na região não jorram água suficiente para responder à procura, fruto do crescimento populacional que a antiga cidade de São Salvador do Congo, registou nos últimos anos.
O mau comportamento de alguns cidadãos tem também resultado na danificação de fontanários que o governo local coloca à sua disposição no quadro dos projectos, tendentes a melhorar as condições sociais básicas das populações na região.
Muitos equipamentos postos à disposição das comunidades foram destruídos em pouco tempo e hoje o fornecimento de água faz-se com grandes dificuldades.
Na fonte da “Santa” existe um reservatório de água, que servia de reforço ao antigo sistema de abastecimento de água potável à cidade e bairros periféricos de Mbanza Congo, mas em consequência dos actos de vandalismo perpetrados pelos próprios utentes, está agora destruído.
O reservatório de água fazia parte do sistema de abastecimento de água potável à cidade e a sua destruição impede que a distribuição se faça com a quantidade e a qualidade que antigamente se fazia.

Ravina aumenta

O Jornal de Angola constatou que com as chuvas torrenciais que se abatem sobre a região a ravina está a tomar, a cada dia que passa, proporções alarmantes e deixa em desespero os moradores da área. Inconformados com a situação, os moradores procuram abrir vias alternativas para atingirem, a todo custo, a fonte natural de água.
Os moradores do bairro Sagrada Esperança improvisaram no local uma ponte feita com dois tubos metálicos que está a permitir a travessia de pessoas e bens. Quando a chuva cai, ninguém ali, consegue passar, porque o terreno fica lamacento e escorregadio, o que tem causado acidentes graves.
Os moradores contaram ao nosso jornal que a ponte improvisada provocou já quedas a três pessoas que sofreram ferimentos graves.
O último caso ocorreu no passado dia 13 e envolveu uma senhora idosa que ao efectuar a travessia sobre a ponte improvisada com um bidão de água à cabeça, caiu, tendo ficado com ferimentos em todo o corpo, resultantes das pedras e outros objectos cortantes ou perfurantes que se encontram no interior da cratera, arrastados pelas águas pluviais.
Apesar deste cenário desolador, a fonte da “Santa” é densamente habitada. Continuam a nascer novas construções habitacionais o que é um indicativo do crescimento de Mbanza Congo. Os pais estão conscientes de que a ravina representa um perigo para a integridade física dos seus filhos, na medida em que está muito próxima das suas casas.
A situação agrava-se sem qualquer intervenção das autoridades locais, o que está a criar um sentimento de insatisfação e de revolta nos munícipes, que dependem da via para conseguir água de consumo e para irem ás suas lavras, situadas nas margens do rio Luegi.
As valas de drenagem das águas pluviais, herdadas da administração colonial, não funcionam. Esse é também um dos factores que pode estar na base do surgimento de ravinas que ameaçam destruir vastas áreas em Mbanza Congo.
 
Lamentos de moradores
 
Miguel Afonso, 25 anos, morador no bairro Sagrada Esperança, tem a casa a escassos metros da ravina. O jovem está receoso que a sua casa um dia venha ser engolida. Diz que o problema está a agudizar-se, sem que ninguém intervenha.  “Pedimos às autoridades competentes que tomem medidas para o estancamento da ravina, senão os moradores desta zona da fonte da Santa vão ficar isolados do resto da cidade.
 Esta via é importante para a vida de muita gente, na medida em que 65 por cento da população consome água desta nascente”, disse, acrescentando que se nada for feito, o problema vai agravar-se ainda mais, porque, explicou, os moradores não têm capacidade para estancar a ravina com as dimensões que agora apresenta.
Miguel Afonso disse que situações do género põem em causa o bem-estar das populações e por isso devem merecer respostas urgentes das autoridades locais.
 “Antigamente, na via da Santa passavam carros, mas agora é impossível. O ano passado estiveram aqui funcionários do Governo Provincial que fizeram o levantamento técnico da situação, mas até ao momento, ninguém sabe para quando o início das obras de estancamento da ravina”, lembrou Eduardo Nguinamau, de 18 anos.
Eduardo Nguinamau explicou à nossa reportagem que o problema é de fácil solução, pois basta colocar no local manilhas, para permitir a passagem das águas pluviais que estão a provocar a erosão de terras.
Esta é a segunda ravina que surge nos arredores de Mbanza Congo. A primeira ravina estava localizada no bairro Martins Kidito e ameaçou engolir a igreja kimbanguista.
A ravina foi travada e agora não oferece qualquer perigo às populações, graças à intervenção do Governo Provincial do Zaire que contratou uma empresa especializada para estancá-la no ano de 2008.
A ravina que progride imparável e já cortou a via de acesso à fonte da Santa, precisa de uma intervenção urgente. As chuvas torrenciais dos últimos dias provocou grandes deslizamentos de terras e o acesso ao principal ponto de abastecimento de água potável está cada vez mais difícil. As autoridades locais tardam a responder ao problema e quanto mais tarde chegarem as obras mais difícil se torna resolver o problema.
Os técnicos do Governo Provincial que estudaram a situação, até agora não se pronunciaram sobre a possibilidade de obras.

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