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Regresso ao trabalho nas estradas do Zaire

Jaquelino Figueiredo | Soyo

A ligação por estrada à província do Zaire ainda é feita em condições precárias e perigosas para os automobilistas e passageiros, o que encarece os produtos de primeira necessidade.

Governador Pedro Sebastião
Fotografia: Jornal de Angola

 
A ligação por estrada à província do Zaire ainda é feita em condições precárias e perigosas para os automobilistas e passageiros, o que encarece os produtos de primeira necessidade. Depois da interrupção provocada pela crise financeira internacional, as obras de construção da auto-estrada do Zaire a Luanda já estão novamente em curso.

A circulação de pessoas e bens entre a província do Zaire e a capital do país, Luanda, ainda é feita à custa de muitos sacrifícios. O mau estado da estrada nacional Soyo/Nzeto/Caxito, com cerca de 500 quilómetros de extensão, tem reflexos negativos na vida das populações, ao estagnar o desenvolvimento social e económico.
A estrada é o único canal de abastecimento à população e o seu mau estado tem um impacto negativo na vida das pessoas. Essa situação é agravada pelo facto de não existirem serviços marítimos de cabotagem, que podiam constituir um meio alternativo no transporte de mercadorias.
A outra consequência resultante do mau estado da estrada Soyo/Nzeto/Caxito é a especulação dos preços dos bilhetes nas companhias aéreas, agravada pela circunstância da TAAG estar impossibilitada de operar para a província desde o mês de Agosto de 2009, por causa das obras de reabilitação do aeródromos de Mbanza Congo e do Soyo.
O governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, está preocupado com o estado actual da estrada nacional. O governador garantiu ao Jornal de Angola, no Soyo, que existem garantias do Governo Central para a retomada das obras de construção da estrada, paralisadas em 2009 como consequência da crise financeira que assolou o mundo.
Aquela que é hoje uma via estreita, cheia de buracos e carregada de riscos para a circulação rodoviária, vai ser transformada, de acordo com o projecto governamental, numa auto-estrada. A interrupção do financiamento  da obra levou as empreiteiras envolvidas a fecharem os estaleiros.
“Urge a necessidade de agir, pelo facto da estrada representar a principal fonte de abastecimento de bens alimentares e serviços à província”, disse Pedro Sebastião, acrescentando que “a conclusão das obras da futura auto-estrada vai proporcionar uma vida melhor aos habitantes da província e desta via depende o seu desenvolvimento”.
Segundo o governador Pedro Sebastião, o sector petrolífero, que constitui a principal actividade económica da província, “também tem problemas por causa da degradação da estrada”.

As queixas dos motoristas

Vasco Filho Neto, 36 anos, 12 dos quais como automobilista, que viveu pela primeira vez a odisseia que é a viagem de Luanda até ao Soyo, conta que o percurso é muito difícil, uma vez que a estrada está toda esburacada, apesar dos arranjos paliativos.  
“Para percorrer os 500 quilómetros são necessários dois dias de viagem. Há quem faça mais tempo. A estrada não está boa, há muitos buracos. Há pessoas que fazem uma semana de viagem, porque as suas viaturas avariam constantemente”, comentou.
Afonso Eduardo, 40 anos, motorista de uma carrinha, trabalha na estrada há 15 anos. Em sua opinião o Governo deve reabilitar com urgência a estrada nacional do Soyo até Luanda, para facilitar a vida das populações, tornando o transporte das mercadorias mais barato e as viagens mais cómodas.

Colocação do asfalto

A reportagem do Jornal de Angola constatou que os trabalhos de asfaltagem do troço entre Mbanza Congo e o entroncamento da aldeia da Casa da Telha, no município de Tomboco, decorrem a bom ritmo. Mas o período chuvoso pode afectar o ritmo normal dos trabalhos.
“Os empreiteiros estão a enfrentar uma dura realidade na execução das obras. Há que agir rápido, para que possamos ter mais fluidez na circulação de pessoas e bens entre a província do Zaire e o resto do país”, disse o governador Pedro Sebastião.
Segundo o governador, a estrada entre Mbanza Kongo e Nóqui, no leste da província, está também em degradação acentuada. As autoridades já incluíram este troço nos seus planos prioritários. 
“Estamos, com a nossa brigada de terraplanagem, a atacar o troço Tomboco/Lufico/Mpala/Nóqui, na perspectiva de chegarmos com alguma rapidez e comodidade ao município do Nóqui”, disse Pedro Sebastião.
Em algumas áreas da província, por causa do estado degradado das vias, existe a tentação, por parte de alguns motoristas, de contornar a situação entrando para o território da RDC para sair mais à frente. O governador provincial do Zaire acha pouco recomendável tal expediente. “Devemos evitar a utilização do território da República Democrática do Congo para chegar a outros pontos da província do Zaire, como é o caso do município do Nóqui”, disse.
 
Vias do Soyo 

As principais vias rodoviárias da cidade  do Soyo não fogem ao quadro geral de degradação acentuada das principais estradas da província do Zaire. Buracos e autênticas crateras tomam conta da rede viária do município. As vias principais e secundárias do Soyo clamam por uma intervenção urgente. O centro da cidade é dividido por uma única avenida, para onde afluem várias ruas degradadas e sem sistema de saneamento básico.
A inexistência de esgotos para o escoamento das águas pluviais tem causado imensos prejuízos aos munícipes, que sofrem muito na época das chuvas. As autoridades administrativas estão a levar a cabo operações paliativas de tapa buracos nas ruas da cidade, para atenuar o quadro difícil. Mas a emenda tem sido pior que o soneto. Os utentes da via estão perplexos, não conseguem compreender como é possível tapar buracos no asfalto, em plena época chuvosa, com terra vermelha.
Ernesto Margarida, automobilista do Soyo, disse que aconselhou os técnicos dos Serviços Comunitários para, na falta de asfalto, utilizarem betão para tapar os buracos, em vez de barro. Pelos vistos os seus conselhos não foram atendidos. “De que adianta pagar taxa de circulação todos os anos se somos obrigado a andar em ruas assim, todas esburacadas?”, desabafou Ernesto Margarida.
                                                      
Requalificação à vista
 
Em 2008, foi apresentado, na cidade do Soyo, um projecto de requalificação das vias primárias, secundárias e terciárias de todos os municípios da província do Zaire. O projecto, enquadrado no Programa de Infra-Estruturas Integradas, foi apresentado pelo então vice-ministro das Obras Públicas, Joanes André, actualmente secretário de Estado da Construção.
O projecto inclui o Soyo, Mbanza Congo e Nzeto e visa reabilitar também as redes técnicas dos serviços de abastecimento de água, energia eléctrica, telefcomunicações e saneamento básico. A intenção do governo é garantir o desenvolvimento integrado e harmonioso das cidades do interior do país. Segundo uma fonte oficial, depois de ultrapassada a crise financeira que assolou o mundo e o país, está criado o ambiente para finalmente o programa do Governo ser concretizado. A população da província, particularmente os automobilistas, estão na expectativa.

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