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Repatriados têm nova vida

Edivaldo Cristóvão | Mbanza Congo

A reintegração social dos refugiados provenientes da República Democrática do Congo (RDC) está a ser resolvida no contexto das condições gerais que estão a ser criadas para a melhoria da vida das populações, afirmou o governador do Zaire, Pedro Sebastião.

Governador provincial do Zaire
Fotografia: Edivaldo Cristóvão|Mbanza-Congo

A reintegração social dos refugiados provenientes da República Democrática do Congo (RDC) está a ser resolvida no contexto das condições gerais que estão a ser criadas para a melhoria da vida das populações, afirmou o governador do Zaire, Pedro Sebastião. 
Considerada uma das prioridades, tem havido a preocupação de trabalhar o mais depressa possível para a integração social dos refugiados. Nesse sentido, o primeiro passo foi o ensino da língua portuguesa a essas pessoas, com o objectivo de adquirirem mais facilmente as equivalências dos seus diplomas académicos, para permitir o seu enquadramento rápido no mercado de trabalho.
O projecto habitacional vai brevemente favorecer toda a população. “As reservas fundiárias já existem e em breve vamos começar a entregar os lotes para a autoconstrução dirigida, para todos terem o privilégio de sonhar com casa própria. Peço aos munícipes para cuidarem devidamente das infra-estruturas sociais da província, para que nos próximos anos o governo não gaste mais dinheiro num empreendimento que já executou, em restauração e reparação, porque esta construção serve para o bem da população”, disse Pedro Sebastião.

Condições precárias

A província do Zaire tem mais de 19 mil refugiados provenientes da República Democrática do Congo e de outros pontos do país. Isabel Matondo, doméstica de 53 anos de idade e sem ainda falar português, vive com o marido e três filhos na zona de Madungo, uma área montanhosa, e queixa-se de já ter sofrido com a chuva por falta de abrigo condigno. “A chuva já nos fez sofrer muito. Quando chove com intensidade, muitas casas ficam derrubadas e tenho medo que isso aconteça com a minha, um dia destes”, explicou.
A família de Isabel Matondo, uma das refugiadas vinda da RDC, não cumpriu o programa de reintegração do governo do Zaire, tendo preferido pagar uma renda de quatro mil kwanzas por uma residência precária, com um espaço que inclui dois quartos, uma sala e um quarto de banho.
O jovem Pedro Sadrack, outro refugiado, de 22 anos de idade, vive na zona das tendas, localizada em Mbanza Mavinga, com a esposa e dois filhos. Todos os dias vai para o município de Mbanza Kongo à procura de emprego e melhores condições de vida para a sua família, trabalhando, entretanto, como carregador de mercadorias. “Vivo em condições precárias, sem acesso a água potável nem a energia eléctrica. Quando chove, passamos por grande perigo, por causa dos relâmpagos que fazem e pela água que invade o local, impossibilitando a nossa circulação fora de casa, até pelo que pode acontecer às crianças”, disse o refugiado.
Isabel Casaba tem 23 anos, é doméstica e vive com o esposo e dois filhos. É uma das famílias que aderiram ao programa de autoconstrução dirigida, mas enquanto a futura casa está a ser erguida, vivem numa outra, arrendada na zona de Madungo, próximo de uma vala. Com dois quartos, sala, cozinha e quarto de banho, pagam por ela uma renda de dez mil kwanzas mensais. “Sentimos medo que esta casa caia a qualquer momento, por causa da chuva. Temo pelas crianças que brincam próximo do buraco da vala, mas não temos muitas opções de escolha, porque o único sítio que conseguimos para viver foi este. O que o meu marido ganha não dá para arrendar uma coisa melhor”, disse a jovem.

Todas as famílias estão reintegradas

O administrador do município de Mbanza Kongo, Ângelo dos Paços garantiu ontem que todos os refugiados estão a ser reintegrados sem transtornos. “Todas as famílias já estão reintegradas. Criámos áreas nalguns municípios com terrenos apropriados para a autoconstrução, destinados aos refugiados, e cada família possui uma parcela para construir a sua casa. A maior parte das famílias está a concluir as suas moradias, restando apenas 51, além de 68 pessoas singulares, localizadas no centro de Mbanza Mavinga, por ainda não terem condições financeiras para construírem as suas residências. Por isso, disponibilizámos, provisoriamente, tendas para estarem abrigadas”, explicou o administrador.
Segundo o administrador Ângelo dos Paços, Mbanza Kongo melhorou muito nos últimos dias e as pessoas já notam grande diferença na distribuição de energia eléctrica, que antes apenas funcionava entre as 18 e as 23h00, e “hoje já há luz durante 24 horas por dia. A distribuição da água potável também melhorou muito”.
Os casos de acidentes que acontecem na província com as habitações devem-se ao facto de a geografia da cidade ser montanhosa, “e as pessoas construírem as suas casas nessas áreas de muito risco sem autorização do Governo”, adiantou o administrador.

Novas infra-estruturas

A província do Zaire tem registado um crescimento económico e social notável. O maior investimento tem sido no município do Soyo, considerado actualmente como um dos maiores projectos fabris do país, onde a indústria vai servir para exploração de gás natural liquefeito e para empregar muitos jovens angolanos. Além disso, todos os dias surgem novos empreendimentos, como empresas, bancos comerciais, hotéis, espaços de entretenimento, lazer e cultura.
Por ocasião do 35º aniversário da independência foram inaugurados, no município de M’banza Kongo, três postos de saúde, nos bairros 11 de Novembro e nas aldeias de Nkamba e Avé Maria. Foi também inaugurada a sede administrativa da comuna de Nkiende, duas residências para enfermeiros no Kaluka, redes eléctricas nas comunas de Kalambata e Madimba, de Kinsimba e município do Tomboco. O município do Nzeto passou a ter uma escola do primeiro ciclo, com seis salas de aula, três residências duplas do tipo T2 e uma regedoria no Bairro Kinanga, um banco de urgência no hospital municipal do Nóqui e uma escola primária com seis salas. O município do Soyo passou também a dispor de um posto de combustível.
A província do Zaire localiza-se no extremo norte do país, sendo limitada a Sul pela província do Bengo e a Leste com o Uíge. Com uma área de 40.130 quilómetros quadrados, tem 60 mil habitantes distribuídas por seis municípios, nomeadamente Mbanza Kongo (capital), Soyo, Nzeto, Tomboco, Kuimba e Nóqui. Com um clima tropical húmido, os seus principais produtos agrícolas são a mandioca, café, citrinos, amendoim, batata-doce, caju e banana. Em termos de recursos minerais possui petróleo e fosfato, e é rica em pesca.

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