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Saúde e Educação tiveram crescimento notável

Victor Mayala | Luvo

Os ganhos dos 35 anos da independência, são visíveis na província do Zaire. Existem na província localidades que por serem longínquas dificilmente atraíam pessoas e investimentos. Essas populações viviam em total isolamento, sem qualidade de vida nem equipamentos sociais básicos.

Administrador comunal do Luvo
Fotografia: Victor Mayala|Luvo

Os ganhos dos 35 anos da independência, são visíveis na província do Zaire. Existem na província localidades que por serem longínquas dificilmente atraíam pessoas e investimentos. Essas populações viviam em total isolamento, sem qualidade de vida nem equipamentos sociais básicos.
Com a Independência Nacional e sobretudo com a paz vivida há oito anos, essas populações começaram a conhecer nas suas aldeias longínquas progressos assinaláveis, como escolas, postos de saúde, água potável e luz. Só os acessos continuam à espera de melhores dias.
É o caso da comuna do Luvo, situada a 64 quilómetros da cidade de Mbanza Congo, sede provincial do Zaire, uma zona que faz fronteira com a região de Songololo, República Democrática do Congo.
A nossa reportagem foi à comuna do Luvo e constatou que o governo liderado por Pedro Sebastião tem feito muito para mitigar as dificuldades dos seus habitantes. É possível divisar ao longo da estrada entre Mbanza Congo e o Luvo construções escolares de raiz e devidamente apetrechadas.
A estrada é em terra batida e a chuva fez estragos no piso. As curvas, as subidas íngremes e os buracos tornam a condução difícil e perigosa. A nossa equipa de reportagem levou duas horas e meia para chegar ao Luvo.
Várias vezes pensámos que dificilmente íamos chegar ao destino. Passámos por várias viaturas avariadas ou atascadas na lama. Mas conseguimos vencer o mau estado da via e chegar à comuna do Luvo.
O Governo Provincial do Zaire fez na estrada do Luvo obras de terraplanagem para garantir a fluidez do trânsito automóvel. No final dos trabalhos a comuna ficou com acessos mais facilitados à capital provincial. Mas as chuvas que se abatem quase todos os dias sobre a região inutilizaram todo o trabalho feito até aqui. E como este ano a chuva é mais intensa do que nos anos anteriores, a estrada ficou em péssimo estado.

Uma vida melhor

 Apesar deste obstáculo, o administrador comunal do Luvo, Inácio de Almeida, foi peremptório em afirmar que a população conheceu melhoras significativas em muitos aspectos da vida social.
“Temos seis escolas construídas de raiz e tudo isto é fruto da paz”, disse Inácio de Almeida que enalteceu o empenho do Governo Provincial na criação de condições para o bem-estar das populações.
O administrador da comuna do Luvo explicou que as seis escolas estão distribuídas pelas três regedorias, Sumpi, Nkoko e Dobo. Referiu que a construção dos estabelecimentos de ensino, permitiu o ingresso de um número considerável de crianças no sistema normal de ensino. Nos próximos tempos vão ser construídas mais duas escolas de seis salas cada, nas regedorias do Sumpi e Dobo, por serem densamente habitadas.
No presente ano lectivo, prosseguiu, estão a frequentar o ensino primário 1.503 alunos muitos deles provenientes da República Democrática do Congo. Inácio de Almeida esclareceu que os alunos oriundos do país vizinho têm algumas dificuldades de aprendizagem por não saberem falar a língua portuguesa. “Os professores e a própria comunidade têm ajudado os alunos a ultrapassar o problema da língua”, referiu.
A saúde, é um sector que ganhou também infra-estruturas graças à paz. O administrador comunal do Luvo disse ao nosso Jornal que “em termos de serviços de saúde podemos dizer que estamos bem, porque temos três postos construídos. Mas temos de pensar em construir mais, devido ao crescimento populacional”.
Inácio Almeida disse que “o tempo diz-nos que são necessários mais postos de saúde, porque os existentes têm espaço apenas para cinco camas e não conseguem responder à procura actual”, referiu. O administrador da comuna sublinhou que o Programa de Intervenção Municipal contempla dois postos de saúde para a sua comuna que vão ser construídas nas regedorias do Sumpi e Dobo.
No Luvo funcionam seis técnicos básicos de enfermagem, distribuídos em grupo de dois em cada centro, que asseguram a assistência a uma população de 10.726, habitantes. Os pacientes mais graves são transferidos para o hospital em Mbanza Congo. O enfermeiro João Afonso informou que as doenças mais frequentes na região são a malária, infecções da pele, diarreias agudas e infecções de transmissão sexual. João Afonso explicou ainda que são, em média, atendidos, 20 pacientes por dia, inclusive doentes que vêm das aldeias da República Democrática do Congo.
Quanto aos fármacos, o administrador comunal disse que não existem dificuldades, na medida em que o stock de medicamentos essenciais é periodicamente abastecido pela Direcção Provincial de Saúde.
Inácio de Almeida informou que uma equipa de médicos cubanos afectos ao programa de combate contra a malária trabalha na localidade para a pulverização das casas e limpeza de locais com águas paradas, com vista à eliminação de focos de reprodução de mosquitos.
 
Comércio e Agricultura
 
Com 24 aldeias, a comuna fronteiriça do Luvo, cuja população conserva uma tradição milenar no cultivo da terra, tem registado ­todos os sábados um movimento inusitado de cidadãos dos dois países (Angola e Congo Democrático), devido ao mercado realizado ao longo da fronteira de forma alternada nos respectivos territórios.
O administrador comunal do Luvo disse que a realização do mercado que outrora era apenas para a permuta de produtos, mas hoje é um baluarte do comércio local. Sublinhou que as trocas comerciais efectuadas no mercado contribuem também em grande medida para o fortalecimento dos laços históricos de amizade existentes entre os dois povos e países.
 A agricultura vai fortalecer-se ainda mais no Luvo, pois muitos camponeses locais podem, em breve, beneficiar do crédito agrícola no âmbito do programa do governo de combate à fome e à pobreza.
Responsáveis do Banco do Comércio e Indústria (BCI) em Mbanza Congo estiveram no Luvo onde reuniram com os camponeses, para esclarecer determinados aspectos do crédito agrícola, informou Inácio de Almeida.
“Neste momento estamos a desenvolver um trabalho de sensibilização junto dos camponeses em função das orientações que recebemos do BCI, no sentido de aderirem o projecto”, disse o administrador da comuna do Luvo.
Ao longo da via que liga Mbanza Congo e o Luvo, a nossa equipa de reportagem testemunhou a vontade desmedida das populações em cultivarem, mesmo com enxadas e catanas, vastos hectares de terra para dela extraírem o seu sustento.

Telefonia móvel

O sector das telecomunicações expandiu-se consideravelmente na província do Zaire com o surgimento das operadoras de telefonia móvel Movicel e Unitel, embora existam ainda algumas zonas em que o sinal não actua como é o caso da comuna do Luvo.
 O administrador Inácio de Almeida pediu às empresas a instalação de antenas repetidoras para ultrapassar o problema. Neste momento, as comunicações telefónicas no Luvo, estão dependentes das redes das operadoras da República Democrática do Congo, cujo sinal é obtido com facilidade na região, mercê da proximidade geográfica.

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