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Soyo sem material gastável

Jaquelino Figueiredo | Soyo

A escassez de material gastável, nomeadamente seringas, luvas, compressas, ligaduras, algodão, adesivos e outros meios, que se verifica no Hospital Municipal do Soyo, na província do Zaire, preocupa os utentes que acorrem diariamente àquela unidade sanitária em busca de assistência médica e medicamentosa.

População que acorre às unidades sanitárias do município do Soyo é muitas vezes obrigada a comprar material gastável
Fotografia: Adolfo Dumbo | Edições Novembro | Soyo

Segundo apurou o “Jornal de Angola”, os médicos e enfermeiros, para atenderem, solicitam aos pacientes ou seus familiares para adquirirem um ou outro material gastável, com destaque para seringas e luvas.
O problema de escassez de material gastável foi confirmado ontem pelo director da Repartição Municipal da Saúde, Pedro Lusukamu, que, entrevistado pelo Jornal de Angola, apontou a insuficiência de verbas, provenientes do programa de municipalização dos serviços de saúde, como a causa da falta dos referidos produtos.
“A nível do Hospital Municipal do Soyo, a situação da falta de material gastável, como luvas, seringas, algodão, ligaduras e outros é preocupante. Surgem quase sempre casos de falta de seringas e outros meios, devido à insuficiência de verbas para se poder adquiri-los, estando os fornecedores de mãos atadas, sem conseguirem disponibilizar os meios, por causa da crise financeira”, justificou.
A par da insuficiência de verbas para adquirir material gastável em grandes quantidades, segundo Pedro Lusukamu, o elevado número de pacientes que acorrem ao Hospital Municipal do Soyo, por ser o único de referência, concorre também para a escassez de meios hospitalares, para o atendimento diário aos doentes.
No tocante aos fármacos, Pedro Lusukamu assegurou haver medicamentos para o atendimento de casos de malária e HIV/Sida.
Quanto à tuberculose, a unidade sanitária enfrenta dificuldades em termos de assistência aos doentes, por falta de algumas drogas necessárias ao tratamento da doença.
“O Hospital do Soyo tem fármacos para a malária e o HIV/Sida, mas, para a tuberculose, temos falta de um ou outro tipo de medicamentos, que são fornecidos a partir do Programa Nacional de Combate à Tuberculose."
Pedro Lusukamu disse acreditar na solução do problema, com a entrada em funções do novo Executivo, liderado pelo Presidente da República, João Lourenço.
“Quanto à insuficiência de verbas disponibilizadas para o sector, se olharmos naquilo que é a realidade dos preços de fármacos e outros meios clínicos, já se pode ver que não é possível dar uma resposta desejada, mas acredito que, com as novas políticas a serem implementadas pelo novo Executivo, todos esses problemas serão colmatados, porque estão identificados”.
 
Novos médicos
No concernente ao corpo clínico, Pedro Lusukamu assegurou que o Hospital Municipal do Soyo foi reforçado com oito novos médicos de clínica geral, que já trabalham, o que permitiu melhorar o atendimento aos pacientes na região.
“O município do Soyo, no âmbito da política de reforço do corpo clínico, beneficiou de oito novos médicos, de clínica geral, formados no país, perfazendo um total de 27 a nível do nosso Hospital Municipal, entre os quais 15 nacionais”, avançou.
De acordo com o director de Repartição Municipal da Saúde, os novos médicos vão prestar serviços na sede do município, bem como em diferentes comunas.
“O trabalho desses novos médicos será abrangente às comunas. Teremos serviços presentes nas comunidades, a serem feitos através de escalas”, acrescentou.
De salientar que o Hospital do Soyo conta com especialistas nas áreas de Ortopedia, Ginecologia-Obstetrícia, Cirurgia, Cardiologia, Pediatria e Medicina Geral, que atendem o conjunto de doenças que predominam na região, nomeadamente malária, doenças diarreicas agudas e respiratórias, febre tifóide e outras, que preocupam a rede sanitária local.

Má formação congénita
Uma criança do sexo feminino, com má formação congénita, nasceu na noite de terça-feira, no Hospital Municipal do Nzeto, a 230 quilómetros de Mbanza Kongo, na província do Zaire.
O chefe de secção Municipal da Saúde Pública, Cassoma da Silva, informou, à Angop, que a criança, de 2,5 quilogramas, apresenta deficiências graves nos membros superiores e inferiores, além de ter nascido com uma cabeça muito pequena.
“A criança nasceu com os braços e pernas voltadas (encurvadas) para trás, o contrário da posição normal do homem. A cabeça também é invulgar”, explicou o responsável.
Cassoma da Silva disse desconhecer, por enquanto, o que estará na base do nascimento de uma criança com tais características, tendo em conta que a mãe, de 19 anos, fazia, durante o período de gestação, as consultas pré-natais.

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