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Soyo vai melhorar condições de cabotagem

Jaquelino Figueiredo | Soyo

O Ministério dos Transportes preconiza implementar, no município petrolífero do Soyo, um projecto de impacto socioeconómico denominado "Cabotagem do Norte de Angola", anunciou o titular da pasta, Augusto da Silva Tomás.

Investimentos vão relançar a actividade portuária
Fotografia: Jaquelino Figueiredo



O Ministério dos Transportes preconiza implementar, no município petrolífero do Soyo, um projecto de impacto socioeconómico denominado "Cabotagem do Norte de Angola", anunciou o titular da pasta, Augusto da Silva Tomás.
O ministro dos Transportes assegurou que o projecto consiste na aquisição de barcaças do tipo “RoRo” que vão permitir a travessia do rio Zaire, até ao Atlântico.
Segundo o ministro, a base fundamental do projecto, bastante aplaudido pelos habitantes da cidade do “ouro negro” (Soyo), visa, em primeira instância, a criação de condições expeditas para permitir a conexão das províncias do Zaire e de Cabinda.
Augusto da Silva Tomás, que revelou o facto no Soyo à margem do ciclo de seminários de capacitação para os quadros do sector que dirige, esclareceu que a acção implica igualmente a construção de dois terminais nas duas províncias, para operacionalização do projecto. Na sua fase conclusiva, disse, o projecto vai facilitar a circulação de passageiros e carga, incluindo camiões carregados, entre as duas províncias.
O ministro dos Transportes avançou que do leque das acções a implementar na região, constam trabalhos de sinalização do canal navegável do rio Zaire, o melhoramento e extensão do cais comercial, aquisição de mais equipamentos para o manuseamento de cargas. Segundo ele, os serviços administrativos serão informatizados, além de se proceder a formação de efectivos e a aquisição de meios rolantes para o transporte de trabalhadores afectos à cidade portuária do Soyo.
O responsável explicou que o processo para a sinalização do rio Zaire está já concluído e que vai ser enviado para o Tribunal de Contas a fim de ser apreciado e aprovado.
No encontro com os trabalhadores no Soyo, Augusto da Silva Tomás defendeu a necessidade de haver entrosamento e diálogo entre os funcionários e as direcções das empresas do ramo, para que a prosperidade pretendida seja efectiva e garantir a felicidade e o bem-estar de todos.
“Queremos fundamentalmente trabalhadores felizes a contribuírem para uma Angola cada vez mais próspera e feliz”, acrescentou, dizendo que as actividades dos transportes precisam de recursos físicos, como gruas, camiões, autocarros, comboios, navios e aviões, mas todos estes meios são inúteis sem que haja o empenho dos trabalhadores.
Augusto Tomás frisou que no diálogo com os trabalhadores, as administrações das empresas devem ter sempre presente a sua responsabilidade social para melhor direccionar os problemas. As empresas, avançou, devem procurar repercutir números cada vez melhores de desempenho operacional e financeiro em benefício dos trabalhadores.
“A responsabilidade social das empresas deve ser particularmente sensível para o apoio aos trabalhadores nas áreas da saúde, transporte, alimentação no local de trabalho, formação e apoio habitacional. Os salários devem permitir capacidade crescente para as pessoas terem uma vida que permita o bem-estar em todas as vertentes”, disse.
O governante fez saber que os projectos de transporte fluvial ao longo do rio Zaire e de Cabotagem do Norte de Angola têm já os locais de instalação dos terminais identificados. Explicou que estão já propostos os respectivos desenhos básicos para a sua materialização.

Porto comercial

O Porto Comercial do Soyo, na província do Zaire, vai beneficiar de vários projectos, com destaque para a construção de sete terminais fluviais ao longo do rio Zaire. O objectivo, segundo o ministro Augusto da Silva Tomás, é permitir maior fluidez na circulação de pessoas e mercadorias a nível da região.
O projecto, disse o ministro dos Transportes, visa proporcionar uma outra dinâmica operacional ao Porto do Soyo, cujos resultados terão reflexos na vida dos habitantes locais e não só.
Os terminais fluviais vão ser implantados nas zonas do 1º de Maio (Sumba), na comuna da Pedra de Feitiço, Kussanda, Sweek, no município do Nóqui e na sede municipal do Soyo. Augusto Tomás adiantou que o projecto contempla a aquisição de embarcações adequadas para o transporte de pessoas e mercadorias em toda a extensão da província.
No âmbito dos investimentos a serem realizados a Capitania do Porto do Soyo vai ter em breve um edifício sede, para melhorar a execução das tarefas de fiscalização da costa marítima da província do Zaire e zona fluvial. O ministro dos Transportes disse que o seu pelouro vai também fornecer equipamentos de comunicação para o apoio à navegação local, no âmbito do programa nacional de busca e salvamento marítimo.
Sobre os equipamentos de comunicação, a Capitania do Porto do Soyo trabalha na aquisição de um sistema VST da última geração, dos mais modernos padrões internacionais, que servirá para o controlo do tráfego marítimo. O projecto de aquisição do sistema VST vai estender-se a todos os portos nacionais, segundo o ministro Augusto Tomás.
O município piscatório do N’Zeto, na província do Zaire, também foi contemplado nos projectos de infra-estruturas portuárias, com destaque para a construção de terminais de pescas, de passageiros, de carga e de cabotagem.

Ponto da situação

Após anunciar os ambiciosos projectos para a província do Zaire, o ministro Augusto Tomás informou aos presentes sobre o ponto da situação da implementação das referidas acções. “Posso agora deixar-vos alguns dados sobre o ponto de situação dos projectos que anunciei”, começou por dizer. “No concernente à aquisição de equipamentos de manuseamento de carga para o Porto do Soyo, o processo está avançado, aguardando tão somente a sua entrega pelo fornecedor. Do edifício da Capitania do Porto do Soyo, temos concluídos o desenho conceptual e o projecto executivo. Sobre a formação de quadros, o projecto está a ser elaborado pela administração do Porto local", disse.
Acrescentou que para pôr em marcha o programa de buscas e salvamento marítimo, estão em fabricação no Reino de Espanha três rebocadores e seis lanchas rápidas e que a seu tempo serão distribuídos pelos Portos e Capitanias.
Segundo Augusto Tomás, à medida que os referidos projectos forem concretizados, espera-se uma melhoria dos resultados financeiros das empresas portuárias e da Capitania do Soyo, com vista a prestarem maior atenção às necessidades dos trabalhadores. “Mas isto deve ser perseguido gradualmente, em clima de diálogo, de forma sustentável e de acordo com os meios que a actividade de cada empresa é capaz de gerar”, acrescentou.

Governador do Zaire

O governador provincial do Zaire, Pedro Sebastião, considerou o tema “Empresa feliz, trabalhador feliz” de bastante sugestivo, dizendo que as empresas públicas, e não só, devem interiorizar a palavra “felicidade” nas mentes para que o sucesso seja inevitável no sector.
“Por esta inovadora iniciativa, de juntar aqui e agora, todos os trabalhadores do sector, que nesta província, vão emprestando o seu contributo para a felicidade colectiva e individual, está o nosso reconhecimento, para o Ministério dos Transportes e especialmente para V.Excia Sr. Ministro”, afirmou Pedro Sebastião, para quem “só com pessoas felizes, as empresas e outras organizações podem alcançar efectivamente bons e melhores resultados nas suas missões”, acrescentou.
Para ele, a felicidade abrange uma gama de emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. “A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou, numa só expressão, paz interior”, acrescentou.
De acordo com o governador Pedro Sebastião, “para que a felicidade tenha lugar na vida das pessoas, considera-se necessária que as empresas públicas adoptem modelos de gestão de recursos humanos com critérios remuneratórios e de outros estímulos baseados no mérito, utilizando como princípio a avaliação do desenvolvimento”.
Se quisermos compreender a palavra “felicidade” torna-se indispensável entendê-la como recompensa e não como um fim apenas. Para o caso das nossas empresas públicas, devemos associar a existência da felicidade dos integrantes a um factor importante e relevante: a liderança. Sendo a empresa constituída por pessoas, ela precisa de uma liderança capaz, forte e sobretudo competente - acrescentou.

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