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Vastas áreas desminadas entregues a agricultores

Victor Mayala | Mbanza Congo

Pelo menos uma extensão de território de nove milhões, 531 mil e 892 metros quadrados na província do Zaire ficou livre de minas e outros engenhos explosivos não detonados.

Fotografia: Adolfo Dumbo



Pelo menos uma extensão de território de nove milhões, 531 mil e 892 metros quadrados na província do Zaire ficou livre de minas e outros engenhos explosivos não detonados.
O trabalho foi desenvolvido no período compreendido entre o ano de 2007 e Maio deste ano, numa acção desenvolvida pelo Instituto Nacional de Desminagem na região (INAD).
O chefe do departamento do INAD no Zaire, António Francisco Yesu, informou à nossa equipa de reportagem que a desminagem da referida extensão de terra permitiu a recolha e consequente destruição de material letal diverso.
Os sapadores do INAD desminaram ainda um total de 755 quilómetros que serviram para a instalação da fibra óptica desde o município do Soyo até a região de Maquela do Zombo, na vizinha província do Uíge. Do material bélico destruído constam 130.580 munições, 81.­324 metais diversos, 5.887 engenhos explosivos, 126 minas anti-pessoal e sete minas anti-tanque.
“Desde 2007 até ao momento foram desminados o equivalente a seis campos de futebol”, indicou o responsável, acrescentando que depois da formação dos efectivos que integram neste momento a brigada do INAD na região, a primeira acção de desminagem foi nas margens do rio Lunda, onde dezenas de hectares de terra ficaram limpas de minas e de outros artefactos espalhados durante o conflito armado que assolou o país durante aproximadamente quatro décadas. Os referidos hectares de terra foram entregues aos agricultores das aldeias dos arredores.
A intervenção a seguir, avançou, ocorreu nas imediações do rio Tuco, onde uma área de 14 mil metros quadrados foi desminada. No município do Nóqui, disse, a brigada do INAD desminou também uma área de 72 mil metros quadrados, para a construção das instalações dos serviços aduaneiros. “Também fizemos outras acções no Soyo, concretamente na zona do Kimfuquena, onde limpamos uma área com mais de 82 hectares de terra”, referiu António Francisco Yesu, acrescentando que neste momento a brigada de desminagem trabalha na comuna fronteiriça do Luvo, onde estão a desminar dois campos.

Efectivo reduzido

António Francisco Yesu salientou que organicamente a instituição trabalha com uma única brigada de desminagem composta por 44 efectivos, dos quais apenas 11 são sapadores, número que considerou insuficiente para suportar o volume de tarefas acometidas ao sector.
O responsável revelou que está previsto para este ano o recrutamento de mais 12 elementos, entre eles oito devem se juntar aos 11 sapadores já existentes. António Yesu espera que a intenção se materialize, para aumentar o número de sapadores. “Somos uma empresa de carácter público e tudo passa necessariamente pelas questões administrativas. Este ano prevemos o enquadramento de mais 12 efectivos, deste número contamos com oito sapadores”, esclareceu.
O chefe de departamento do Instituto Nacional de Desminagem no Zaire frisou que existe no seio do seu pelouro uma equipa especializada em acções de controlo e qualidade que habitualmente efectua o levantamento de todas as áreas suspeitas de minas.
O interlocutor deixou claro que uma área só deixa de ser suspeita de minas depois de avaliada pelos especialistas do Instituto Nacional de Desminagem, através de dois processos de reconhecimento designados por nível um e dois.
Depois dessa intervenção, prosseguiu, é que se pode qualificar uma determinada área como sendo de médio ou alto risco. António Francisco Yesu frisou que o país foi minado de forma descontrolada, durante a guerra, e a província do Zaire como parte integrante não foge à regra, daí que o trabalho deve ser contínuo.
“Temos ainda muitas áreas suspeitas e que precisam da nossa intervenção”, notou. Segundo ele, a desminagem é uma actividade lenta que acarreta consigo altos riscos. Quem exerce esta actividade está proibido de falhar. A observação rigorosa de todas as medidas de segurança é a palavra de ordem no dia-a-dia dos sapadores.
“Temos todo o cuidado. Fizemos o possível de manter os nossos homens moralizados para o exercício das suas actividades para que não haja qualquer incidente onde forem indicados”, pontualizou. Lembrou que desde o início do processo na região, em 2007, as maiores dificuldades foram vividas nas margens do rio Lunda. Os embaraços resultaram da inexperiência dos técnicos recém-formados. “O pessoal era recém-formado e estava a ter os primeiros contactos com as minas, daí que todos os cuidados eram poucos”, referiu.
António Francisco Yesu disse ao nosso jornal que em termos de meios de transporte a sua instituição está assegurada. Contam com 16 viaturas, entre ligeiras e pesadas, das quais quatro têm problemas técnicos, estando neste momento operacional 12.
“Perspectivamos dar o máximo na realização das nossas tarefas. Quanto mais terrenos estiverem livres do perigo de minas, melhor para nós e ficamos com o sentimento do dever cumprido”, realçou o chefe do departamento do INAD no Zaire.
O especialista em desminagem aludiu que a acção do pelouro que dirige não está limitada à desminagem. A sensibilização das populações sobre os perigos de minas, para que elas possam colaborar com informações sobre áreas suspeitas de minas, faz também parte das tarefas dos profissionais de desminagem.
 
Colaboração da população

António Yesu valorizou o contributo dos habitantes no processo de desminagem, na medida em que têm estado a dar informações úteis para a identificação de novos campos minados na província do Zaire.
O processo de desminagem na província do Zaire envolve também outros operadores do Estado, como o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN) e a Casa Militar da Presidência da República, incluindo as Forças Armadas Angolanas (FAA). Estes operadores estão engajados na desminagem do troço rodoviário que interliga as regiões de Caxito (Bengo) e Nzeto (Zaire) da Estrada Nacional 110, para permitir os trabalhos da sua construção.
O engajamento destas forças na empreitada de desminagem reflecte a vontade do Executivo angolano em ver todo o espaço do território nacional livre de minas e permitir a circulação tranquila dos cidadãos.

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