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Zaire: Fazenda votada ao abandono custou três milhões de dólares

Fernando Neto | Mbanza Kongo

A fazenda Agricultiva, criada em 2012, a dez quilómetros da sede do município do Nzeto, província do Zaire, vocacionada para a produção de tubérculos, hortícolas e criação de galinhas poedeiras, encontra-se abandonada há cerca de cinco anos, constatou o Jornal de Angola.

Fazenda Agricultiva está vocacionada para a produção de hortículas e criação de galinhas
Fotografia: Carlos Paulino | Edições Novembro

Instalada numa área de 600 hectares, pela empresa israelita Agrarius, o empreendimento, que custou ao Estado angolano três milhões e 443 mil dólares, foi vandalizado, e ficou sem os meios de mecanização agrícola, veículos, sistema de irrigação, entre outros equi- pamentos que faziam parte da cadeia produtiva.

“É lamentável a imagem que a fazenda hoje apresenta. Estava equipada com meios essenciais para a produção em grande. Quando arrancou produzia duas toneladas de fuba de bombó por dia, que eram comercializadas em Luanda, Bengo, em Mbanza Kongo, Soyo e Tomboco”, disse o director municipal da Agricultura, Pecuária e Pescas do Nzeto, Silva Garcia

O responsável informou que a Administração Municipal do Nzeto tem contactado “o suposto proprietário da fa-zenda, conhecido apenas por Dias”, para se encontrar uma solução na reabertura do empreendimento, que em-prega 160 pessoas.

Segundo Silva Garcia, logo depois da inauguração, a fazenda, que também comportava uma fábrica de ração, era gerida por israelitas, e nesta altura, além da produção de fuba de bombó, produzia 100 mil galinhas e 30 milhões de ovos por ano. Actualmente, parte da infra-estrutura, está a ser explorada por camponeses locais, que aproveitam o local fértil para plantarem diversas culturas. “Hoje grande parte do perímetro da fazenda está a ser utilizada para a agricultura familiar”, disse. Silva Garcia.

Uma Comissão Multissectorial, segundo Silva Garcia, está a fazer a inventariação do empreendimento, cujos resultados serão entregues às entidades competentes. “Pretendemos responsabilizar criminalmente os culpados pelo estado em que a fazenda se encontra. Tão logo a Comissão Multissectorial termine o trabalho, os resultados serão encaminhados ao Serviço de Investigação Criminal”, assegurou.


Cooperativas necessitam de tractores

A maior parte das cooperativas agrícolas do município do Nzeto carece de tractores e charruas, informou Silva Garcia.“As brigadas que têm máquinas ou tractores para a mecanização agrícola cobram 85 mil kwanzas para desbravar um hectare, e as famílias camponesas e as cooperativas locais não têm capacidade financeira para suportarem este preço. Portanto, as cooperativas no Nzeto têm índices baixos de produção por falta de tractores, pois, os agricultores não têm outra alternativa senão desenvolver apenas a agricultura de subsistência”, deplorou.

Além da Agricultiva, que está desactivada, a Administração Municipal do Nzeto controla as fazendas Girassol, Geocampo, Mcica e várias cooperativas dedicadas à produção de frutas, hortícolas e tubérculos.

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