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Zaire prepara técnicos médios de enfermagem

Fernando Neto | Mbanza Congo

A província do Zaire começa a partir deste ano a formar técnicos médios de Enfermagem, com vista a minimizar as grandes carências que a região enfrenta neste domínio, anunciou na cidade de Mbanza Congo o director provincial da Saúde.

Província está bem servida em infra-estruturas hospitalares mas a falta de técnicos continua a ser um dos principais problemas
Fotografia: João Mavinga | Zaire

João Miguel Paulo, que fazia o balanço das actividades realizadas no ano transacto, referiu que o curso médio constitui uma premissa fundamental para o aumento de quadros e enquadra-se nas políticas de formação de recursos humanos do Ministério da Saúde.
As inscrições para acesso ao instituto, que vai funcionar junto às instalações da Escola de Formação de Professores Daniel Nvemba, já tiveram início. Depois desta fase, os candidatos vão ser submetidos a um exame de aptidão.
João Miguel Paulo realçou que o sector da Saúde pretende, com a abertura da escola, potenciar candidatos para os cursos superiores de Medicina, Enfermagem, além de outros especialistas em laboratório, farmácia, optometria, estomatologia e fisioterapia.
A província, ao contrário de outros anos, está bem apetrechada em infra-estruturas hospitalares, mas a falta de técnicos para preencher as vagas nos hospitais, centros e postos de saúde é um grande problema.
O director refere que o Centro Médico de Kinzau, inaugurado o ano passado, encontra-se apetrechado com equipamentos modernos, mas está inoperante por falta de pessoal, situação que se complicou ainda mais com esta fase em que não há admissão na função pública este ano.
A situação muda significativamente nos próximos tempos, com o regresso à localidade dos 42 jovens do Zaire que estão a frequentar o curso de Medicina na província de Cabinda.
Neste momento, a província do Zaire possui apenas três especialistas da área de farmácia, destacados no município do Soyo, o que obrigou que noutras regiões alguns enfermeiros sejam forçados a trabalhar nas farmácias.
Outro curso necessário é o de Estatística, em função das debilidades registadas no tratamento, análise e interpretação dos dados hospitalares. A Direcção Provincial da Saúde vai envidar esforços para continuar a executar programas de educação para a saúde, por se tratar de um processo contínuo na promoção do bem-estar das pessoas e na prevenção de doenças nas comunidades, onde ainda existem muitos riscos de se contrair enfermidades por ignorância.

Promoção e prevenção


A promoção e prevenção em saúde são primordiais, antes do tratamento. Daí a realização de palestras, para educar as populações na prevenção de doenças. As doenças devem ser prevenidas e tratadas a nível primário, para evitar sobrecarga nos níveis secundário e terciário. Muitas pessoas continuam a ignorar os conselhos dos técnicos de saúde sobre as medidas a tomar para a prevenção de doenças, principalmente as mais frequentes, como malária, febre tifóide, doenças diarreicas e respiratórias agudas.
As autoridades sanitárias da província têm regularmente distribuído mosquiteiros tratados com insecticida, mas a população não usa. No município do Tomboco, por exemplo, este material de prevenção é usado para embrulhar frutas.
As pessoas continuam a acumular lixo nas ruas e nos quintais, deixam os recipientes de água totalmente descobertos, o que permite a procriação dos mosquitos. Estas situações não contribuem para a melhoria da saúde pública.

Centros privados

O director provincial da Saúde denunciou a existência de pessoas que encontram no exercício da actividade uma oportunidade para obter lucros fáceis. Vários postos e centros de enfermagem privados surgem na região, muitos a funcionar à margem da lei.
As acções de fiscalização concluíram que muitos dos supostos médicos e enfermeiros que ali funcionam não têm licença para exercer a profissão.
“A nossa tarefa é educar, numa primeira fase, para o cumprimento dos regulamentos das unidades privadas em Angola”, referiu o responsável do sector.  A falta de ética não deve ser atribuída directamente ao sector da Saúde. “O enfermeiro recebe uma formação técnica e profissional e princípios deontológicos, mas é preciso saber que este técnico provém de um núcleo familiar, passou por grupos de convivência social, onde adquiriu a base da sua estrutura individual.”
Muitos médicos e enfermeiros apresentam comportamentos inapropriados às exigências do sector. Daí a razão da aplicação do Programa de Humanização dos Serviços de Saúde, que apela aos técnicos a um atendimento personalizado aos pacientes.
O director provincila da Saúde exortou a população a denunciar os maus tratos de que forem vítimas nos hospitais, centros e postos de saúde, para que a direcção da unidade clínica ou a Direcção Provincial tomem medidas.

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