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Zaire transformada em canteiro de obras

João Mavinga | Mbanza Congo

Dois factores empolgantes marcaram durante uma longa caminhada o processo de desenvolvimento da província do Zaire, no geral e, em particular, a sua capital histórica, Mbanza Congo.

Dois factores empolgantes marcaram durante uma longa caminhada o processo de desenvolvimento da província do Zaire, no geral e, em particular, a sua capital histórica, Mbanza Congo. A abertura da Escola Superior Politécnica na região, galvanizou as forças vivas da região, com particular ênfase a juventude, que viu a esperança renovada de um futuro adiado anos a fio.
O recurso a outros destinos deixou de fazer parte dos planos dos jovens que terminavam o curso médio e viam-se atados para dar continuidade aos estudos. A situação arrastou-se durante vários anos sem indícios de solução imediata. Este cenário inverteu-se com a criação pelo Executivo de novas unidades académicas no domínio do ensino universitário um pouco por todo país, incluindo a província do Zaire.
O outro ganho que a província registou no decurso dos dez anos de paz, é sem sombra de dúvidas a construção das estradas secundárias e terciárias. A acção está a permitir maior comodidade e fluidez na circulação de pessoas e mercadorias do campo para a cidade e vice-versa. O Programa das Infra-estruturas Integradas, já em curso desde o ano transacto, também livra Mbanza Congo dos “sacrifícios” naturais, traduzidos pelo sufoco provocado pelas imensas nuvens de poeira, fenómeno que no tempo de Cacimbo engolia a antiga cidade de São Salvador do Congo e deixava os habitantes inconformados. Com o arranque efectivo do processo da asfaltagem das ruas e ruelas do epicentro da urbe, Mbanza Congo ganhou uma nova imagem que confere, agora, dignidade e orgulho aos seus habitantes. Esta nova realidade tem reflexos na mudança de discurso por parte dos citadinos. Hoje por hoje, o aspecto urbanístico da capital do Zaire está a tomar outra dimensão, quer em termos de crescimento, quer em termos de saneamento básico, com obras em curso no capítulo da construção de numerosas infra-estruturas nos domínios da educação, saúde e estradas, entre outros equipamentos sociais.
Estes indicadores de desenvolvimento inspiram nos habitantes ares de confiança nas acções do Executivo. As incertezas quanto ao futuro esfumam-se à medida dos avanços das obras de reabilitação. O cenário actual de Mbanza Congo é o de uma urbe tomada pelo trabalho. A cidade está transformada num canteiro obras. Dia e noite, homens movimentam máquinas com dedicação, para banir as nuvens de poeira que era tida como caso “crónico” bastante visado no casco urbano e herdado desde a antiga administração colonial.
A empreitada trouxe outros benefícios aos habitantes da antiga capital do Reino do Congo. Mais de 300 jovens conseguiram o seu primeiro emprego nas diversas obras em curso, o que permitiu a muitas famílias melhorarem as suas condições de vida. O relançamento socioeconómico é inevitável, porquanto se sabe que, ao mesmo tempo, estão a ser encurtadas, com obras de asfaltagem, as distâncias entre os diferentes pontos limítrofes da província e com a capital do país, Luanda.
Prova eloquente disto é que, dos 500 quilómetros de estrada que separam Mbanza Congo de Luanda, estão asfaltados, neste momento, 270 que fazem o percurso Mbanza Congo ao município piscatório do Nzeto. Os restantes 230 quilómetros que configuram o troço Nzeto à localidade dos Libongos (Caxito e Luanda) estão a ser preparados para fim igual (asfaltagem). Decorrem nesta via trabalhos de desminagem em todo percurso, para viabilizar o processo de construção da Estrada Nacional 110 e pôr cobro em definitivo às “torturas” provocadas pelas viagens, devido ao estado péssimo da via. Assim vai o Zaire.

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