Recreio

O lápis prodigioso e a lição de Vovó Zefa

Versão contada por João Barros

Era uma vez, um menino que olhava atentamente para a avó, que estava escrever uma carta de amor, para um filho tão pródigo que os contornos o seu sorriso se apagavam na doce memória dos anos em que era criança.

Ele partiu quando sua mãe ainda via nele um fruto precioso na flor da idade e não tinha cabelos brancos de sofrimento e saudade.

A certa altura, o menino perguntou:
- Vovó Zefa, estás a escrever uma história sobre mim?
A avó parou de escrever a carta, sorriu, e respondeu ao neto:
Estou a escrever sobre ti, é verdade. Mas mais importante do que as palavras é o lápis que estou a usar é o que este momento significa. Gostava muito que tu fosses como ele, quando cresceres.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial naquele objecto tão simples. Todos podiam ter um lápis, desde os meninos mais pobres aos mais ricos.

Qualquer cantina do bairro tem lápis e esferográficas à venda que custam pouco mais que uns trocos desprezíveis. O menino olhou para Vovó Zefa e disse:
- Mas este lápis é igual a todos os que já vi!
- Tudo depende da forma como olhas para as coisas, meu netinho!
Há cinco qualidades nele que, se tu conseguires adquiri-las ou cultivá-las, estarás sempre em paz com o mundo. Então Vovó Zefa explicou ao neto s qualidades que aquele simples objecto tinha e que todos os seres humanos deviam ter.

Primeira qualidade: todos podemos fazer grandes coisas, mas não devemos esquecer nunca que existe uma mão que guia os nossos gestos. Esta mão maravilhosa tem o nome de Deus. Devemos sempre conduzir a nossa vida em direcção á sua vontade.

Segunda qualidade: de vez em quando é preciso parar de escrever e afiar a ponta, porque ela gasta-se. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas com a ponta bem afiada o lápis fica mais eficaz para a escrita. Portanto, temos de saber suportar alguma dor, porque as dificuldades fazem de nós pessoas melhores.

Terceira qualidade: o lápis permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que está errado. Isto é extraordinário. Se as pessoas pudessem usar uma borracha para apagar todos os erros que cometem na vida, tínhamos um mundo de pessoas felizes realizadas. Corrigir os nossos erros, não é mau, pelo contrário, é algo muito importante para nos mantermos no caminho da verdade, da dignidade e da justiça.

Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis, não é a madeira ou a sua forma exterior, mas o que está dentro. Porque esse pedacinho simples de carvão é que dá visibilidade às letras que as nossas mãos desenham no papel. Portanto, temos que cuidar do nosso interior, com todo o cuidado.

Quinta qualidade: o lápis deixa sempre uma marca no papel. Também com as pessoas é assim. Tudo o que fazem na vida, deixa traços, mais ou menos visíveis. Por isso devemos estar sempre conscientes de que os nossos actos não podem prejudicar ninguém.

Moral da história: devemos respeitar tudo o que nos envolve, por mais insignificante que seja. E ter a noção de que todos os momentos da vida são uma oportunidade. Conclusão: ainda que sejas prudente e velho, não desprezes um conselho.

Tempo

Multimédia