Reportagem

44 novos casos de poliomielite registados no país nos últimos dias

Augusto Panzo /Cacuaco, André Brandão / Ndalatando ,Adolfo Mundombe / Huambo , Nicodemos Paulo / Uíge , Mário Clemente / Bengo Fernando Neto / Mbanza Kongo

O registo de 44 novos casos de poliomielite no país, nos últimos dias, depois de sete anos sem nenhuma ocorrência dos vírus da doença, constitui motivo de preocupação para autoridades, admitiu ontem, em Luanda, a ministra da Saúde.

Mais de dois milhões e quinhentas crianças dos zero aos cinco anos de idade são vacinadas contra a pólio
Fotografia: Jaimagens/fotógrafo

O registo de 44 novos casos de poliomielite no país, nos últimos dias, depois de sete anos sem nenhuma ocorrência do vírus da doença, constitui motivo de preocupação para as autoridades, admitiu, ontem, em Luanda, a ministra da Saúde. 

Sílvia Lutucuta, que falava no acto de abertura do primeiro turno da segunda fase da campanha de vacinação contra a pólio, realizado no bairro de Belo Monte, município de Cacuaco, solicitou a total entrega das autoridades, dos pais e dos encarregados de educação no combate à enfermidade, no sentido de travar a sua nefasta progressão.
“Lamentavelmente, depois de sete anos sem poliomielite, hoje, infelizmente, estamos a enfrentar uma difícil situação. Registamos 44 novos casos em 10 das 18 províncias que compõem o mosaico político-administrativo do país”, deplorou a governante.
Entre as províncias onde foram registados novos casos de poliomielite, constam as de Luanda, Cuanza- Sul, Huambo, Lundas -Norte e Sul, Huíla, Benguela, Moxico, Bié e Malanje.
A ministra disse que o Governo de Angola e os parceiros nacionais e internacionais decidiram implementar a campanha de bloqueio casa a casa, em função do surgimento do surto que voltou a atingir o país.
Nesta campanha, segundo Sílvia Lutucuta, prevê-se vacinar mais de dois milhões e quinhentas mil crianças dos zero aos cinco anos, sendo que em Luanda deverão ser imunizadas cerca de um milhão e seiscentos mil.
Face à procura, o Ministério da Saúde dispõe, para a província de Luanda, de um milhão e novecentas mil doses de vacinas, numa tarefa em que se torna imperioso a vacinar todas as crianças dos municípios seleccionados em todo o país.
“Todas as crianças precisam ser protegidas com três doses de vacinas da pólio oral, que continuarão a ser administradas num intervalo de duas semanas, de modo a criar, rapidamente, a imunidade que permite controlar o surto da pólio”, apelou.
Para tal, incentivou os pais a levarem os seus filhos para a vacina, mesmo para aqueles que já tenham apanhado a dose na primeira fase, com vista a estancar o surto que pretende ressurgir.

Esforços do Governo
A titular da pasta da Saúde garantiu, por outro lado, estarem em curso esforços que visam garantir a disponibilidade contínua de todas as vacinas, no âmbito do calendário nacional de vacinação de rotina, além de estar a instalar, de forma gradual, as cadeias de frio, que visam assegurar a conservação das vacinas.
Durante o acto de abertura da campanha “Chuta a Pólio fora de Angola” foi apresentado às entidades governamentais presentes no local um grupo de efectivos das Forças Armadas Angolanas, estimado em três companhias, que vão fazer parte da referida operação.
A ministra da Saúde e o governador de Luanda, Sérgio Luther Rescova, agradeceram a prontidão dos efectivos militares em participarem na campanha.

Cuanza -Norte e Huambo
As autoridades sanitárias do Cuanza-Norte prevêem vacinar, contra a pólio, 104 mil 670 menores de cinco anos, nos dez municípios da província, numa campanha a decorrer porta-a-porta, disse, ontem, em Ndalatando, o chefe de Departamento de Saúde Pública, Cruz Manuel.
Para esta campanha, estão disponíveis 123 mil e 560 doses de vacina, envolvendo 350 equipas compostas por 1.200 pessoas distribuídas em todos os municípios.
Acrescentou que foram elaborados os planos municipais, formação dos vacinadores, supervisores, mobilizadores e coordenadores para atenderem os dez municípios da província do Cuanza-Norte.
Cruz Manuel explicou que estão preparados, para esta fase, postos fixos instalados em locais estratégicos e nas unidades sanitárias da circunscrição, assim como equipas móveis de vacinadores que irão ao encontro das crianças para serem imunizadas.
Embora a província do Cuanza-Norte não tenha registado casos de poliomielite, nos últimos três anos, a campanha visa essencialmente prevenir eventuais casos da doença.
O técnico de saúde chamou a atenção de várias famílias e algumas igrejas que têm estado a incentivar os fiéis para não aderirem à vacinação.

80 mil doses disponíveis
Mais de 80 mil doses de vacina contra a poliomielite estão disponíveis para serem ministradas em crianças dos zero aos cinco anos, durante a campanha de vacinação, estando, nesta última fase, as brigadas destacadas nos municípios do Ucuma, Longonjo, Tchinjenje e Mungo, avançou ao Jornal de Angola o chefe do departamento do Gabinete Provincial da Saúde Pública local.
Celestino Máquina afirmou que a campanha, nesta última fase, decorrerá apenas nestes municípios da província do Huambo, prevendo-se imunizar, em três dias, 332 mil e 621 crianças contra a poliomielite, tendo sido mobilizados dois mil e 415 voluntários, entre vacinadores, registadores e mobilizadores.
O objectivo da vacinação, salientou, visa prevenir a doença, pelo que a mesma obedeceu as três fases, com o atendimento, no período de 2 a 4 de Setembro, de crianças de zero anos, enquanto que até aos cinco anos foi realizada de 16 a 18 do mesmo mês.
O chefe do departamento do Gabinete Provincial da Saúde Pública do Huambo disse que a campanha vai ajudar a conter a epidemia que se registou nos últimos meses, como o surto da pólio-vírus, do tipo 2, que, depois de 20 anos, foi detectado, no município de Cachiungo, em análise laboratorial.

Pais e encarregados de educação chamados a colaborar

342.617 crianças serão vacinadas contra a poliomielite nos 16 municípios da província do Uíge, contrariamente aos seis municípios que beneficiaram na fase anterior, com vista a garantir o bloqueio do vírus da doença, com a participação de quatro mil agentes mobilizados.
Técnicos de saúde, mobilizadores, logísticos e supervisores vão percorrer os dezasseis municípios da província, com apoio logístico e humano das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional.
A coordenadora-adjunta da campanha, Lindeza Chaves, revelou que esta jornada de vacinação é realizada devido a presença de um caso positivo de pólio, no município do Quimbele, no mês de Outubro.
A primeira e segunda fases da campanha produziram bons resultados, apesar dos vacinadores terem enfrentado alguns obstáculos, devido ao mau estado das vias de acesso, bem como das chuvas que se abatem sobre a região incessantemente.
Para que a campanha de vacinação seja aceite sem sobressaltos, a Direcção Provincial da Saúde está a realizar campanhas de mobilização, através da rádio e nas comunidades, através de sobas e de igrejas.

86 mil no Bengo
Mais de 86 mil crianças serão vacinadas contra a poliomielite na campanha de vacinação que vai decorrer de 15 a 17 do mês em curso na província do Bengo e no país em geral.
A campanha no Bengo vai contar com 997 técnicos, entre vacinadores, registadores, mobilizadores, supervisores e coordenadores, além de 200 efectivos da Polícia Nacional e das Forças Armadas Angolanas.
A directora provincial do Bengo da Saúde, Sílvia Cambuanda, apelou aos pais para aderirem à campanha, visto que uma criança afectada põe cerca de 200 outras em risco, “por isso, é importante que todos participem da campanha para imunizar todas as crianças.”
Participaram da reunião membros do governo provincial, administradores municipais, representantes do Programa Alargado de Vacinação, autoridades tradicionais, Conselho Provincial da Juventude, Movimento de Escuteiros, Forças Armadas Angolanas e Polícia Nacional.

Zaire isento de casos
Embora não tenha registado nenhum caso de poliomielite, a província do Zaire vai realizar a campanha de vacinação, informou, ontem, ao Jornal de Angola, em Mbanza Kongo, o director municipal da Saúde, Nsakala Iberto.
Segundo aquele responsável, a região não regista casos de infecção de pólio, há largos anos. “Temos feito vacinas de rotina contra a pólio, sarampo e rubéola nos hospitais, centros e postos de saúde, para prevenir o surgimento e contágio da doença de pessoa para pessoa” explicou.
À guisa de exemplo, no mês passado o Zaire registou quatro casos suspeitos de sarampo.

 

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