Reportagem

526 afogamentos registados no ano passado

André da Costa

526 pessoas morreram por afogamentos em todo o país, durante a época balnear 2018, informou o porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, inspector Faustino Minguês.

Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

Falando a propósito da nova época balnear 2019 que co-meça oficialmente hoje em todo o país, Faustino Minguês fez saber que o elevado nú-mero de mortes por afogamento foi registado maio-
ritariamente na província de Luanda com 80 casos.
Ainda em Luanda, pelo menos 81 cidadãos, entre adultos, adolescentes e crianças que estavam em perigo de afogamento, foram salvas por nadadores-salvadores estacionados em algumas zonas de banho, disse o responsável.
Bengo registou 60 afogamentos e 17 salvamentos, Benguela com 48 mortes e 130 salvamentos, Bié com 45 sinistrados e Lunda-Norte com 37, são as localidades onde se registaram mais casos, sen-do os mares, rios, cacimbas, lagoas, valas de drenagem, bacias de retenção de águas pluviais, os locais onde ocorreram os sinistros.
Para evitar que mais pessoas morram por afogamento, o responsável informou que estão a trabalhar numa campanha de sensibilização em igrejas, escolas e locais com grande concentração de pessoas, onde passam mensagens sobre prevenção.

Placas de proibição vandalizadas

O Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Capitania do Porto de Luanda, e administrações municipais têm recolocado placas de proibição a banhistas, no sentido de alertar os cidadãos sobre o perigo que representam algumas praias.
Infelizmente, disse, algumas dessas placas informativas têm sido vandalizadas por alguns banhistas, sem qualquer justificação, e outras derrubadas com o tempo, na última época, mas estão já a ser repostas pelo SNPCB, Capitania do Porto de Luanda, administrações municipais e distritais.
Explicou que o facto de muitos cidadãos consumirem bebidas alcoólicas e depois entrarem na água do mar, para tomar banho, aumenta o risco de afogamento.
Perguntado sobre a situação actual dos meios para o patrulhamento junto das praias, Faustino Minguês reconheceu que necessitam de mais meios para uma maior e melhor cobertura das praias do país, fundamentalmente em Luanda, onde se regista mais casos de afogamentos. Sobre as calemas, disse que é um fenómeno natural que acontece anualmente e que não periga a vida dos banhistas, uma vez que ocorre em determinados períodos do ano.

600 nadadores-salvadores

O Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros (SNPCB), em Luanda, necessita de pelo menos 600 na-dadores-salvadores para vigiar as 54 praias da capital angolana.
O SNPCB possui apenas 162 nadadores-salvadores, quando em condições normais, em cada 100 metros de praia concessionada, devia existir um ou dois nadadores-salvadores.
O porta-voz do SNPCB, Faustino Minguês, disse à Angop, que para fazer face à situação foram recolocadas as placas de proibição e pretende-se criar postos de vigias móveis ao longo das praias autorizadas.
Por este facto, reitera o ape-lo aos banhistas no sentido de respeitarem as placas de sinalização e orientações dos nadadores-salvadores da Praia Segura de Angola (PSA).
“Os banhistas não devem tomar banho em locais proibidos pelas autoridades marítimas se não souberem nadar e devem evitar as praias cuja profundidade esteja acima da cintura ”, reiterou.

Praias autorizadas

Grande parte dos afogamentos ocorreu nas praias do Ponto Final, parte sul do Jango Veleiro (Ingombota), Pôr do Sol (Talatona), bem como as localizadas na zona sul da província de Luanda, nos chamados Quilómetros (Belas).
Em Luanda, estão autorizadas para os banhistas as praias da Língua, Jembas, parte do Pôr-do-Sol, Cepa, Rocha das Mangueiras e Mussulo Centro, Generais (Talatona), Ramiros, parte dos Quilómetros (Belas), Praia Amélia (Samba), Jango Veleiro, Marinha de Guerra, Tamariz, Rotunda da Floresta (Ingombota) e Vila sede (Cacuaco).
As zonas proibidas e mais frequentadas são a área do Farol Velho e zona sul do Jango Veleiro, Praia Mitcha e parte do Pôr-do-Sol e Rua 11 (Talatona), Museu da Escravatura e Quilómetros (Belas), das Lagostas (Sambizanga), Cefopesca e Boca do Rio (Cacuaco).

Médico recomenda cuidados redobrados com a alimentação

O cirurgião Renato Palma disse ao Jornal de Angola que a mudança de estação, de frio para o calor, poderá resultar em choque térmico, resultando em alguns resquícios de doenças, sobretudo para pessoas com pro-
blemas respiratórios, principalmente asma.
Instado a se pronunciar em relação à mudança climática, que se observa, oficialmente desde ontem, em Angola, o médico do Hospital Josina Machel explicou que pacientes com sintomas de asma se sentem mais à vontade num clima frio, porque o calor constitui um sufoco.
Para Renato Palma, nesta época do ano, é frequente o surgimento de doenças da pele, tais como as queimaduras solares e fungos, cujas bactérias são encontradas em piscinas. Segundo o mé-dico, nem todas as piscinas têm um bom tratamento, situação que pode facilitar a contaminação de doenças de fóro dérmico.
A fonte do Jornal de Angola sugere que as crianças sejam acompanhadas por adultos nas suas actividades, sobretudo em banhos de praia e piscina, de modo a evitarem riscos de afogamentos.
Em termos alimentares, o médico Renato Palma aconselha os cidadãos para não consumirem alimentos ex-postos ao sol, para evitar contrair surtos de diarreias e dores abdominais.
Afirmou que alguns ci-dadãos que comercializam comidas, já confecciona-
da, na via pública, têm poucos cuidados com a higie-ne, aliados ao calor, que não facilita a conservação dos alimentos.
Aconselhou os cidadãos, a levarem para o serviço ou escola, alimentos feitos em casa, conservados em caixas térmicas e evitar que os mesmos sejam confeccionados por pessoas desconhecidas.
"Estamos num país en-démico, em termos de do-enças infecciosas, sobretudo a febre tifóide, que pode ter contaminação fecal e oral e a pessoa que vende alimentos, se não souber do estado de saúde do comprador, pode facilmente contrair a doença.
"Existem cidadãos portadores assintomáticos de febre tifóide, mas não são portadores da doença, ou seja, não desenvolvem os sintomas e são altamente transmissores, pelo que todo o cuidado deve ser observado", aler-tou o médico.

INAMET prevê ocorrência de fortes chuvas e ventos

O Instituto de Meteorologia e Geofísica de Angola (INAMET) prevê para este período de 15 de Agosto de 2019 a 15 de Maio de 2020, a ocorrên-cia ventos fortes, chuvas, aumento da temperatura do ar, humidade relativa, bem como a diminuição da pressão atmosférica.
De acordo com o INAMET, o Cacimbo que oficialmente termina hoje, ficou marcado com o registo de temperaturas baixas, sendo as mais baixas registadas na cidade do Luena (Moxico), e Huam-bo, com 0.5 graus centígrados e 2 graus centígrados, além de se ter registado chuva fora da época nas províncias de Luanda, Malanje, Lunda-Norte e Huambo.
O INAMET considera que estas datas são apenas indicativas, não significando necessariamente alterações bruscas no comportamento dos elementos meteorológicos que determinam o clima tais como: a temperatura, pressão atmosférica, vento, precipitação e nebulosidade.
Geralmente, registam-se períodos transitórios, onde há a possibilidade de ocorrerem simultaneamente as características de duas épocas, diz fonte do INAMET que refere que o posicionamento de Angola no globo confere-lhe duas estações climáticas distintas por ano.
A época seca que vai de 15 de Maio a 15 de Agosto, caracterizada pelo registo de temperaturas mais baixas do ano e a época chuvosa, de 15 de Agosto a 15 de Maio marcada pela ocorrência de chuvas e temperaturas mais altas ao longo do ano.
O INAMET prometeu actualizar oportunamente as previsões sazonais, para a época chuvosa, após a realização do Fórum Regional do Clima África Austral-SADC, a realizar-se em Luanda de 28 a 30 de Agosto deste ano.

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