Reportagem

... Porque a união faz a força

Osvaldo Gonçalves

Assembleia Geral da ONU proclamou o Dia Internacional das Cooperativas, que se celebra no primeiro sábado de Julho, desde 1995.

As associações agrícolas são uma opção para trazer grandes benefícios para a economia do país e para os trabalhadores
Fotografia: Edições Novembro

O termo cooperativismo confunde-se com a vida e as organizações políticas de cada sociedade, no lugar de se referirem outros aspectos muito mais atinentes à sobrevivência da Humanidade, como a solidariedade, por exemplo.
Na verdade - e permitam-nos encaminhar o nosso raciocínio nessa direcção -, deve começar a ser questionada a forma como é descrita a própria História da Humanidade, com muita gente a fazer crer que a fase do chamado Comunismo Primitivo seria o rompimento total com o desenvolvimento e a satisfação individual.
De modo geral, o cooperativismo é apresentado como “a doutrina que preconiza a colaboração e a associação de pessoas ou grupos com os mesmos interesses, a fim de obter vantagens comuns em suas actividades económicas”.
Mas, refere-se também que “o associativismo cooperativista tem por fundamento o progresso social da cooperação e do auxílio mútuo, segundo o qual aqueles que se encontram na mesma situação desvantajosa de competição conseguem, pela soma de esforços, garantir a sobrevivência”. 
Facto positivo é que, do ponto de vista económico, o cooperativismo actua no sentido de reduzir os custos de produção, obter melhores condições de prazo e preço, edificar instalações de uso comum, enfim, interferir no sistema em vigor à procura de alternativas aos seus métodos e soluções.
Dessa forma, muitos consideram um contra-senso que, ao mesmo tempo que se acene com a bandeira do empreendedorismo, se evoque o papel das cooperativas e associações nos diversos processos de transformação até hoje operados.
Em Angola, cooperativismo existe há muitos anos, tendo as cooperativas agrícolas, sobretudo, atingido grande dimensão, pelo facto de os camponeses terem compreendido que com a união de esforços é possível conseguir situações vantajosas para todos.
Ao longo dos tempos, o princípio de que “a união faz a força” foi perdendo parte do seu sentido original, até porque foi sempre mais conotado com os camponeses – a grande maioria da população analfabeta e menos esclarecida -, mas julgamos ser legítimo questionar sobre o que seria da nossa liberdade hoje sem os grandes levantamentos das populações, como a Revolta da Baixa de Cassanje, em 1961.
Por norma, os grandes movimentos reivindicativos acabam por arrastar consigo elementos menos bons da sociedade, marginais e até “lúmpens”, políticos aproveitadores e extremistas de vária ordem. Mas o facto é que acabam, quase sempre, por trazer grandes benefícios para os trabalhadores e para as economias dos países.
Aconteceu assim no Brasil, com a recente paralisação geral dos camionistas, que só dessa forma puderam assegurar a eficiência da sua luta por melhores condições de trabalho e de vida.
A ideia que se deve manter  sempre viva é que, no cooperativismo, os associados trabalham para atingir objectivos comuns, podendo, em virtude da sua natureza, contornar situações menos boas que eventualmente ocorram no mercado, por via da solidariedade, uma das características das cooperativas.
Porque o cooperativismo constitui uma realidade positiva, pelas vantagens que gera para os seus associados, em 1992, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou, na sua resolução 47/90, de 16 de Dezembro, o Dia Internacional das Cooperativas, a celebrar no primeiro sábado de 1995. A celebração calhou a 7 de Julho e desde então essa passou a ser a data.

Conceito de cooperativa

O Congresso de Praga, em 1948, definiu sociedade cooperativa, ou simplesmente cooperativa, como “qualquer constituição legal, ou associação de pessoas que tenha por fim a melhoria económica e social de seus membros, pela exploração de uma empresa baseada na ajuda mínima e que observa os Princípios de Rochdale”.
Tais princípios são a adesão livre, a administração democrática, o retorno da proporção das compras, os juros limitados ao capital investido, a neutralidade política e religiosa, o pagamento em dinheiro à vista e o fomento da educação cooperativa.
As cooperativas dividem-se em diversos tipos: trabalho, agropecuárias, consumo, crédito, habitacionais e de infra-estrutura. As segundas congregam consumidores de qualquer género, de forma a obter melhores preços, condições e qualidade de bens e serviços, comprando por atacado ou directamente do produtor, para uso próprio ou revenda.
A Organização Internacional do Trabalho considera Israel um “laboratório cooperativo”, onde se destacam os “Kvutzah”, formados de 15 a 25 famílias em regime comunitário quanto aos bens e educação das crianças; os “Kibutz”, com 1000 a 1500 pessoas, organizadas conforme o tipo anterior, e os “Moshav”, que operam com pequenos produtores, conciliando independência de actuação com supervisão técnica e administrativa.

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