Reportagem

A porta de entrada para os turistas

César André |

O sector do Turismo em Angola tem experimentado um grande crescimento e é um dos mais promissores em termos de perspectivas de evolução, para a qual muito vai contribuir a implementação do Plano Director do Turismo recentemente aprovado.

Quedas de Calandula uma das referências nacionais do turismo
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Os operadores turísticos estão confiantes e continuam a investir na criação de infra  estruturas hoteleiras. Em 2010, registou se um crescimento de 16,1 por cento na entrada de turistas e a oferta hoteleira do turismo cresceu para 136 unidades, com uma taxa média de ocupação de 89 por cento e os investimentos estimados no sector  equivalem a mais de mil milhões de dólares.
Com vista a dar continuidade à dinâmica que o sector tem experimentado nos últimos anos, o programa de governação do MPLA para o período 2017-2022 vai prosseguir com  o objectivo de desenvolver o sector turístico nacional com a realização de mapeamento, cadastramento e organização dos recursos turísticos em todo o território e criar uma central de informação turística a nível nacional.
Conceber e implementar uma estratégia de marketing do turismo angolano (a nível nacional e internacional), em articulação com os operadores privados e suas associações de classe, constam das acções a serem desenvolvidas no quinquénio.
No seu programa de governação, o partido maioritário pretende definir o perfil profissional do sector do Turismo, promover a certificação profissional e valorizar as carreiras turísticas, bem como segmentar os mercados emissores turísticos a nível interno, regional e internacional e categorizar os produtos turísticos angolanos.
Elaborar material promocional sobre  o turismo em Angola, associando a marca em parceria com o sector privado e criar postos de  informação turísticos  a nível nacional e promover a abertura de representações no exterior, nomeadamente junto das embaixadas, são dentre outras as acções constantes no programa de governação, caso vença as eleições.
O programa de governação prevê estimular a realização de manifestações culturais, desportivas, gastronómicas, bem como captar eventos de projecção internacional, susceptíveis de promover a imagem do turismo angolano.
Promover a sensibilização da população sobre a importância do turismo para o país, a simplificação do processo de atribuição de vistos para turistas internacionais, bem como promover a melhoria das acessibilidades externas de Angola (em tempo e custos) e da qualidade dos produtos e serviços turísticos, através da introdução de certificação no turismo, constam das acções a serem desenvolvidas.
O partido dos camaradas compromete-se a promover, em parceria com o sector privado, a conclusão da primeira fase  dos pólos de desenvolvimento turísticos de Cabo Ledo, Calandula e Bacia do Okavango e elevar em 35 por cento a entrada no país de turistas internacionais em 70 por centos. Outra medida a ser tomada é melhorar as acessibilidades internas das zonas turísticas, prosseguir a implementação dos pólos turísticos de Cabo Ledo, Calandula e Bacia do Okavango, bem como elaborar uma estratégia de promoção internacional do projecto Kaza (Okavango Zambeze).

Pólo Turístico de Cabo Ledo

Localizado no município da Quissama, província de Luanda, existem três zonas com grandes potencialidades turísticas a nível do Pólo de Desenvolvimento Turístico, nomeadamente a região do Sangano, Gabriel e Cabo Ledo (sede).
Com uma extensão de 3. 090 hectares, ao longo da faixa litoral, o ecoturismo, negócio, lazer, praia, sol e desporto (surf) cruzam-se, fazendo das belezas do mar o seu principal mecanismo para atracção cada vez mais de visitantes.
Criado em 2011 e em actividade desde Janeiro de 2012, o Pólo de Desenvolvimento Turístico de Cabo Ledo necessita de investimentos em infra-estruturas na ordem de 400 milhões de dólares, para atrair mais investidores privados e aumentar a actividade turística na área. 
Até agora, já foram investidos no Pólo do Cabo Ledo um milhão e 500 mil dólares na planificação do desenvolvimento sustentável para turismo.
Pretende-se  promover mais o turismo e preservar a área da praia dos surfistas, com a implementação do guia para a gestão dos usos do eco surf.
A praia de surfistas em Cabo Ledo é um lugar público onde os usuários vão poder usufruir livremente da praia e dos serviços nela prestados.
Os responsáveis do pólo esperam contar com os alunos da escola de surf, hóspedes do acampamento turístico, turistas, banhistas, comerciantes, pescadores locais, praticantes de desportos náuticos e de pesca desportiva.
Relativamente ao programa de educação ambiental, os responsáveis têm como meta restaurar a qualidade dos processos ecológicos, bem como garantir o uso sustentável da praia e área envolvente.
Várias acções inseridas no Plano Operativo do Turismo, relativas aos projectos do Pólo Turístico de Cabo Ledo, estão em curso, com destaque para a demarcação do perímetro como reserva especial para prática do surf.
Foram melhorados os acessos à praia dos surfistas e demarcado o limite de acesso para viaturas. O Pólo Turístico de Cabo Ledo conta, actualmente, com casas de banho públicas, parque de estacionamento, bar de praia, posto de salva vida, posto de Polícia, Bombeiros e Protecção Civil, bem como eco-resort.
A região de Cabo Ledo conta nos últimos meses com uma boa oferta de alojamento para os turistas que para lá se deslocam. Numa das suas jornadas de campo, o ministro da Hotelaria e Turismo, Paulino Baptista, defendeu a necessidade de as agências de viagem e turismo levarem os seus clientes, não só aos finais de semana, mas também durante a semana, nos locais eminentemente turísticos, como é o caso da região de Cabo Ledo e os mangais na Barra do Kwanza.
O resort Mangais conta com um campo para a prática do golfe, com 18 “buracos” e está a ser construído um hotel, com 96 quartos (192 camas) que se  vai juntar à oferta já existente.
Em termos de ofertas turísticas, Cabo Ledo conta actualmente com sete unidades hoteleiras registadas, com 250 quartos e 300 camas, com previsão de ser posto à disposição, ainda este ano, um total de 80 camas.
O turismo no Pólo Turístico de Cabo Ledo é sazonal, o que faz com que nesta época do ano (Cacimbo) o número de turistas que frequentam a região seja inferior. Em relação aos preços praticados, o gestor do perímetro assegurou que o surgimento de mais infra-estruturas turísticas e hoteleiras vai ditar este importante seguimento. 
Nos últimos meses, a aposta do gabinete tem-se cingido na captação de investidores, para que possam desenvolver projectos, principalmente na construção de infra-estruturas dos mais variados segmentos do turismo.
Está a decorrer a primeira fase que tem como objectivo principal a infra-estruturação de terrenos, captação de investidores, com previsão de se encerrar esta fase este ano, com o surgimento de mais de cinco unidades hoteleiras, bem como  a intensificação dos projectos ligados ao desporto de surf, já que a região tem grandes potencialidades a nível mundial para a prática desta modalidade.
A região tem vários pontos turísticos, com destaque para o Parque Nacional da Quissama, a Igreja de Nossa Senhora da Muxima, também conhecida como “Mamã Muxima”, o Pólo Turístico de Cabo Ledo, bem como a pesca.

ProjectoOkavango Zambeze
Duzentos e 78 mil quilómetros quadrados é a extensão total da área abrangida pelo projecto turístico transfronteiriço “Okavango/Zambeze”, que integra cinco países da África Austral, detendo Angola a segunda maior parcela, com 87 mil quilómetros, atrás da Zâmbia, que disponibilizou 97 mil quilómetros quadrados de terra.
Os restantes 98 mil quilómetros quadrados pertencem ao Zimbabwe, Botswuana e à Namíbia, tendo esta última a menor parcela dentre os Estados que aderiram ao projecto.
O projecto vai facilitar também a integração e a protecção das comunidades, o desenvolvimento socioeconómico e a protecção da biodiversidade dos países membros e, em particular, o crescimento da província do Cuando Cubango.
 Este projecto inovador e muito ambicioso, não tem actualmente tempo limite para a sua implementação, estando, contudo, a assinatura do seu tratado marcada para o próximo mês de Agosto.

  Desenvolvimento turístico de Calandula

Situado na província de Malanje, com epicentro nas Quedas de Calandula, as segundas maiores de África, o Pólo de Desenvolvimento Turístico de Calandula é um território de uma beleza natural, considerado como uma verdadeira reserva do ambiente e da biodiversidade de Angola.
O recanto abrange uma área de 20 quilómetros de superfície de reserva fundiária para a construção de zonas económicas, visando dinamizar o turismo interno, tendo em conta os diversos pontos turísticos da região e da província, em geral.
A construção da primeira fase do projecto do Pólo Desenvolvimento Turístico de Calandula, que terminou há dois anos, custou aos cofres do Estado 430 mil dólares e dispõe de uma edificação que comporta uma cafetaria e infra-estruturas de apoio.
Outras acções prendem-se com a abertura já feita de furos de água e distribuição de energia eléctrica à população e pretende-se também implementar outros serviços que concorram para a melhoria da qualidade de vida dos membros das comunidades.
O projecto define uma área de aproximadamente 2.000 hectares, dada a importância e singularidade do pólo turístico e da sua envolvente.
O projecto foi criado com o propósito de gerar ferramentas básicas para dinamizar o turismo na região e o desenvolvimento local, com benefícios para quem nele habita e o visita, através de instrumentos operacionais que têm por base as medidas estratégicas de desenvolvimento plasmadas nos Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017 e no Plano Director Nacional do Turismo que visa desenvolver o turismo interno.
Em paralelo, estão a ser também desenvolvidos estudos e outras acções que se materializam em acções específicas de reabilitação de edifícios, qualificação de infra-estruturas e equipamentos, como a concepção e construção da estruturas de apoio do Gabinete de Gestão de Calandula.
O projecto envolve uma área de dois mil hectares, implicando o Túmulo da Rainha Njinga, Pedras de Pungo Andongo, Rápidos do Kwanza e o Parque Nacional de Cangandala, numa estratégia comum de desenvolvimento e promoção.
O mesmo tem o seu desenvolvimento em duas fases e a  sua finalidade é dar resposta efectiva às necessidades de gestão do território, divulgação, promoção e interpretação do projecto, num espaço de 400 metros quadrados, que tem na base do seu desenvolvimento o conceito da sustentabilidade e da tipologia das habitações tradicionais.
Um dos principais objectivos da sua criação foi dinamizar o turismo e incrementar negócios, aproximando o turismo de Angola aos padrões internacionais.
O projecto abrange a construção de zonas económicas e turísticas numa extensão de 20 quilómetros de superfície no interior do município de Calandula.

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