Reportagem

Activistas contra a violência sexual vencem Nobel da Paz

O genecologista congolês democrático tratou com a sua equipa cerca de 30 mil vítimas de violência sexual na República Democrática do Congo. A activista Nadia Murad é sobrevivente da escravidão sexual imposta pelo Estado Islâmico no Iraque.

\Denis Mukwege, de 63 anos, dedicou grande parte de sua vida a ajudar as vítimas de violência sexual na República Democrática do Congo e a defender os seus direitos. Ele e a sua equipa desenvolveram vasta experiência no tratamento de lesões sexuais graves. Conhecido como "doutor milagre", ele é um acérrimo crítico do abuso de mulheres durante guerras e descreveu o estupro como uma "arma de destruição em massa".
Nadia Murad, de 25 anos, se tornou activista dos direitos humanos após sobreviver a escravidão sexual imposta, durante três meses, por integrantes do Estado Islâmico no Iraque. Após escapar dos terroristas, em 2014, ela liderou uma campanha para impedir o tráfico de seres humanos e libertar o grupo yazidis que é composto por cerca de 400 mil pessoas.
 Estima-se que três mil jovens e senhoras yazidis foram vítimas de estupro e outros abusos por parte dos extremistas no Iraque. A violência sexual foi sistemática e fazia parte de uma estratégia militar empregada pelos terroristas contra minorias religiosas.
 
Mulheres usadas como armas de guerra
 A presidente do comité norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen, afirmou que a edição deste ano do Nobel pretende enviar a mensagem de que “as mu.
lheres, que constituem a metade da população, são usadas como armas de guerra e precisam de protecção; e que os responsáveis devem ser res­­ponsabilizados e processados por suas acções”. Neste ano, o comité recebeu a nomeação de 216 indivíduos e 115 organizações. Mas, apenas algumas dezenas deles são conhecidos. Tradicionalmente a lista dos indicados é mantida em segredo há 50 anos.
O prémio é de 9 milhões de coroas suecas (cerca de 1 milhão de dólares) e será entregue numa cerimónia em Oslo em 10 de Dezembro. O Prémio Nobel foi criado pelo industrial sueco Alfred Nobel, o inventor da dinamite. A primeira premiacão foi em 1901.
Nobel da Paz é um dos cinco Prémios Nobel legados por Alfred Nobel. Os prémios de Física, Química, Fisiologia ou Medicina e Literatura são entregues anualmente em Estocolmo, sendo o Nobel da Paz atribuído em Oslo, na Noruega. A cerimónia do ano passado atribuiu o prémio à campanha internacional para a Abolição de Armas Nucleares.

  Quem é quem entre os nobeis

Denis Mukwege é médico ginecologista, nasceu a 1 de Março de 1955, em Bukavu, República Democrática do Congo, formou-se na Universidade de Angers, situada no Oeste de França, na cidade com o mesmo nome. Actualmente gere um hospital na sua terra natal.
Aos 63 anos ganha o Prémio Nobel da Paz, por se celebrizar na acção humanitária no seu país. Especializou-se no tratamento de mulheres que foram violadas por milícias na guerra civil do Congo, sendo um dos maiores especialistas mundiais em reparação e tratamento de danos físicos provocados por violação sexual. Tratou mais de 21 000 mulheres durante os 12 anos de guerra, algumas mais do que uma vez, chegando a fazer mais de 10 cirurgias por dia em dias de trabalho de mais de 18 horas.
Denis Mukwege é cristão Pentecostal, já recebeu prémios como Olof Palme, Cavaleiro da Legião de Honra, prémio Sakharov, entre outros.
Estudou Medicina na Universidade de Bujumbura, Burundi, entre 1976 e 1983.
Em 1984 beneficiou de uma bolsa de estudo da “Swedish Pentecostal Mission”, tendo-se especializado no mesmo ramo, pela Universidade de Angers, França. É doutor “honoris causa” da Universidade de Umea (Suécia), em Outubro de 2010. No mesmo ano, recebeu a medalha Wallenberg da Universidade de Michigan (Estados Unidos).
No dia 24 de Setembro de 2015, obteve o grau de doutor em Ciências Médicas pela Universidade Livre de Bruxelas, depois de defender  a tese de doutoramento intitulada “Etiologia, classificação e tratamento das fístulas traumáticas urolo-genitais.
Nadia Murad Basee Taha, nasceu em 1993, no Curdistão iraquiano, pertence à minoria Yazidis. Em 2014, com 21 anos, era estudante e vivia na aldeia de Kocho, em Sinjar, norte do Iraque, quando  os combatentes do Estado Islâmico invadiram a sua comunidade e mataram 600 pessoas, incluindo seis irmãos e meio irmãos dela.
Nadia tornou-se activista dos direitos humanos depois de escapar com vida do cativeiro onde serviu como escrava sexual das milícias do grupo terrorista Estado Islâmico. Desde Setembro de 2016 é a primeira Embaixadora da Boa Vontade para a Dignidade dos Sobreviventes de  Tráfico Humano das Nações Unidas.
Nadia Murad recebeu, entre outros, o prémio de Direitos Humanos Vaclay Havel do Conselho da Europa, o prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento.

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