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Kátia Ramos
14 de Março, 2017

Fotografia: Edições Novembro

Intercalando a vida social e a profissional com coragem, um exemplo da determinação feminina é Mara Quiosa. Com 37 anos, ocupa cargos de destaque na sociedade.

 É actualmente vice-presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda e à primeira secretària do Comité Municipal do MPLA em Luanda.
Para Mara Quiosa, o facto de ser a primeira filha e de a sua mãe tê-la de forma precoce, aos 15 anos, foram motivos suficientes para ver a vida de uma forma diferente e procurar acertá-la com ânimo e empenho para vencer. Irmã mais-velha de sete irmãos, nasceu no bairro do Cruzeiro, mas foi na Vila Alice onde cresceu. Casada com João Baptista Quiosa é mãe de dois filhos.
Actualmente, orgulha-se de servir o país, pelo facto de o Estado angolano ter custeado os seus estudos. Formada em Sociologia pela Universidade Agostinho Neto apresentou, na defesa da sua licenciatura, o tema “Gravidez na adolescência”, pelo drama da sua mãe.
Muito cedo, conta, alcançou cargos de destaque na sociedade, graças ao seu trabalho e dedicação. Hoje, quando faz uma retrospectiva sobre a evolução feminina em Angola, a dirigente considera o país uma “porta aberta” para as mulheres, desde que tenham mérito.
Admiradora de algumas figuras da sociedade angolana e da sua avó, Bia Santiago, que é o seu exemplo de dignidade e a quem atribui o sucesso da sua vida profissional, tem como heroínas Deolinda Rodrigues e Irene Cohen.
No marido, vê o suporte para progredir, fruto da experiência deste. “É o meu amigo e o meu suporte. Por ser diplomata de profissão tem vivência e orienta-me bastante. Ao longo destes anos, deu-me muita confiança e apoio para enfrentar obstáculos.”
Pelo empenho e dedicação, Mara Quiosa reverencia as mulheres, em especial as que são também chefes de família, ou independentes, e lideram os seus lares. A desestruturação das famílias, lamenta, tem sido um fenómeno crescente. A prova, reforça, são os diferentes casos contabilizados no Ministério da Família e Promoção da Mulher. “É um facto que pode destruir uma sociedade”, disse.

Experiência

“Existimos para servir”. É assim que Mara Quiosa define o papel do servidor público, função que ocupa. “Faço o que gosto e ainda sou paga por isso. Resolver o problema do munícipe é minha obrigação e me sinto bem com isso.” Porém, adianta, “não é fácil.” Mas, realça, “pelo juramento que fizemos à pátria temos de estar preparados.”
Para Mara Quiosa, o Presidente da República fez uma forte aposta no sector feminino, “porque viu força e determinação nas mulheres.” Em África, disse, existem países em que a mulher tem papel muito insignificante, mas em Angola há esta abertura e hoje 40 hoje as mulheres ocupam por cento dos cargos de destaque. “É uma satisfação”, confessa.
Por esse reconhecimento, a dirigente expressa o seu respeito pelas mulheres, que todos os dias se esforçam para dividir as tarefas domésticas e os compromissos profissionais. “Claro, os homens são parte fundamental deste processo. Porém, o crescimento de toda a sociedade depende da educação que se dá à mulher.”
Nascida aos 13 de Junho de 1980, Mara Baptista Quiosa começou a sua carreira de militante do MPLA aos 18 anos e já exerceu os cargos de administradora do distrito urbano do Sambizanga e membro do comité central do partido, da OMA e do comité nacional da JMPLA. Apesar de estar constantemente ligada a actividades femininas, ­reconheceu que tem mais “jeito” para lidar com homens. “Sou mulher de poucos vestidos”, disse. Quanto ao seu papel de servidora pública, disse que o faz com orgulho. “Lembro da época em que as condições eram precárias até na formação de cada um. Hoje, fico feliz quando vejo uma escola ser inaugurada e com condições adequadas. A última vez que visitei uma escola aconselhei os alunos a cuidarem melhor dos bens públicos.”
Embora as mulheres estejam a ocupar mais cargos na sociedade, o facto de a vida rural também ter tido toda a atenção do Presidente da República é um acto louvável. “É uma luta conjunta para o desenvolvimento da economia angolana, que é visível também na formação das mulheres, actualmente mais presentes nas universidades e portanto com melhores meios para ajudarem a construir uma nação digna”, disse.

Uma mulher vencedora

O reconhecimento do crescimento e do empenho da juventude na construção de um país melhor foi demonstrado nos últimos anos com a introdução de várias mulheres jovens nos pontos estratégicos. Um exemplo é Milca Cuesse Caquesse, activista cívica, que hoje é a administradora municipal do distrito urbano de Sambizanga.
A jovem, de 30 anos, formada nas fileiras da JMPLA e membro de várias associações governamentais, nasceu aos 21 de Julho de 1985, no Sambizanga. Formada em Direito, já exerceu cargos como coordenadora-adjunta do núcleo de empreendedores do Comité Provincial da JMPLA e da Brigada de Ambiente em Luanda.
Há um ano a ajudar na construção de um distrito melhor, Milca Caquesse assumiu o desafio. “Apesar de não ser fácil, é possível”, disse, acrescentando que tem força de vontade, criatividade e espírito de liderança para vencer. “São os três elementos que uso para cumprir os desafios diários.”Desde o seu empossamento, conta, tem feito um trabalho de equipa activo, que ajudou a aproximar mais os munícipes e a administração do distrito. O programa “Sambizanga em Movimento” é um exemplo deste projecto. “Com a iniciativa, o município pode não ter o suficiente em verbas, mas em termos de infra-estruturas melhorou muito.”O esforço de reconstrução e melhoria de vida da população, que também tem o apoio do Executivo, já resultou na construção de uma central eléctrica e mais água potável para a população do Sambizanga. O saneamento urbano também está a melhorar significativamente.

Desafios

O apoio incondicional dos moradores do Sambizanga é um motivo de inspiração para  Milca Caquesse. “Temos arregaçado as mangas com frequência”, disse. As principais dificuldades, destacou, são a falta de verbas, que impossibilita muitas iniciativas em carteira. A actual crise financeira e a falta de formação dos quadros são outro entrave.”A função pública, explicou, precisa de mais quadros formados para fortalecer os seus recursos humanos, ainda muito deficientes. “A solução imediata tem sido a capacitação. As acções de formação têm sido implementadas e são uma mais-valia pois dão novas e melhores bases aos quadros da administração interna, porque os moradores, às vezes, só querem ver o seu problema resolvido”, destacou.
O projecto “Verde mais Limpo”, outro exemplo,  já tem 100 colaboradores formados para o processo de sensibilização e está a trabalhar nas iniciativas da administração. Um outro exemplo é o “Sambizanga Patriótico”, que leva para as escolas conhecimento das leis angolanas e dos símbolos da República. A intenção, disse, é preparar os mais novos para um futuro patriótico, no qual o respeito pelas diferenças políticas, religiosas e raciais seja a base.Para Milca Caquesse, a experiência adquirida neste cargo é algo únicona sua carreira. Pelo conhecimento adquirido, agradeceu ao Presidente da República, por ter criado maior oportunidade para as mulheres, “um acto que faz toda a diferença em África.”
A delinquência era outro ponto negativo, mas hoje, conta, regista-se uma baixa, de acordo com os dados da Polícia Nacional. “Claro que ainda existem delitos, em especial os praticados por menores, mas estamos a trabalhar neste sentido.” A solução, reforçou, é a criação de mais actividades desportivas. “Criámos mais espaço para as actividades desportivas, de forma a ocupar mais os jovens. Temos um programa de aconselhamento jurídico na comunidade, com psicólogos e sociólogos”, assegurou.
Neste Março Mulher, pediu para cada uma reflectir sobre o seu papel na sociedade, pois a responsabilidade da mulher é muito acrescida, sendo ela mãe, esposa e líder da família. “O que for feito para o bem-estar de uma mulher  reflecte-se numa nação.”

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