Reportagem

Afectados pela estiagem procuram apoio na Namíbia e Zâmbia

Carlos Paulino | Menongue

O governador da província do Cuando Cubango, Pedro Mutindi, orientou, na cidade de Menongue, a Comissão Provincial de Protecção Civil a apoiar, com urgência, as famílias afectadas pela seca nos municípios de Cuangar, Calai, Dirico, Rivungo e Mavinga, tendo em conta que muitos habitantes estão a abandonar as zonas de origem à procura de bens alimentares na Namíbia e Zâmbia.

Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Pedro Mutindi deu estas orientações durante uma reunião operativa que teve com os membros da Comissão Provincial de Protecção Civil e administradores municipais, para se definirem estratégias de distribuição das 191 toneladas de bens alimentares que a província recebeu para apoiar às 70.531 famílias afectadas pela seca, das quais 130 toneladas doadas pela Casa de Segurança do Presidente da República e 61 pelo Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher.
Segundo o governador, sem exclusão dos outros municípios da província, como Menongue, Cuchi, Cuito Cuanavale e Nancova, a situação de seca e fome é mais crítica nas localidades de Cuangar, Calai, Dirico e Rivungo, na orla fronteiriça com a Namíbia e Zâmbia, bem como no município de Mavinga. À distribuição de bens alimentares nestas localidades, referiu, deve ser imediata.
O governador realçou que, devido ao mau estado das vias de acesso, urge criar as condições para o transporte dos produtos da cidade de Menongue para os outros municípios. Acrescentou que a par do estado avançado de degradação das estradas, os municípios de Cuangar, Calai, Dirico, Rivungo e Mavinga distam mais de 400 quilómetros da capital do Cuando Cubango. Pedro Mutindi pediu, por este facto, o apoio das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional para ajudarem a transportar os bens alimentares para as 70.531 famílias afectadas pela seca e fome nos nove municípios que compõem a província do Cuando Cubango, correspondente a mais de 350 mil pessoas.
“Estas pessoas precisam neste momento de apoio imediato de bens alimentares, tendo em vista que não conseguiram produzir alimentos na campanha agrícola 2018/2019 por causa da falta de chuva e muitas delas são obrigadas a abandonar as zonas de origem em busca de comida e água noutras regiões, sobretudo na Zâmbia e Namíbia”, disse.
Segundo Pedro Mutindi, devido à penúria alimentar, o Governo do Cuando Cubango, em coordenação com a Comissão Provincial de Protecção Civil, elaborou um plano de acção para o apoio às 70.531 famílias afectadas pela estiagem, durante 12 meses.
O governador orientou os membros da Comissão Provincial de Protecção Civil a envidarem esforços, junto do Ministério da Agricultura e Recursos Florestais, para as associações e cooperativas de camponeses poderem ter apoio de inputs agrícolas, para que as pessoas afectadas pela seca e fome se envolvam na produção de diversas culturas, nas margens dos rios.
Pedro Mutindi recordou que no princípio da campanha agrícola 2018/2019 não se esperava que houvesse seca na província, porque as chuvas começaram a cair com alguma normalidade em todos os municípios, mas depois veio a estiagem e as culturas que as populações cultivaram não atingiram a maturação necessária para a colheita.
O governador disse que esta situação provocou a escassez de alimentos em toda a extensão do Cuando Cubango, sobretudo no interior da província, onde a população clama por uma intervenção urgente, em termos de apoio em bens alimentares.

População migra
O administrador municipal do Dirico, Armando Camaia, disse que por causa da estiagem cerca de duas mil pessoas, dos 12.126 habitantes do município, já abandonaram a circunscrição e foram em busca de apoio alimentar na Namíbia.
Parte da população do município do Calai, segundo o administrador Afonso Dala, também está a recorrer à Namíbia em busca de bens alimentares e muitas pessoas refugiaram-se na localidade namibiana do Rundu.
“Neste momento, não há comida para a população e muitas pessoas foram para a Namíbia trabalhar em fazendas em troca de alimentação”, disse, acrescentando que o plano de distribuição de alimentos, traçado pelo Governo da Província, vai minimizar algumas dificuldades que as populações afectadas pela seca estão a enfrentar nos municípios de Cuan-gar, Calai, Dirico, Rivungo e Mavinga", disse Afonso Dala.
O administrador do Calai salientou que os municípios da orla fronteiriça, por se encontrarem na área afecta ao deserto do Kalahari, de dois ou de três em três anos enfrentam uma situação severa de estiagem, pelo que urge que o Executivo crie políticas de construção de furos de água em todas as localidades, para beneficiar a população e os animais.

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