Reportagem

Alunos com mais segurança

Manuela Mateus |

As pequenas rixas entre alunos nas instituições de ensino na cidade de Luanda caíram de 15 casos em 2014 para oito no ano passado, informou o Comando da Brigada Escolar (Brigada Escolar) da capital. Os dados realçam os furtos de telemóveis entre colegas e a danificação de bens públicos, como carteiras e janelas, entre as principais ocorrências.

Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

A Brigada Escolar intervém em escolas públicas e privadas e também é chamada a intervir em universidades. A brigada criou, a partir de Setembro do ano passado, Conselhos Comunitários de Segurança Escolar para ajudar o efectivo nas rondas e ajudar a resolver os conflitos.
O porta-voz do Comando Provincial de Luanda, inspector-chefe Mateus Rodrigues, disse a propósito que a iniciativa se enquadra na filosofia da polícia, no concernente ao policiamento de proximidade.
O objectivo é criar vários fóruns, onde a corporação e a comunidade encontrem soluções para os problemas de segurança nas comunidades.
O inspector do Gabinete da Educação da Província de Luanda, Lourenço Neto, considerou  importante a criação dos conselhos, em função de alguns fenómenos que ocorrem nas instituições escolares, com a envolvência de alunos.
O responsável apontou o fenómeno “mata-aula”, em que os alunos se envolvem em práticas delituosas, usando estupefacientes bebidas alcoólicas de forma desregrada.
Os conselhos incluem encarregados de educação, polícia, directores de escolas, associações juvenis, ­entre outros intervenientes, para que a educação das crianças e jovens caminhe de forma ­harmoniosa.

Prevenção e educação


O comandante da Brigada Escolar de Luanda, António dos Santos, disse ao Jornal de Angola que os conselhos servem de assistência aos alunos infractores e ofendidos, através de métodos internos de repreensão.
“Como crianças, estes menores não são detidos. Procuramos internamente, através de métodos próprios e com ajuda de especialistas, como sociólogos e psicólogos, dar-lhes o devido acompanhamento”, disse o responsável.
Em casos mais graves, onde há furto ou danificação de um bem, ou até reincidência, os encarregados são chamados e cria-se, com as direcções das escolas, formas de reposição legal.
O objectivo da missão da brigada é pacificar e “ensinar o homem do amanhã a ter um perfil que dignifique o país”, refere António dos Santos. O Conselho de Apoio à Prevenção Criminal responsabiliza-se por todos os casos ocorridos nas escolas e os alunos são orientados, sobretudo, a não voltar a cometer tais actos.
Os menores são ouvidos pelos especialistas, sociólogos e psicólogos, e convidados a comparecer na instituição com os pais e a devida identificação. “As medidas são aplicadas e, de 15 em 15 dias, o menor comparece na instituição e verificam-se as mudanças no comportamento. Tudo isso com informações complementares da direcção da escola”, contou António dos Santos.
Os casos foram registados, na maioria, dentro das escolas, com a implicação de pessoas de menor idade. “São adolescentes e jovens para os quais, se não olharmos hoje, podemos ter amanhã uma sociedade comprometida, mesmo que estes tenham estudado”, alertou.

Estratégias a seguir

António dos Santos informou que a Brigada Escolar pretende melhorar o patrulhamento de ­proximidade e continuar os encontros dos conselhos comunitários de segurança escolar, criados em todas as instituições de Luanda, para ouvir os problemas de comunidade estudantil e buscar soluções.
“Vamos  reforçar as parcerias com outros autores sociais, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o conselho Provincial da Juventude, Gabinete Provincial de Educação e os Julgado de Menores, por ser a última instância onde muitos menores vão parar”, disse.
O responsável máximo da Brigada Escolar de Luanda defendeu melhorias na comunicação com o Gabinete de Educação.
“Isso proporciona maior dinâmica na fluidez de informação junto dos estudantes e as comissões de pais, conduzir a planificação da intervenção policial, bem como melhorar o trabalho do Gabinete de Conselhos e Apoio à Prevenção Criminal, órgão este que analisa todos os casos que envolvem os alunos nas escolas da capital”, garante.
O comandante da Brigada Escolar, António dos Santos, afirma que a maioria dos actos de vandalismo ocorridos nas escolas da capital é causada por pessoas que aparecem apenas para intimidar os alunos e estes ripostam, causando assim a confusão.
Criada em 2003, a Brigada Escolar de Luanda é um órgão operativo do Comando Provincial, destacado nas escolas da capital do país.
Conta com cerca de 800 efectivos e tem como objecto social traçar estratégias metodológicas de intervenção policial, social e cultural nas instituições de ensino.

Peso de factores económicos

Em meados do ano transacto, o professor universitário Guilherme Moma admitiu, em Luanda, que alguns factores económicos e sociais vividos por certas famílias, podem ser considerados como as principais motivações para o aumento da delinquência juvenil.
Numa palestra sobre o tema “O Papel do Executivo Angolano no Combate à Criminalidade e Delinquência em Angola”, o docente disse que a ausência de diálogo familiar leva muitos jovens a praticarem actos reprováveis pela sociedade.
Guilherme Moma referiu  o trabalho do Executivo junto dos órgãos policiais, como a Brigada Escolar e outras organizações afins, que trabalham na socialização da juventude, realizam palestras e seminários em escolas e bairros, permite que jovens e adolescentes tomem consciência dos actos causados pela delinquência.
Para o docente, além do Estado, as Organizações Não-Governamentais e igrejas têm um importante papel na consciencialização do indivíduo, utilizando a fé cristã e alguns trabalhos de voluntariado, doação e comparticipação.

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