Reportagem

Alunos do ensino primário em Ondjiva aprendem e estudam debaixo de árvores

Domingos Calucipa | Ondjiva

Mais de cinco mil crianças de diferentes escolas do ensino primário da cidade de Ondjiva, capital da província do Cunene, estudam ao ar livre e mal acomodadas por falta de salas de aulas, o que pode tornar muito difícil o seu processo de aprendizagem, como constatou o Jornal de Angola.

Fotografia: DR

Quem visita esses estabelecimentos de ensino dá de cara com uma imagem deveras comprometedora de numerosas turmas espalhadas pelos corredores, pátios ou debaixo de árvores das redondezas, muitas delas frondosas e as vezes habitadas por bichos, como pequenos répteis.
A ronda começou pela Escola Primária de Okapale 2. Era numa manhã de segunda-feira e a turma da 3ª classe G da professora Ester Firmina estava agitada, tudo porque os raios do sol já incomodavam, pois a sombra da parede que os abriga começava a se esgueirar.
António Kamati, 11 anos, está entre os cerca de 30 alunos da turma. Sentado no chão, o pequeno procura copiar os escritos do quadro, mas tudo se torna muito difícil porque os raios do sol focam intensamente no caderno pousado também no chão. Pedro pestaneja com frequência, e de tempo em tempo limpa os olhos húmidos de lagrimas provocadas pelo reflexo do sol, o que faz perceber que já não consegue decifrar as letras.
Tal como ele, muitos alunos também fazem a cópia com muitas dificuldades, embora tentam dar costas ao sol para dar efeito de sombra sobre o caderno, enquanto a professora Ester, com o seu \"cacete\" na mão aponta no quadro improvisado e lê em tom alto o conteúdo da disciplina de estudo do meio.
A professora contou que não tem sido fácil lidar com aquela realidade, mas admitiu que ensinar crianças ávidas de aprender a ler e a escrever deve superar quaisquer condições de trabalho.
Sempre que chega a hora onze a turma tem recorrido a uma das salas da iniciação, para se abrigar do sol intenso, uma vez que os alunos desta classe saiem mais cedo, não obstante isso quebrar o ritmo da aula.A imagem de crianças acomodadas em latas de leite, pedras, blocos ou banquinhos trazidos de casa estende-se por quase todas as salas.
Numa e noutra pode-se ver uma dúzia de carteiras ou muito menos. Mas mesmo assim, a entrega de professores e alunos ao ensino e à aprendizagem tem superado todos os obstáculos, que vão desde a falta de salas, carteiras, quadros negros e livros didáticos.

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