Reportagem

Aposta na formação cria mais emprego

Edivaldo Cristóvão

Nos últimos cinco anos a função pública registou 350 mil trabalhadores e foram criados 1.200 postos de trabalho. Os sectores de actividade económica que mais geraram empregos são os Transportes, com 232.074 lugares, Comércio, com 206.839, Energia e Águas, com 164.445 e Hotelaria e Turismo, com 72.005.

Centena de jovens estão a sair do desemprego devido a grande aposta feita pelo Estado na formação profissional
Fotografia: Edições Novembro

Os resultados definitivos do Censo lançados em Março deste ano definem que a população economicamente activa começa no patamar dos 15 anos. Em 2004, a taxa de ocupação era de 53 por cento, sendo 61 por cento para os homens e 45 por cento para as mulheres. Geograficamente, a província do Cuanza Sul tem a taxa mais elevada, com 62 por cento, seguida por Malanje com 60 por cento. Lunda Sul e Cunene apresentam as menores taxas de ocupação, com 38 e 39 por cento, respectivamente.
Dados do Censo revelam que 42,2 por cento da população activa trabalha no sector primário, que inclui a Agricultura, Produção Animal, Caça, Florestas e Pesca.
O sector secundário dá ocupação a 6,1 por cento, nos sectores da Indústria, Construção, Energia e Águas. O sector terciário emprega 26,2 por cento da população activa nos Transportes, Comunicações, Comércio, Finanças e serviços administrativos. Em 2014, a taxa de emprego em Angola foi de 40 por cento. As províncias do Cuanza Sul e Malanje apresentam as taxas mais altas.
A Agricultura e a Pesca são as actividades económicas que geram mais emprego no país, com 70 por cento de ocupação, concentrando-se sobretudo na província do Cuanza Sul.
Com a criação do Instituto de Formação Profissional (INEFOP), o défice do desemprego nos jovens tem diminuído substancialmente. Foram registados mais de 234.744 formandos e destes, 196.884 terminaram os cursos com sucesso nas 111 especialidades ministradas. Para cada jovem formado em centros profissionais, o Estado gasta 800 mil kwanzas.
O plano de formação tem como objectivo conceber e executar as políticas do emprego e de formação, para acompanhar o desenvolvimento do país. O Sistema Nacional de Formação Profissional criou um total de 595 centros de formação a nível do país, controlados por organizações privadas e estatais. dos quais 140 são sustentados pelo Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional. O Sistema Nacional de Formação Profissional é um instrumento que está sob a gestão do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS). Os programas de formação estão subdivididos em brigadas e foram criados para ajudar a combater a delinquência juvenil e impulsionar o empreendedorismo que dá possibilidade aos jovens de criarem a suas próprias empresas.
No âmbito do Programa de Formação Profissional, o Executivo tem como objectivo conceber e executar as políticas do emprego e de formação, acompanhar as políticas globais e sectoriais, elaborando estudos e propostas para acompanhar o desenvolvimento do país e da mão-de-obra qualificada.

Formação de quadros


O Plano Nacional de Formação de Quadros (PNFQ) até 2025 vai promover e melhorar o acesso dos angolanos a um emprego produtivo, qualificado e assegurar a valorização sustentável dos recursos humanos.
O PNFQ constitui um instrumento de gestão dos recursos humanos para a economia e visa a melhoria de competências à população activa desempregada, centradas em objectivos estratégicos da economia, assegurando o equilíbrio entre a procura e a oferta de mão-de-obra qualificada e competente para os desafios actuais e futuros.
A nível do país estão implantados 595 centros de formação em instituições privadas e 35 em outros organismos a formar jovens sob orientação do MAPTSS.
Depois de formados, os novos profissionais contam com o apoio total do Centro Local de Empreendedorismo e Serviços de Emprego (CLESE) em 56 centros de emprego. O Banco Sol tem sido o parceiro que financia o Micro Crédito Amigo, que já beneficiou mais de 4.500 empreendedores.
Destes, 13 já estão a gerar outros empregos e outros 1.338 investidores na base da economia formal.
O CLESE joga um papel importante, devido aos vários programas que estão a ser implementados para proporcionar ideias para negócios estruturados, abrir empresas e facilitar a colocação dos jovens no mercado de trabalho.
O MAPTSS criou outros programas que promovem e favorecem o acesso aos jovens que prestam serviço nos mercados e mecânicos para oficinas de geradores, com oficinas nas zonas rurais perto das residências para facilitar a deslocação. O CLESE ministra uma diversidade de cursos nas áreas de contabilidade, informática, electricidade, alvenaria, mecânica, corte e costura e outros.

Centros móveis

Os centros móveis têm servido para formar pessoas que vivem em zonas de difícil acesso. Já chegou até à comuna de Catuitui, zona que faz fronteira com a Zâmbia, província do Cuando Cubango e Cazombo, na província do Moxico.
Os cursos mais procurados a nível dos centros de formação têm sido o de informática, electricidade, contabilidade, gestão de empresas e bancário, especialidades informáticas e transversal.
O Instituto Nacional do Emprego conta com l.232 formadores, devidamente especializados. Este ano foi implementado o curso da agricultura tendo em conta a situação actual que o país vive, que passa pela diversificação da economia. O CLESE está em dez províncias do país e tem a finalidade de mudar as comunidades por via do empreendedorismo, ensina os jovens a ter um domínio básico na gestão da sua conta e a ter domínio da contabilidade básica para negócios e marketing. Com este programa de formação, muitos vêem as suas vidas mudadas e tornam-se mais úteis à sociedade.
O CLESE tem cursos de informática, serralharia, carpintaria, alumínio, construção civil, canalização, panificação, costura industrial, electricidade, informática e reparação de computadores. Estes cursos dão ao cidadão uma capacitação empresarial, assessoria jurídica, contabilística e financeira.
A formação profissional dos desmobilizados de guerra e de outros grupos vulneráveis, a reabilitação profissional dos mutilados de guerra e de outros estratos vítimas de guerra têm sido implementados. E os objectivos do Sistema Nacional de Formação Profissional (SNFP) passam pela formação profissional inicial de jovens e adultos semi-qualificados ou não qualificados.


Centro integrado

O Centro Integrado de Formação da Lunda Sul é dos mais modernos do país e depois da sua reabilitação tem dado oportunidades a jovens que não puderam ter formação no ensino regular. Só o ano passado, inscreveram-se 1.404 alunos, 911 foram matriculados, dos quais 725 conseguiram terminar a formação, sendo 384 homens e 341 mulheres.
O centro passou de municipal para regional e actualmente atende as províncias da Lunda Norte, Moxico e Malanje. O ano passado teve nove cursos disponíveis e para este ano o ciclo aumentou para 14. A perspectiva é arrancar com 21.
Os cursos disponíveis no centro são os de Culinária, Recepção, Mesa e Bar, Informática, Electricidade Auto, Electricidade Predial, Frio, Hardware, Auto Card, Energia Renovável, Soldadura Industrial, Mecatrónica e Hidráulica (canalização).
O centro tem capacidade para 1.200 formandos nos dois períodos. Tem dez laboratórios, igual número de salas teóricas, um edifício administrativo, auditório, posto médico e restaurante.
A força de trabalho do centro é composta por uma equipa de 48 funcionários, tem 38 formadores em áreas diversas, pessoal administrativo e funcionários de outros serviços.
Os cursos são classificados por níveis, I, II, III e IV. Para este último grau é exigido um teste de admissão dos interessados, porque os potenciais formandos são jovens que terminaram a 12ª classe mas que estão sem estudar durante muito tempo.
Também existem casos de formandos sem qualquer escolaridade, que são submetidos a um teste verbal, e depois inseridos nos cursos de níveis mais baixos.
O director do centro, Abel Pinto, disse que alguns cursos foram adaptados de acordo com a realidade da província. “É preciso que as pessoas tomem atenção que apesar de terem já uma licenciatura é sempre bom ir em busca da formação profissional, onde a componente formação é mais prática”, disse. Os formandos são aproveitados através do Centro de Emprego e a média anual dos alunos aproveitados é de 251 formandos. A indústria é o sector que mais emprega, mas também nas áreas da construção civil e hotelaria.

Jovens formados estão satisfeitos

Hermenegildo Marques dos Santos, de 22 anos, é um dos exemplos de superação. Depois de terminar o curso de Hotelaria no centro foi inserido no mercado de trabalho num dos restaurantes da Lunda Sul onde trabalha como empregado de mesa.
O jovem revelou que antes de entrar para o centro de formação estava no desemprego e não sabia por onde começar a ganhar a vida, até que lhe apareceu a oportunidade de ingressar no centro.
“Este centro veio para mudar a minha vida. Hoje trabalho graças a este programa de formação do Executivo. Do dinheiro que ganho no restaurante já consigo pagar a Universidade sem ter que depender de ninguém e ainda consigo ajudar em algumas despesas de casa”, contou.
Maura Cavundo, de 25 anos, faz o curso de culinária e pretende montar o seu próprio negócio e abrir uma cozinha. Revelou que sempre teve curiosidade em cozinhar e criar vários tipos de pratos da região e não só. Está a fazer o curso para aumentar o seu nível de conhecimento e poder gerir uma empresa.
Fernando Job Manaça tem 26 anos e está a fazer o curso de Electricidade Auto. Revelou que sempre teve paixão por esta profissão desde pequeno, porque ajudava o tio nestas tarefas. “Durante a minha infância sempre tive curiosidade em consertar viaturas, ajudava o meu tio na mecânica e hoje não consigo deixar esta profissão”, referiu.

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