Reportagem

Assaltos a campos agrícolas preocupam população de Ngoma

Kayila Silvina | Mbanza Congo

Os constantes roubos em campos de cultivo preocupam os camponeses da aldeia de Ngoma, arredores da cidade de Mbanza Congo, capital da província do Zaire, que clamam por intervenção policial na região.

Os camponeses reclamam afirmando que os meliantes se deslocam na calada da noite em triciclos motorizados que usam para o transporte dos produtos roubados situação que tem provocado constrangimentos sérios para a população
Fotografia: Dombele Bernardo |

Proprietários de lavras afirmam que indivíduos desconhecidos se deslocam em triciclos motorizados, conhecidos por “ntu a mbuanzi” (cabeça de mosca, em português), que usam para transportar os produtos roubados.
Na localidade de Ngoma, o projecto de aquicultura, para o qual foram construídos vários tanques, faliu após sabotagem por elementos desconhecidos.
O soba da aldeia de Ngoma, Eduardo Nkiambi, disse ao Jornal de Angola que a população está descontente com a situação, pois o projecto tinha como finalidade, reduzir a fome e a pobreza naquela comunidade rural.
Eduardo Nkiambi acrescentou que o projecto visava estimular a produção agrícola e a piscicultura, contribuir para a diversificação da economia e estava em franco crescimento.  O projecto, de iniciativa privada, contava com quatro tanques para a criação de peixes. “Os bandidos sabotaram e roubaram todos os peixes”, afirmou o soba. 
A aldeia de Ngoma, a cinco quilómetros da sede de Mbanza Congo, das mais populosas da região, possui zonas em que os habitantes praticam a caça e a pastorícia, além da criação de porcos.
O soba referiu que, com o eclodir da crise económica, os assaltos às lavras aumentaram, o que aflige as famílias camponesas.
“Além dos roubos nas lavras, os marginais praticam também outros crimes, como violação sexual de camponesas, e intensificam as ofensas corporais a cidadãos indefesos”, denunciou o soba Eduardo Nkiambi.
Munidos de armas de fogo de fabrico artesanal, os meliantes “apoderam-se das lavras dos camponeses e retiram todos os produtos cultivados”, afirmou. Em muitos casos, “chegam a determinar os dias que os proprietários de campos podem frequentar as lavras”, referiu. A autoridade tradicional lançou um veemente apelo aos órgãos policiais para trabalharem no sentido de devolverem a segurança aos camponeses na aldeia.De acordo com o soba, os camponeses vão às lavras de segunda a quinta-feira, enquanto os meliantes actuam, sobretudo, às sextas e sábados.
   
Vias urbanas

O programa das vias urbanas, que decorre a bom ritmo em Mbanza Congo, mereceu elogios do soba de Ngoma. Eduardo Nkiambi enalteceu os benefícios do projecto para os habitantes da cidade.
Em Mbanza Congo, estão em reabilitação as ruas dos bairros Álvaro Buta, Sagrada Esperança, 11 de Novembro e Martins Kidito.
O projecto, que abrange a aldeia de Ngoma, inclui iluminação pública, canalização de água, colectores de águas pluviais, escoamento das residuais, telecomunicações, passeios e sinalização.
 Para Eduardo Nkiambi, a iluminação pública vai reduzir em muito a criminalidade.Antigo inspector provincial da Educação, Eduardo Nkiambi aconselhou os jovens a dedicarem-se aos estudos, para garantirem o futuro, e evitarem a prática de crimes e a vandalização dos bens públicos colocados à disposição da população.
 
Acções de vandalismo

A aldeia de Ngoma tem uma escola de 12 salas, posto de saúde, reservatório de água e um grupo gerador de 1.000 kva.
Para combater a criminalidade, a Polícia Nacional faz o patrulhamento da aldeia, mas, na opinião do soba, essas acções devem ser redobradas.“Na calada da noite, temos registado acções banditescas perpetradas por jovens, ainda por identificar”, disse. “A população enfrenta muitos problemas de segurança, quando circula no bairro” disse.
Com 73 anos de idade, o soba reside há mais de dez no bairro Ngoma. Frisou que as autoridades municipais já têm conhecimento da situação, mas urge reforçar o patrulhamento policial, bem como a instalação de um posto policial ou de uma esquadra móvel no bairro.Os assaltantes chegam a arrombar as portas das casas com as pessoas a dormir e ameaçam os cidadãos, sobretudo, vendedores da pracinha das 15 casas.
Os marginais roubam carteiras da escola, quebram vidros das janelas e pincham as paredes. 
 
Aldeia da alegria


A aldeia de Ngoma foi fundada por três elementos oriundos do município do Bembe, província do Uíge. Manuel Lula, António Petiz e Miguel Teixeira eram conselheiros do último rei do Congo em 1916, a quem pediram a parcela de terra para fundar o povoado, o que aconteceu em 1918.
Ngoma, em kikongo, significa batuque, designação que reflecte a alegria da população local, disse o soba. A aldeia está ligada a Mbanza Congo devido ao crescimento demográfico.
 Eduardo Nkiambi agradeceu os esforços do Governo Provincial para levar os serviços públicos à população local.

Tempo

Multimédia