Reportagem

Aumenta a criação de gado bovino

Arão Martins | Lubango

O efectivo bovino angolano estimado em 3.850.000 cabeças, onde a região Sul se destaca com o maior número, constitui uma base sólida para o desenvolvimento socioeconómico do país, disse o secretário de Estado da Agricultura, Carlos Aberto “Calabeto”.

O gado tem sido das principais apostas do crescimento económico
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro | Lubango

Na abertura da 14ª edição da Feira Agropecuária, enquadrada na 31ª edição das Festas da Nossa Senhora do Monte, o governante precisou que o potencial angolano faz com que ocupe um lugar preponderante na região Austral de África, na qual representa o quarto lugar em termos de efectivo bovino, que é, por sinal, a espécie pecuária de maior importância económica.
A Associação dos Criadores de Gado do Sul de Angola representa uma organização forte, pois  assegura a vida da população do ponto de vista económico-social, na produção de bens de consumo, no rendimento da economia familiar, no combate à fome e na erradicação da pobreza.
A carne bovina contribui com cerca de 35% da proteína animal, para a dieta alimentar do ser humano e, sendo uma arte, a criação animal, não seria possível sem a intervenção daqueles que exercem esta actividade com empenho e dedicação, o que representa um activo precioso, que se  traduz numa das grandes riquezas da população.
Produtos como a carne, leite e ovos, importantes para a segurança alimentar, exercem um aumento da sua produção, o que implica maior empenho e aperfeiçoamento na sua organização produtiva, para poderem participar em melhores condições de mercado, que a cada dia se torna mais exigente e competitivo, quer na utilização dos recursos genéticos animais, quer na aplicação de tecnologias que permitem a melhoria da qualidade do produto final.
O secretário de Estado da Agricultura para o sector empresarial, Carlos Aberto, defendeu a responsabilidade na manutenção, desenvolvimento e protecção dos efectivos pecuários contra as doenças, pelos criadores de gado, dando cumprimento aos programas de profilaxia sanitária definidos pelos serviços veterinários competentes.
Uma atenção especial tem sido também dada às doenças transfronteiriças que afectam a região, como é o caso da peripneumonia contagiosa bovina, febre aftosa e dermatite nodular, recorrendo-se sempre e em tempo oportuno a uma assistência veterinária adequada por parte dos profissionais do ramo.
No ano económico 2016, o país importou 420 mil toneladas de carne bovina, suína e de aves.
No mesmo período, a produção interna foi de, aproximadamente, 50 mil toneladas, o que fica muito aquém das necessidades internas de consumo.
“Temos que modificar essa situação, porque as potencialidades da região são enormes, carecendo apenas de esforço, tanto do sector empresarial, onde o Executivo vai continuar a prestar o seu apoio institucional”, disse.
Organizar encontros com criadores para troca de experiências, sensibilização de outros intervenientes na cadeia produtiva e busca de consensos para a implementação de várias acções, para que haja uma participação efectiva de todos, é uma iniciativa valiosa.
A entrega de troféus, exposição de animais e a realização de leilões devem constituir um estímulo para todos aqueles que se dedicam à criação de gado. É preciso aproveitar todas as oportunidades que a feira oferece não só para a realização de negócios, como para muita diversão.

Serviços técnicos

O presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola, que congrega mais de 82 fazendas, Luís Nunes, defendeu um serviço técnico que reúna as condições para prestar uma assistência veterinária e zootécnica capaz de assegurar a profilaxia, a sanidade, a melhoria, o maneio, o bem-estar e a gestão dos efectivos.
Uma  assistência agro-mecânica eficaz na produção e conservação de pastagens e forragens é outra acção defendida pelo presidente da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA).
É esta responsabilidade da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola, enquanto cooperativa, mas é necessário um maior investimento público de interesse para este sector, que deve ser garantido pelo Executivo. Os associados depositam confiança e expectativa no sector pecuário, para impulsionar o desenvolvimento económico e social. É fundamental uma atenção muito especial do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, aos apoios que devem ser prestados ao sector, para que os resultados de cada empresa, sector e criador de gado sejam efectivos e contribuam para o desenvolvimento e crescimento da economia angolana e não sirvam, apenas, como simples números estatísticos.

Matadouro

A construção de um matadouro moderno e as respectivas estruturas complementares, capazes de garantir o escoamento e valorização do gado produzido na região sul, foi defendida pelo presidente da CCGSA, Luís Nunes, tal como a criação de uma estrutura de assistência técnica nos vários domínios da produção, abate e comercialização de carne.
A materialização de um programa de fomento e a requalificação do gado do sul de Angola, cujo protocolo já foi assinado com o Governo Provincial da Huíla, constam do projecto.

  Cooperativa de criadores

O contributo
da Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), para o processo de diversificação da economia para desenvolver o país, como garantiu Luís Nunes é efectivo.
“Estamos de acordo e disponíveis, sempre, a dar o nosso contributo neste processo, mas é necessário que se faça uma distribuição mais equitativa das disponibilidades de orçamento para esse fim”, defendeu.
Os criadores pedem mais atenção e que se compreenda que o sector primário da economia deve ser prioritário em todo o processo de desenvolvimento, porque ele garante mais postos de trabalho e mais riqueza.
O sector, disse Luís Nunes, é ainda o garante de mais produção interna, para se diminuir os valores em divisas, que o país precisa de disponibilizar para importar diversos produtos possíveis de serem produzidos no país.
A Cooperativa dos Criadores de Gado do Sul de Angola tem capacidade para produzir parte significativa das necessidades do país, desde que lhe sejam garantidos alguns apoios necessários para atingir o objectivo.
Os novos tempos vão trazer uma realidade diferente que no futuro vai exigir mais trabalho, mais sacrifícios, controlo da actividade e uma nova filosofia de gestão.
Mais de 490 cabeças de gado, entre as quais 390 bovinos de diferentes espécies, estiveram expostas na 14ª edição da Feira Agropecuária, recentemente, no âmbito das Festas da Nossa Senhora do Monte.

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