Reportagem

Aumenta a produção de utensílios de plástico

Natacha Roberto |

A oferta de utensílios de plástico no mercado nacional é cada dia maior. O quadro actual, em termos de quantidade e qualidade, levou comerciantes a reflectir sobre a necessidade de se importar esse material de uso diário, ou a reavaliar a política de compras ao exterior.

Fábrica na Zona Económica Especial em Viana produz uma grande variedade de utensílios de plástico de uso doméstico e também produtos para construção civil
Fotografia: Paulo Mulaza|Edições Novembro

Tudo isto por causa do surgimento da Induplastic. Localizada na Zona Económica Especial (ZEE), a Induplastic tem tido um papel bastante activo no mercado dos utensílios de plástico. Hoje por hoje, são poucas as habitações no país que não tenham ao menos um produto desta unidade fabril angolana.
Com um investimento inicial de três milhões de dólares, a fábrica possui uma capacidade de produzir 130 toneladas por mês, com as nove linhas de produção instaladas. São 50 acessórios diversos para o sector da construção, uso doméstico e indústria química.
A Induplastic está a ensaiar a criação de utensílios de apoio ao sector agrícola para atender os pequenos e grandes produtores do campo. Este ano está previsto um aumento de 50 toneladas à produção, para garantir a cobertura das necessidades de consumo a nível nacional.
Para o aumento da produção, a empresa vai investir mais 25 milhões de kwanzas para consolidar a produção no primeiro trimestre deste ano. Os produtos da Induplastic são maioritariamente consumidos em Luanda e apenas um terço da produção chega às prateleiras dos supermercados das províncias de Benguela, Lunda Norte e Sul, Cuando Cubango e Huambo.
O cenário de crise cambial, face à baixa do preço do petróleo, gerou novas oportunidades de contactos de negócios, segundo o director-geral, Alexandre Dias dos Santos, que augura uma subida significativa nas receitas da produção instalada.
Embora o mercado esteja um tanto retraído face ao cenário de crise cambial, as embalagens de plástico são cada vez mais solicitadas. Alexandre Dias dos Santos sustenta a afirmação alegando ser uma das necessidades básicas nas moradias. As linhas de injecção que dão formato às peças de plástico produzem ao minuto. São bacias, baldes de um a cinco litros para uso doméstico e armazenamento de tinta, cestos e autoclismos, polibanho e buchas para o sector da construção.   

Distribuidor online

A empresa está a formatar uma figura do “distribuidor” essencial na celeridade de vendas das embalagens de plástico no mercado. Face à concorrência, a Indusplastic quer criar postos oficiais de revenda do produto no país e canais de venda pela Internet para a compra dos produtos em tempo recorde. 
Esta medida visa garantir mais postos de trabalho a essa fábrica que emprega actualmente 68 trabalhadores. Além das perspectivas de criação de novos empregos, a empresa aposta também na formação de quadros para melhorar a qualidade do trabalho executado pelos operadores de injecção de embalagens em plástico. No ano passado, um grupo de operadores beneficiou de formação e estágio em unidades fabris no estrangeiro.
As parcerias da empresa também se alargam para as universidades e criação de parcerias para a promoção de seminários aos engenheiros industriais. A empresa tem garantido parcerias com as Universidades angolanas e estrangeiras. Estudantes são inseridos no quadro de trabalhadores para aprendizagem do sistema de produção de embalagens de plástico.

Porta aberta

Priscila da Silva considera a oportunidade de estágio concedido pela Induplastic como um primeiro passo para o seu primeiro emprego. A cursar o quinto e último ano de Engenharia Industrial na Universidade de Joanesburgo, a jovem está a concluir o trabalho de fim de curso com o estágio curricular na fábrica, desde Agosto do ano passado.
Após concluir o curso, a estudante pretende integrar o quadro de trabalhadores da fábrica e garante que vai executar com mestria tudo o que tem aprendido. Quando integrou o projecto, em 2011, Elizandra da Cruz também era estudante. Hoje é responsável pelo planeamento e controlo de produção na fábrica.
Elizandra é uma referência no quadro de pessoal. Mãe de uma menina, formada, é uma espécie de símbolo de sucesso de progressão na carreira para as outras mulheres, pois foi das primeiras a exercer um cargo de chefia. Representa o equilíbrio de género na fábrica e assume as responsabilidades com autoridade e competência.
A adaptação ao trabalho exige dedicação e anos de casa, como garante Cassinda Matamba, responsável da área de montagem dos produtos de plástico. Com apenas 29 anos de idade, a jovem lidera uma dezena de homens e mulheres na área de  processamento do produto. />Valdemiro Ricardo trabalha há cinco anos numa das linhas de produção. Hoje na função de chefe de equipa afirma que gerir tem sido uma das suas melhores experiências. Na sua opinião, um dos segredos da coesão e dos bons resultados da fábrica é a forma como homens e mulheres interagem sem preconceito. “Aqui todos somos iguais e as tarefas são repartidas e executadas sem qualquer tipo de discriminação.”
Operador e responsável pela linha de produção de utensílios de uso doméstico, Valdemiro beneficiou de uma formação em Portugal e hoje exerce o duplo papel de formar novos trabalhadores e gerir uma das linhas de produção de plásticos.
A fábrica tem sido porta aberta para novas experiências no aprendizado sobre produção de embalagens de plástico e apoio aos portadores de deficiência. António da Costa é desses exemplos. Encaminhado pelo Ministério da Assistência e Reinserção Social para laborar na fábrica, o jovem de 36 anos exerce a função de operador de montagem de plásticos.
Apesar da deficiência num dos membros inferiores, António da Costa destaca-se na fábrica pela dedicação, profissionalismo e uma contagiante boa-disposição. Pai de quatro filhos, António integrou o projecto há cinco anos e está a construir a sua casa, no município de Viana, com o salário que aufere.

Máquinas inteligentes

No interior da fábrica, várias máquinas operam da mesma forma, embora cada uma delas tenha a função de criar um tipo diferente de utensílios em plástico.  
Durante o processo de criação, elas, rapidamente, moldam as peças em plástico e dão cor ao produto, com apoio e supervisão de um operador de máquina. Todos os aparelhos, embora inteligentes, precisam dos operadores para os acabamentos finais.
O sector de produção de plásticos está dividido em três secções fabris: a unidade de produção de acessórios, a área de embalagem e o armazém. Vários tipos e tamanhos de sacos plásticos são criados nesta fábrica que se propõe apoiar a indústria química, com acessórios para detergentes.

Exportação

Está provado que o produto nacional tem mercado a nível externo. A Indusplastic tem perspectivas de exportar quando consolidar a sua posição no mercado. As exportações têm sido realizadas por outras empresas como a AngoRayan que exportou 20 toneladas para a Zâmbia, em Julho do ano passado. A empresa AngoRayan tenciona enviar mobílias e utensílios de uso doméstico em plástico com o rótulo “Fabricado em Angola” também para a República Democrática do Congo (RDC).

Estímulos públicos

A produção em grande escala e cobrir as necessidades do mercado angolano é um dos grandes propósitos do Executivo. A intenção é apoiar as empresas públicas e privadas deste segmento com vista a reduzir a importação.
Em entrevista, o secretário de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, considera as iniciativas privadas como o grande impulsionador da produção industrial.
Existe uma aposta clara e evidente para a redução significativa das necessidades de importação nos próximos anos. A Imexitrade, vocacionada para a criação de colchões de molas e de produtos plásticos, investiu quatro milhões de dólares para apoiar a cobertura das necessidades deste material no país.
A Fozkudia é também uma das empresas deste segmento, que tem investido um milhão de dólares em produtos plásticos. A mais antiga das fábricas, a Companhia de Plásticos de Angola (Cipal), continua a reerguer-se para melhorar os níveis de produção e a reciclagem de material plástico. Outras empresas como a Glopol Angola, Flotek, Plastek, Plásticos do Kwanza e a Basel contribuem de forma positiva para a expansão e maior produção neste segmento.
A empresa Glopol Angola, fundada em 2008, iniciou a sua produção no segundo semestre de 2010, no fabrico de artigos para a movimentação e transporte de paletes, caixas e contentores para recolha de resíduos sólidos. Localizada no município de Viana, na zona do Porto Seco, fabrica produtos plásticos e tem capacidade para produzir mais de cinco mil paletes por mês.

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