Reportagem

Avança o programa de alfabetização

César André |

Dados do censo de 2014 indicam que o país está a realizar grandes progressos no capítulo da alfabetização e vai continuar a implementar o programa com os parceiros, para que este número possa baixar ainda mais nos próximos anos.

O partido no poder vai elaborar e implementar um programa nacional de formação de professores com parceria estrangeira para diminuir a baixa de docentes em relação aos alunos e aumentar a qualidade do ensino no país
Fotografia: Mavitide Mulaza | Edições Novembro | Uíge

A taxa da alfabetização em Angola baixou para 24 por cento desde a implementação do método de alfabetização intitulado “Sim eu posso” em 2007.
Essa taxa já ultrapassou os oitenta por cento, mas apesar desta evolução ainda é necessário consolidar os métodos utilizados, estimular os agentes envolvidos no programa e expandir o processo junto das comunidades.
O MPLA reafirma, no seu programa de governação para o período 2017-2022, criar um sistema de educação com mais qualidade, eficiência e integração, bem como atingir uma taxa de alfabetização de pelo menos oitenta por cento da população.
Caso vença as eleições de 2017, o partido no poder compromete-se a elaborar e a implementar um programa nacional de formação de professores, devendo para o efeito encontrar parceria internacional mais apropriada e baixar o rácio aluno-professor para trinta e cinco alunos na classe de iniciação e quarenta e cinco no ensino primário e secundário em, pelo menos, oitenta e cinco por cento das escolas no país.
Neste capítulo, o partido dos camaradas compromete-se a reduzir a taxa de reprovação e de desistência no ensino primário e no secundário a dez por cento, ampliar a distribuição da merenda escolar, em particular, e envidar esforços para atender setenta por cento dos alunos da iniciação e do ensino primário no meio rural. O crescimento da rede escolar de ensino primário no país  permitiu a inserção de mais crianças no sistema normal de ensino, cujo aproveitamento ronda acima dos sessenta por cento.
Um outro desafio a que o MPLA se compromete nesse  domínio (educação) está relacionado com a capacitação de inspectores e de supervisores pedagógicos e dotá-los dos meios necessários para incrementar noventa por cento das acções de monitorização e de apoio às escolas e professores.
Construir mais salas de aula, recrutar e colocar professores com  perfil científico, técnico e pedagógico adequado para o ensino primário constam das acções do programa de governação do partido maioritário.
Em relação ao ensino superior, com vista a melhorar a qualidade,  o MPLA compromete-se  a promover a celebração de parcerias entre instituições superiores nacionais e estrangeiras de elevado prestígio, bem como enviar anualmente, no mínimo trezentos licenciados angolanos para as melhores universidades do mundo, com o objectivo de frequência cursos de mestrado e de doutoramento.
No seu programa de governação, esta formação política compromete-se também aumentar o número da população estudantil de duzentos mil para trezentos mil e aumentar o corpo docente em tempo integral e dedicação exclusiva de sete mil para dez mil.
Assegurar a oferta anual de pelo menos seis mil bolsas de estudo internas destinadas à formação graduada no país consta das prioridades do MPLA.
 
Dignificar os professores

Durante apresentação do  programa e manifesto eleitoral, o vice-presidente do MPLA e candidato a Presidente da República, João Lourenço, garantiu que o seu partido vai trabalhar para que os professores sejam cada vez mais dignificados, acarinhados e apoiados para atrair os melhores talentos para esta “nobre profissão.” No seu ponto de vista, é necessário cuidar permanentemente da formação dos docentes, estabelecer parcerias que contribuam para a criação de um corpo docente com qualidade requerida em todos os níveis de ensino.
O MPLA, disse João Lourenço, vai trabalhar para assegurar o acesso a uma educação de qualidade, sobretudo nas escolas públicas, independentemente da condição económica e social dos estudantes. “Sem um verdadeiro acesso à educação dos cidadãos nacionais, não é possível empreender um combate sério e eficaz à fome e à pobreza”, ­sublinhou, referindo ainda que a educação é a chave do desenvolvimento económico do país e a condição fundamental para os cidadãos tirarem proveito das oportunidades disponíveis na sociedade.
João Lourenço defendeu a expansão do ensino para acabar com as crianças fora do sistema e a aceleração do processo de selecção de quadros com elevado potencial.

Investigação científica


 O candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, defendeu, recentemente, no Namibe a valorização dos talentos em todos os níveis de ensino, incluindo as áreas de pesquisa  e de investigação.
João Lourenço afirmou que só com investigação é possível promover a pesquisa e o desenvolvimento necessários para o crescimento das empresas, das indústrias e, consequentemente, da economia.
O candidato do MPLA, que falava durante um acto político de massas, depois de ser apresentado aos militantes,  disse que além da necessidade de se colocar a diplomacia ao serviço da economia nacional, é necessário igualmente apostar na investigação científica de modo a gerar o desenvolvimento do ponto de vista económico.
“A partir destas e outras cidades académicas, temos de acarinhar os talentos, que vão surgindo em todos os níveis de ensino, sobretudo aqueles que, pela sua dedicação ao estudo e seriedade, conseguem resultados acima da média, devendo por isso ser acompanhados e dirigidos para a esfera da investigação”, disse João Lourenço.
O candidato do MPLA pensa que o Namibe se pode transformar numa cidade académica, por ser pacata, com pouca população e propícia para estudantes.  “Vamos trabalhar para isso, atraindo os investimentos dos privados para construírem aqui colégios, liceus, institutos médios, superiores e universidades, para formarmos muitos quadros para o país”, apelou o vice-presidente do MPLA.
Ainda assim, João Lourenço manifestou o seu agrado pelo que viu durante a sua visita à Academia de Pesca e Ciências  do Mar do Namibe, construída para servir Angola, a região da SADC e outras do continente africano.

Novas universidades


No quadro do ensino superior, o Conselho de Ministros aprovou há dias, numa das suas sessões, a criação de várias instituições de ensino superior privadas com destaque para o Instituto Superior Politécnico de Viana e a Escola Superior Técnica de Ciências do Desportos, na Região Académica I, em Luanda.
Nesse encontro, aquele órgão colegial do Executivo aprovou igualmente a criação dos institutos superiores politécnicos, Privado do Zaire, na Região Académica III, Zaire; o Cardeal Dom Alexandre do Nascimento e o Privado da Catepa, na Região Académica IV, Malanje; da Caála, na Região Académica V, Huambo; Privado Walinga, na Região Académica V, no Moxico,  Instituto Superior Politécnico do Cuito, na Região Académica V, Bié, e o Instituto Politécnico  Privado do Uíge, na Região Académica VII, na província do Uíge.
Na mesma sessão, o Conselho de Ministros criou o Instituto Superior Politécnico de Saúde Multi Perfil, na Região Académica I, com sede na província de Luanda, que vai ministrar cursos de licenciatura e pós-graduação, bem como desenvolver investigação científica na área das Ciências da Saúde.

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