Reportagem

Avultados gastos com combustível criam dificuldades

Arão Martins |

Os gastos avultados com o combustível utilizado no projecto agro-industrial Agrikuvango, na localidade da Mema, município do Cuvango, estão a criar enormes constrangimentos a nível financeiro, pois o consumo diário é de cerca de 12 mil litros de gasóleo, para abastecer viaturas e equipamentos agrícolas.

 

 

 

Empresário Rui Kapose e o administrador municipal do Cuvango visitaram as obras de implantação do projecto Agrikuvango
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro

“Debatemo-nos com problemas na aquisição dos combustíveis. Tem havido escassez nos postos de venda na sede municipal do Cuvango, o que nos obriga muitas vezes a recorrer à capital da província [da Huíla]”, lamentou. As sedes municipais da Matala, Quipungo e Lubango nem sempre dispõem dos preciosos derivados do petróleo.
“É muito difícil trabalhar com actuais preços dos combustíveis, por isso, solicitamos o apoio do Governo na subvenção do gasóleo, sobretudo o que é destinado às zonas de cultivo no campo e aguardamos ansiosos a criação do chamado combustível verde para a agricultura”, referiu.
O projecto Agrikuvango tem como objectivo a produção, processamento e comercialização de bens alimentares de consumo primário, como arroz, trigo, milho, ginguba e derivados, como fuba de milho, farinha, rações e biocombustível.
O presidente do grupo empresarial RDK-Rui Tyihongo Kapose, Rui Kapose, lembrou que o empreendimento começou a ser implementado em 2014 com a limpeza dos terrenos. A preparação de terras para o cultivo, abertura de represas e colocação de pivôs para a rega está na etapa final.
A direcção do grupo empresarial RTK-Rui Tyihongo Kapose precisa de financiamento bancário para iniciar a produção na fazenda situada na localidade da Mema (37 quilómetros a Leste da sede municipal do Cuvango), pois até agora só investiu capital próprio.
“Estamos a trabalhar em boa velocidade, mas com muitas dificuldades financeiras. Precisamos que a banca olhe para este projecto, para podermos alcançar as metas e desafios traçados”, disse.
Sem revelar o montante necessário, Rui Kapose afirmou que o projecto pode alcançar a auto-suficiência, desde que receba crédito bancário. “Estamos em fase de negociação dos financiamentos com as instituições afins e estamos confiantes no alcance dos objectivos traçados”, adiantou.
Mais de 30 pivôs vão ser instalados para irrigar as zonas de cultivo de milho. Nesta primeira fase foram colocados 12 pivôs. Para escoar a produção, foi reabilitado o troço de 37 quilómetros da estrada que liga as sedes municipais do Cuvango e Chipindo.
No âmbito social, Rui Kapose pretende construir um posto de saúde e uma escola do ensino primário, para servir a comunidade local.
No projecto existe a componente industrial, o que obriga trabalhar com os geradores de forma permanente. Segundo Rui Kapose, trabalhar com os preços actuais é quase que impossível.

Milhares de toneladas

O lançamento da primeira semente de milho acontece em Fevereiro do próximo ano. Rui Kapose revelou que o projecto Agrikuvango prevê, numa primeira fase, a produção de mais de 30 mil toneladas de cereais diversos, com a utilização das mais modernas técnicas.
A produção de milho vai ser uma realidade ainda este ano, numa área de 1.500 hectares regados por pivôs. O processamento industrial de 7.500 toneladas do cereal deve resultar em 5.250 toneladas de fuba por ano.
O arroz é outro produto previsto, para o qual estão reservados mil hectares alagados artificialmente, com uma produção estimada de 6.000 toneladas por ano.
A fazenda vai empregar 750 trabalhadores e nesta primeira fase foram admitidos 250 jovens.

Escolha do Cuvango


A disponibilidade de terras aráveis e recursos hídricos constituiu o motivo da escolha do município do Cuvango para a implantação do projecto Agrikuvango.
“Escolhemos o município do Cuvango para aproveitar a disponibilidade de terra aráveis e os recursos hídricos existentes”, referiu Rui Kapose, acrescentando que a proximidade dos rios Cuvango e Cutato, com caudais de água permanentes, é um grande benefício.
“Contamos com o apoio do Governo Provincial, através da Administração Municipal. Dentro do que é a nossa responsabilidade social, estamos a apoiar a população e vamos fortificar os laços existentes”, garantiu.
“Uma vez que estamos munidos de alta tecnologia, vamos procurar transferir tal ganho para a população, por forma a rentabilizar melhor as áreas de cultivo”, exemplificou.
Rui Kapose indicou o mercado interno como destino da produção. “O nosso país tem ainda um défice de cereais. Numa primeira fase, o nosso foco é o consumo interno”, disse.

Potencial do município


O administrador municipal do Cuvango, Miguel Luís, reconheceu que os empreendimentos agro-industriais representam um contributo valioso para o desenvolvimento económico e social da região. Miguel Luís revelou que existem vários projectos que representam uma mais-valia para a comunidade, porque dão sustento a muitas famílias carenciadas.
No Cuvango, explicou, além do projecto Agrikuvango existem outros na Mumba e Galangue, que estão a proporcionar melhor qualidade de vida à população. Actualmente, referiu Miguel Luís, oito fazendas estão em actividade, contribuindo para a diversificação da produção alimentar. Outros projectos arrancam nos próximos tempos, criando centenas de postos de trabalho directos.

Produção de milho

Cerca
de 150 mil hectares de terras foram cultivados na campanha agrícola 2017/2018, no município do Cuvango.
Miguel Luís disse que as autoridades estão empenhadas no aumento da produção de bens alimentares na região.
Até 1975, o Caminho-de-Ferro de Benguela transportava o milho produzido no Cuvango. “O comboio levava o milho até ao Namibe, para a indústria de Venâncio Guimarães. As autoridades estão empenhadas em resgatar a operação”, disse.
O Governo Provincial da Huíla continua a prestar atenção aos projectos agrários, com a disponibilidade de apoio à produção familiar e aos pequenos, médios e grandes produtores, garantiu o representante da direcção provincial da Agricultura na Huíla, Celestino Liana.
Celestino Liana destacou também a existência de empreendimentos de maior vulto, por iniciativa de investidores privados.

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