Reportagem

Banco de sementes dinamiza a produção

Arão Martins | Caluquembe

Preparar o futuro da agricultura, projectando bases fortes, através da protecção de sementes é uma realidade hoje na província da Huíla.

Criadores locais têm recebido apoios para melhoria do sector
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro| Lubango

Os resultados são visíveis e favorecem muitos dos criadores locais, agora com a possibilidade de aumentarem o seu stock de milho, massango, massambala e feijão.
Actualmente, uma das regiões favorecidas pela criação do banco de sementes é a de Caluquembe, município da Huíla. As 480 cooperativas e as 1.300 associações de camponeses têm agora a possibilidade de apostar no cultivo e, assim, ajudarem a desenvolver a agricultura.
 O banco de sementes no município de Caluquembe foi criado em 2013, no quadro das estratégias de combate à fome e à pobreza e de diversificação económica. A localidade está situada a 192 quilómetros da cidade do Lubango, a norte da província, e é parte do chamado “Triângulo do Milho” da região, a par dos municípios de Chicomba e da Caconda.
O director municipal da Agricultura de Caluquembe, Eliseu José, disse que o banco de sementes contempla os camponeses das comunas de Calepi, Negola e Sandula. O banco, acrescenta, foi criado para, de forma rotativa, distribuir, como um crédito, sementes, fertilizantes e material agrícola, às famílias camponesas do município.
“Estamos a distribuir renda local e a aumentar a qualidade de vida. Outro propósito do banco é também contribuir para o auto-emprego e fazer com que a população deixe de ter o Executivo como o seu principal empregador e consiga produzir os próprios alimentos.” Com a sua criação, destaca, em Caluquembe, já se produz café em grande escala. Para agilizar o processo, foi até mesmo instalada uma representação do Instituto Nacional de Café (INCA), que faz o acompanhamento da produção, por meio de técnicas apropriadas.
Óscar Benjamin, um dos agricultores do município e que também integra a cooperativa de camponeses 1º de Maio, reconhece que os apoios concedidos estão a motivar o aumento da produção e ajudar a alargar as áreas de cultivo.
António Muhongo, o responsável da associação de camponeses na comuna de Calepi, disse que a maioria dos produtores locais que recebeu sementes, a título empréstimo, já fez a sua devolução. “Com os equipamentos e sementes, aumentámos muito a produção e criámos renda para as famílias”, destacou.
Henrique Hequele, que cultivou mais de 30 hectares de milho na localidade de Ndondelo, está satisfeito com as colheitas de milho na campanha agrícola 2016/2018, por terem superado as do período anterior.
O administrador de Caluquembe, José Arão Nataniel, disse que no momento, por intermédio da Repartição da Agricultura, estão a incentivar as famílias a primarem pela agricultura intensiva. “Actualmente, o milho e o feijão têm valor aceitável. O banco de sementes dá primazia a esses produtos que têm uma renda e procura maior, para que a economia do cidadão camponês também seja maior.”
As colheitas e safras, adiantou, são satisfatórias e a devolução também é positiva. As mulheres participam de forma aceitável na devolução da produção cedida. O município, acrescentou, tem balcões de diversas instituições bancárias nacionais, como o BFA, BIC e o BPC. Estas instituições, explicou, têm sido efectivas na cedência de crédito aos criadores.
 
Infra-estruturas

A requalificação urbana, assente no ordenamento, criação e reposição dos serviços sociais, da habitação e das acções culturais e desportivas, permitiu erguer e também recuperar as principais infra-estruturas da sede municipal de Caluquembe, nos últimos cinco anos.
Caluquembe é um dos 14 municípios da Huíla. A circunscrição, disse o administrador local, tem como prioridade, dentro do programa de combate à fome e à pobreza, a recuperação de infra-estruturas económicas e sociais. Por isso, acrescenta, no período compreendido entre 2012 ea 2016, no quadro da implementação dos programas para o bem-estar da população, foi construída na cidade uma estação de tratamento de água. A construção do novo sistema de abastecimento de água à sede municipal de Caluquembe, a partir do rio Qué, é um ganho que vai permitir aumentar a quantidade de água potável para a população e, desta forma, reduzir significativamente o número de doenças causadas pelo consumo de água não tratada.
O projecto inclui ainda a construção de pontos de água nas localidades de Mumue, Cussesse, Gando, Vila Branca, Canhala, Chaunje, Cacomba, Mercado Municipal da Alemanha, Lomba, Vatuco, Embala Unhangui, Campuena e bairro 25 de Abril.
O Fundo Soberano Angolano, frisou, está a financiar a construção dos 33 pontos de água, numa acção coordenada com a administração local e a organização não-governamental People in Need.
Ainda no domínio das infra-estruturas, outro destaque é o facto de as principais ruas da sede municipal de Caluquembe terem sido asfaltadas. Outra referência é a construção do hospital materno-infantil no bairro da Alemanha. Além desses projectos, há perspectiva também de se construir um novo edifício para a administração municipal local.

                                                           Novas salas de aula em construção

Para atender as necessidades
da comunidade,  estão a ser construídas salas de aula nas localidades de Gando e Campwena, na comuna da Negola, no Chaunje e Cuilo, comuna de Calepi, e em Vissapa-yela.
Algumas localidades tiveram melhorias significativas, com destaque para os bairros de Cachicacala, São José e 4 de Fevereiro. A administração apostou também na aquisição de geradores para o fornecimento de energia eléctrica às sedes comunais, assim como de três ambulâncias, uma para cada comuna.
Entre os feitos, há a destacar a montagem do sistema de iluminação pública no bairro da Etonga, a construção de uma loja dos registos, do posto de emissão de Bilhete de Identidade, da conservatória do registo civil e serviço de notariado, a criação de uma escola de formação de professores, de um ginásio e a reabilitação do parque infantil. “No quadro do cumprimento das orientações superiores, foi possível concretizar inúmeras acções e tarefas, com empenho e dedicação, em todos os municípios de Caluquembe”, disse João Arão Nataniel.
 O administrador local chamou ainda atenção para a criação, por decreto Executivo conjunto dos ministérios da Educação e da Administração do Território, do Magistério Primário da Missão Católica de Santiago e do Instituto Politécnico Alfredo Berner.
Outro dos ganhos foi a criação da Escola de Técnicos de Saúde de Caluquembe, assim como a terraplanagem e a construção de pontes hidráulicas da estrada, que liga a sede municipal à comuna do Calepi, e de uma ponte sobre o rio Cussuca.
“Os méritos atribuídos a este período são a consequência directa de todo o trabalho realizado. Foi um esforço de equipa que permitiu melhorar as condições de vida da população local”, disse, acrescentando que muitos êxitos foram alcançados durante este período.
José Arão Nataniel disse que foram cinco anos de trabalho, em que a participação de cada um foi importante para garantir a continuação e aprofundamento de realizações, com o intuito de consolidar a paz e criar melhores condições de vida para a população.

Habitação

A participação da população para a obtenção da casa própria é efectiva, com a implementação do programa de auto-construção dirigida na região. O administrador esclareceu que o Programa Nacional do Urbanismo e Habitação define que 68,5 % do seu financiamento estão destinados ao subprograma de auto-construção dirigida, concebido como componente chave do referido projecto, aprovado em 2009.
“Actualmente, a habitação em Caluquembe deixou de ser preocupação. Temos habitações de alta, media e baixa renda”, disse, adiantando que na centralidade da Cachikakala, projectada para ter 8 mil fogos habitacionais, foi privilegiada a construção de moradias auto-dirigidas.

Tempo

Multimédia