Benguela comemora 400 anos

Sampaio Júnior |
17 de Maio, 2017

Fotografia: Fernndo Oliveira | Edições Novembro

A cidade de Benguela assinala hoje, 17 de Maio, 400 anos de existência. Reza a História que neste dia, em 1617, Manuel Cerveira Pereira, então Governador de Angola entre 1615 e 1617, fundou a Baía de Santo António, passando a data a ser considerada como o dia da fundação da cidade de São Filipe de Benguela.

Cerveira Pereira partiu de Luanda a 11 de Abril de 1617, à frente de uma força de 130 homens e rumou para sul, ao longo da costa, até à Baía das Vacas, que alcançou em 17 de Maio. Neste local, fundou o Forte de São Filipe de Benguela, núcleo da povoação com o mesmo nome que havia de ser a capital do novo domínio português no sul de Angola, a Capitania de Benguela, administrada autonomamente entre 1617 e 1869.
Entre 1641 e 1648 a povoação foi ocupada por forças da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.
Quatrocentos anos depois, a cidade das acácias rubras cresceu e desenvolveu-se em todos os domínios com o propósito de satisfazer os anseios dos seus munícipes proporcionando uma melhor qualidade de vida. No Plano Estratégico de Desenvolvimento da Província de Benguelaestá prevista a execução de tarefas para responder às preocupações relacionadas com o crescimento económico, combate ao desemprego, reorganização das principais áreas da periferia da cidade  para que milhares de habitantes tenham  mais água, electricidade, vias com condições de mobilidade, melhoria do saneamento básico e levar os serviços de saúde mais próximos do cidadão.

Trocas comerciais

Desde a sua fundação, a cidade de Benguela tornou-se numa espécie de centro comercial para trocas de produtos, como o peixe seco e sal por cereais, cera, borracha, marfim, rício, mandioca, gado e sisal e a banana,a sua marca registada nos anais da História.
Actualmente existem empresários empenhados na produção da banana para abastecer  o mercado local e o excedente para exportar para os países vizinhos através do Caminho-de-Ferro de Benguela.
“Já existe um índice de produção de frutas e hortícolas e a crise está a servir como um teste à capacidade empreendedora dos agricultores nesta região, onde os produtores são obrigados a melhorar a qualidade dos produtos pensando na venda no mercado local e na exportação ”, disse o Governador da Província de Benguela, Isaac dos Anjos
Com base no diagnóstico de necessidades, as autoridades em Benguela  pretendem criar um perfil funcional para o jovem agricultor que consiste na definição das competências para  desempenhar na produção agrícola, rompendo as várias barreiras provocadas pelo actual contexto imposto pela crise económica.

Cubal da Hanha

Com o objectivo de desenvolver a produção agrícola e, face ao enorme potencial de Benguela, o Governo Provincial reconstruiu o dique sobre o rio Cubal da Hanha, que foi destruído durante a guerra, assim como o túnel de transferência de água para o rio Halo-Cavaco.
Isaac dos Anjos avançou que reerguer este dique foi uma visão estratégica que está a permitir a revitalização da cintura verde, onde os resultados são notáveis no perímetro agrícola. “Muitos anos depois da destruição do dique sobre o rio Cubal da Hanha, os agricultores ficam dependentes das águas das chuvas para trabalharem a terra. isso ficou para a História, podemos ter água quando quisermos no leito do rio, basta abrir as comportas no Cubal e a água chega aqui à cidade de Benguela e ganhamos todos”, disse.
Devido à falta de água no Cavaco, os proprietários de terras estavam a vender as parcelas destinadas à agricultura para a construção de moradias, pondo em risco o perímetro agrícola que podia desaparecer a qualquer momento.“Fomos a tempo de salvar o pulmão verde da cidade de Benguela”, frisou Isaac dos Anjos.
O Governo reabilitou também a estrada que liga o vale do Cavaco à cidade de Benguela, tendo sido asfaltada, beneficiando a circulação de pessoas e mercadorias, sobretudo, produtos agrícolas aí cultivados.


Produção de banana

Para o empresário Manuel Monteiro, a região de Benguela tem condições climáticas ideais para ser considerada a melhor localidade em Angola para a produção da banana. “Aqui plantamos todo o tipo de produtos, com alguma excepção à regra, durante as duas estações do ano”, garantiu Manuel Monteiro, para quem a qualidade da banana produzida em Benguela não tem qualquer comparação com a de outras regiões do país, na medida em que a banana ali produzida tem melhor qualidade. “Temos adquirido mudas no exterior e trabalhadas em laboratório que dão um valor acrescentado ao produto final. Fizemos uma aposta inicial em meios tecnológicos para avançar com eficácia na produção que passa pela irrigação por aspersão e gota-a-gota”, explicou.
A outra mudança para melhor competir no mercado foi um investimento sério em novos meios de transporte do produto, que veio dar  mais valor comercial à banana, fazendo com que chegue ao consumidor tal como foi retirada do campo.
Entretanto o director provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Fernando Assis, reiterou que continua a ser feita a prospecção de novas áreas para o relançamento da produção de banana, com os empresários a serem encorajados a actuar nos vales do Cavaco, Catumbela e Dombe Grande.
Os empresários  apresentaram um plano de investimento consistente e ambicioso onde vem  plasmado o compromisso para o combate à fome e à pobreza para que o interessado em investir não se sinta desmotivado.
O sector tem crescido a um ritmo considerável, numa altura em que novas áreas estão a surgir, como o projecto hortofrutícola do grupo DT Agro, na Catumbela, com um perímetro infra-estruturado de 80 hectares. Em Benguela, està a ser promovido um desenvolvimento sustentável assegurado pela utilização eficaz dos recursos naturais. A nova geração é mais ambiciosa e competitiva, são eles que assumem a liderança na produção de frutas e hortícolas, com o manuseamento de potentes máquinas para desbravar e plantar a terra, na utilização de meios modernos de rega, deixando de esperar pelas chuvas. A banana de origem benguelense é de grande importância, dentro da perspectiva de exportação.

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