Reportagem

Bié à espera de investidores

Sérgio V. Dias | Cuito

 A província do Bié precisa de grandes investimentos no turismo de forma a potenciar o sector, criar postos de trabalho, aumentar o rendimento dos empresários e a arrecadação de receitas pelo Estado, refere um relatório da Direcção do Comércio, Hotelaria e Turismo local.

Vários locais de interesse turístico na província entre eles as quedas do Cuemba e as águas termais do Essonda bem como as grutas paleolíticas do Dombe estimulam o investimento
Fotografia: Sérgio V. Dias|Bié

O documento, que destaca o papel do turismo no desenvolvimento económico e social, refere ainda que o sector estimula a comercialização de produtos locais, propicia melhorias em equipamentos urbanos e infra-estruturas de apoio, como estradas, segurança, saneamento e protecção do meio ambiente, entre outros.
O relatório cita vários locais de interesse turístico da província, como o Centro da Chicava e o Jardim da Pouca Vergonha, no Cuito, as águas termais do Essonda e as grutas paleolíticas do Dombe, no Andulo, o Centro Geodésico de Angola, em Camacupa, a nascente do rio Kwanza, na localidade do Mumbué, no município do Chitembo, assim como as quedas do rio Luando, no Cuemba.
Dados do mesmo relatório apontam que, até 2014, estavam licenciadas na província do Bié 19 unidades hoteleiras e nove similares, dentre as quais 12 pensões, sete hospedarias, seis restaurantes e uma pastelaria/geladaria.
Os números indicam ainda a existência de um snack-bar e um bar (pub), totalizando, assim, 28 unidades hoteleiras e similares licenciadas.
Em 2014, foram criados no sector hoteleiro 219 postos de trabalho, que empregaram 77 mulheres e 142 homens. Em Janeiro, o sector dispunha de 170 quartos, dos quais 159 para casais, 11 duplos e 181 camas para solteiros. No inventário feito com dados de 2013, a província apresentava 31 áreas turísticas em sete dos nove municípios.
 
Apresentação do POT

No âmbito das festividades do Dia Mundial do Turismo, a assinalar-se hoje, 27 de Setembro, está previsto um encontro onde vai ser apresentado o plano operativo do turismo (POT) da província do Bié.
No acto, a ser orientado pela directora do Comércio, Hotelaria e Turismo, Ludmila Ferreira, vão ser focadas questões ligadas ao actual estado do sector no Bié, assim como apresentado o tema “Qualidade na prestação dos serviços hoteleiros e turísticos”.
O encontro vai contar com a presença de governantes, agentes do sector, responsáveis dos vários organismos da província e membros da sociedade civil, entre outros.
Nessa perspectiva, em Agosto último, a Associação de Hotéis, Restaurantes, Similares e Cartering de Angola (Ahoresia) lançou no Cuito, capital da província, o plano operativo de desenvolvimento do turismo para diversificação da economia.
O referido plano, designado POT, traduz-se num programa viável, concebido pelo Executivo, e vem alavancar, entre outras valências, a captação de receitas, o desenvolvimento do turismo interno e a formação de hoteleiros e gastrónomos.
Este programa do Executivo central tem ainda como propósito manter o equilíbrio dos preços com o aumento da oferta da rede hoteleira e turística nos municípios.
Na ocasião, o presidente de direcção da Ahoresia, João Gonçalves, disse ao Jornal de Angola que os associados hoteleiros e operadores singulares do ramo passaram a frequentar acções de formação sobre ciências alimentares.
Na interacção com os associados da rede hoteleira do Bié, o responsável enfatizou a importância da formação de agentes hoteleiros e turísticos e procedeu à oferta de livros sobre gastronomia angolana e internacional. João Gonçalves realçou também a importância do sector para a diversificação da economia nacional.
O Jornal de Angola apurou que estão agora catalogadas no Bié 56 unidades hoteleiras, 30 restaurantes e 34 áreas turísticas. Muito afectada durante a guerra civil que assolou o país por quase três décadas, a província está numa fase de recuperação e muitos dos serviços básicos, como energia e água, já funcionam com normalidade.
A província do Bié tem 70.314 quilómetros quadrados e uma população estimada em mais de um milhão e meio de habitantes, que se dedica, sobretudo, à agricultura.
 
Clima da região

O clima da região é quente e húmido, com temperaturas que vão dos dois aos dez graus centígrados na estação seca e fria, entre Outubro e Abril, e dos 18 aos 25 na época seca e fria, de Maio a Setembro.
Com um formato parecido ao de um coração e localizado bem no centro do país, o Bié tem um tamanho comparável ao de Portugal e faz fronteira com as províncias do Cuanza Sul, Malanje e Lunda Sul, a Norte. A Este é limitado pelo Moxico, a Sul pelo Cuando Cubango e a Oeste pela Huíla e Huambo.
Além da capital, Cuito, o Bié conta com os municípios do Andulo, Camacupa, Catabola, Chinguar, Chitembo, Cuemba, Cunhinga e Nharea.

Várias etnias

No território bieno, regista-se a confluência de várias etnias, dentre as quais se destaca o subgrupo ovimbundu. Observa-se ainda a presença de grupos tchokwe, que, na sua migração a partir do Nordeste de Angola, chegaram até esse ponto, bem como de pequenos povos enquadrados na categoria etnográfica ganguela, conhecidos como lwimbi.

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