Reportagem

Cacula está aberta à iniciativa privada

Domingos Mucuta | Cacula

O município de Cacula, na província da Huíla, oferece grandes oportunidades de negócios e está aberto a investimentos privados, disse ao Jornal de Angola a administradora Cármen Duarte.

Cármen Duarte garantiu que o município apresenta grandes margens para o progresso com o investimento em novas infra-estruturas socias
Fotografia: Alfredo Chivia

A localidade, que ascendeu à categoria de município em 2011, apresenta grandes margens de progressão para investimentos, sobretudo, nos sectores da indústria, agricultura, comércio, turismo e prestação serviços, como afirmou a responsável.
Cármen Duarte acrescentou que, enquanto o número de habitantes do município cresce devido aos investimentos em infra-estruturas sociais feitos pelo governo provincial, faltam iniciativas privadas, pelo que a concorrência é praticamente nula.
Com o aumento da população, o município oferece condições para o retorno rápido dos investimentos, referiu a administradora, preocupada com a criação de postos de trabalho, que tragam mais rendimentos e serviços para os moradores e gerem impostos ao Estado.
“O governo provincial continua a investir em projectos estruturantes nos domínios das águas, saúde, educação e habitação”, disse Cármen Duarte, mas “o município não pode evoluir somente com estes esforços e dos residentes”. Daí, o apelo aos empresários privados. “Estamos abertos, para acolher todos quantos estejam prontos para contribuir no processo de desenvolvimento da nossa região”, garantiu. A administradora municipal disse que, à medida que o município cresce, o número de habitantes também aumenta, o que justifica mais investimentos para aumentar a oferta de bens e serviços de qualidade, no sentido de satisfazer as necessidades da população.
“Os interessados devem visitar o município e realizar estudos para avaliar a viabilidade dos projectos de investimentos. Assim, podem reunir as melhores informações e tomar decisões acertadas sobre o segmento de mercado que pretendem explorar”, exortou.
A responsável destacou vários investimentos sociais feitos pelo governo provincial, com vista a reforçar a autonomia de Cacula, como o edifício da administração municipal e as residências dos administradores, assim como a construção do bairro da Juventude, com 60 casas, e do projecto de 200 fogos por município.

Água potável

Um novo sistema de abastecimento de água começou a ser construído em Setembro último, inserido no projecto Horizonte 2036, e deve começar a funcionar no próximo ano para atender a população da sede do município. Os moradores vão deixar de percorrer longas distâncias até aos furos existentes. O sistema de captação e abastecimento de água, avaliado em 14, 3 milhões de dólares, vai, numa primeira fase, beneficiar mais de 10 mil pessoas residentes da sede da localidade.
O governador da Huíla, João Marcelino Tyipinge, e o secretário de Estado para a Energia, Joaquim Ventura, colocaram as primeiras pedras para a construção do sistema, numa cerimónia assistida pela população local.
A partir do rio Ecamba, 95 metros cúbicos de água vão ser bombeados por hora para uma estação de tratamento com reservatórios em betão de 400 metros cúbicos. O projecto inclui condutas adutoras e um depósito para 25 metros cúbicos.
Condutas de 355 milímetros e reservatórios vão formar uma rede de distribuição de 37 quilómetros de extensão, 439 ligações domiciliárias e 578 ligações a torneiras de quintal, além de oito chafarizes de duas e quatros bicas.
Para a administradora, este projecto de impacto social vai trazer grandes benefícios para a população de Cacula, que regista progressos a cada ano, após a sua ascensão à categoria de município.
As autoridades administrativas referem que o projecto vai criar postos de trabalho durante a execução das obras e aumentar a qualidade de vida dos munícipes de Cacula, com a redução de doenças.
O governador provincial da Huíla, Marcelino Tyipinge, afirmou que o projecto é um primeiro passo para acalentar a esperança da população de Cacula.

Combate à pobreza

Vários empreendimentos sociais foram construídos, desde 2011, com fundos do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza a cargo da administração municipal. Escolas primárias, centros de saúde, armazéns agrícolas, cozinha comunitária, residências para técnicos e casa de função da administração foram construídos nas quatro comunas.
A administradora sublinhou o reforço do sector da Saúde, que registou uma evolução em todas as comunas, com unidades sanitárias e técnicos ­capacitados para oferecerem cuidados primários, internamento e ambulância para o transporte de pacientes graves. A administração trabalha para enviar, nos próximos tempos, médicos para as comunas.
Cármen Duarte garante que a população das comunas está satisfeita, porque, além dos centros de saúde e escolas, ganhou também um sistema de captação e abastecimento de água potável com energia solar, que permite bombear 25 mil litros por dia.

Plano urbanístico

Um plano de desenvolvimento urbanístico dos municípios foi apresentado às autoridades locais por uma equipa de Ministério do Urbanismo e Habitação, durante a visita da ministra do sector à província.
O plano apresenta Cacula com todas as nuances de construção de infra-estruturas fundamentais, como escolas, unidades hospitalares, ruas e habitações a serem erguidas tanto por meio de projectos do governo provincial como por iniciativa dos cidadãos.
O documento define as matrizes arquitectónicas que devem nortear a construção de todas as infra-estruturas fundamentais nas reservas fundiárias do Estado, identificadas para receberem edifícios ou casas, escolas, estabelecimentos comerciais, desportivos e jardins. A administradora de Cacula disse que o plano resulta de contribuições de membros de Conselho de Auscultação e Concertação Social (CACS) do município e serve de linha orientadora.
A execução depende da disponibilidade das verbas destinadas aos projectos públicos. Cidadãos e empresas podem participar com iniciativas próprias, bastando para o efeitos seguir as directrizes definidas.
“O plano é um dos instrumentos que o município precisa, porque desenha as linhas de desenvolvimento local e serve de documento de apoio à governação. Estamos satisfeitos, porque o documento está concluído, melhorado por técnicos especializados e oficializado”, declarou.
O município conta com mais de 120 mil habitantes, distribuídos pelas comunas de Cacula, Vihamba, Viti-Vivali e Chiquaqueia.

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