Reportagem

Cacula faz jus ao próprio nome

Estanislau Costa | Cacula

Situado no entroncamento que liga os municípios de Quilengues e Caluquembe, Cacula regista todos os dias grande movimento de viaturas cheias de passageiros e de mercadorias. Novas infra-estruturas sociais estão a mudar a imagem do município e a vida dos seus habitantes.

Governador provincial da Huíla João Marcelino Tyipinge inaugurou fontenários no município de Cacula e pediu aos munícipes a fiscalização e cuidado do bem público na região
Fotografia: Estanislau Costa | Huíla

Município mais novo da província da Huíla, elevado a esta categoria a 16 de Agosto de 2011, Cacula inclui as comunas sede, Chicuaqueia, Viti-Vivali e Chituto e possui mais de 128 mil habitantes, de acordo com os dados provisórios do Censo Geral da população e Habitação. As principais actividades são a agricultura e a pecuária.
Cacula, palavra em língua nhyaneka-nkhumbi, significa “crescido” ou ainda “que queima”.  Reza a história que dois irmãos de Quipungo se desentenderam e, por esse motivo, o  mais novo deslocou-se para a zona onde se situa a sede de Cacula. Anos depois, a pedido do irmão mais velho, o jovem regressou para se conciliarem, mas, mesmo feitas as pazes, recusou-se a viver com a família. “Necula” (cresci), vai ter dito aos parentes, e voltou para aquela região, onde continuou a dedicar-se à caça e à agricultura.
Uma das principais referências de Cacula é a lagoa da Mawengue, um verdadeiro encanto para os turistas a precisar de ser explorado nessa vertente. A agricultura e a pecuária encontram suporte nos vários rios, embora de curso intermitente, como o Chiva, o Caiumbona e o Cuvelai.
Carmen Maria Duarte, a nova administradora do município da Cacula, prima por uma gestão participativa. O Programa de Investimentos Públicos (PIP) para o corrente ano prevê alocar 142 milhões de kwanzas para suportar os custos dos vários projectos de impacto sócio-económico.
Os projectos incidem na melhoria do abastecimento de energia eléctrica, com a aquisição de grupos geradores, construção de casas, postos de saúde, fomento da  agricultura e pecuária e abastecimento de água potável, no quadro do Programa “Água para Todos”.

Atenção especial

A construção de mais cem casas na sede do município reforça a capacidade de acomodação dos quadros. O governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, garantiu que Cacula, por ser um município novo, continua a merecer uma atenção especial.
Para o governante, Cacula começa a dar passos reais rumo ao desenvolvimento. “Antes,  o município sobrevivia de pequenas verbas alocadas pelo Governo, que permitiram a edificação das actuais infra-estruturas”.  João Marcelino Tyipinge anunciou que, com a linha de crédito da China, vão ser executados programas destinados ao progresso do município e ao bem-estar da  população. “Cacula começa a afirmar-se e a população está a mudar de vida com a  construção e reabilitação de várias obras sociais”, disse.
O município conta com novas escolas, centros de saúde, armazéns agrícolas, cozinhas comunitárias, residência para os técnicos, casa de função do administrador e um sistema de captação e abastecimento de água, referiu.
O governador, que reconheceu o momento menos bom  para a economia nacional, alertou para se continuar a desenvolver acções destinadas a melhorar as condições de vida das populações e a transformar Cacula numa boa terra para se viver.

Mais saúde e água

As comunas de Chituto e Chicuaqueia possuem agora centros de saúde com capacidade  para internar 12 pacientes cada e condições para prestar cuidados primários, com realce  para as áreas de pediatria e maternidade.
As unidades sanitárias, que desenvolvem programas de vacinação e consultas de planeamento familiar, realizam ainda campanhas de sensibilização sobre a prevenção de doenças.
A malária, diarreias agudas, febre tifóide, doenças respiratórias, conjuntivite e reumatismo dominam o quadro clínico naquelas unidades, além dos ferimentos  causados por acidentes de viação.
Entre os equipamentos entregues pelo governador provincial da Huíla, consta um  sistema de captação e abastecimento de água. Uma bomba eléctrica transporta o líquido captado através de um furo artesiano para um reservatório, que fornece 25 mil litros de água por dia às lavandarias e ao chafariz.
O soba local destacou a importância da construção do centro de saúde, do chafariz e do armazém de produtos do campo, serviços antes inexistentes, que agora vão servir as comunidades.

Mercado municipal


As vendedoras da sede de Cacula vão dispor de um mercado municipal com 48 bancadas, um armazém, área administrativa, balneários e parque de estacionamento.
As autoridades pretendem organizar os vendedores ambulantes locais, criar condições de segurança para estes, para os clientes e mercadorias, e evitar o surgimento de novos mercados informais.
A vendedora Catarina elogiou a iniciativa das autoridades do município ao criarem um mercado condigno, em que estão salvaguardados aspectos importantes, como o saneamento básico e a conservação dos produtos.
Tanto os bens como os vendedores deixam de estar expostos ao sol. O novo mercado está implantado no local certo e muito seguro para os vendedores e clientes, referiu.
“Deixa de haver o perigo a que estavam sujeitos os vendedores ambulantes e os  produtos, que eram comercializados em locais impróprios e sem segurança”, afirmou.  “Encorajamos o Governo a dar o máximo para que as obras terminem o quanto antes”,  acrescentou.

Novas escolas

Uma escola foi inaugurada pelo governador provincial João Marcelino Tyipinge na comuna da Chicuaqueia. Com seis salas e uma área administrativa, o estabelecimento tem capacidade para receber 540 alunos nos dois turnos.
Orçada em 27 milhões de Kwanzas, a escola foi erguida com fundos do Programa Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Combate à Pobreza.
Os alunos deixam de frequentar as aulas em locais improvisados, à mercê da chuva e do vento, e passam a usufruir de salas com condições apropriadas.
Outra escola começou a ser construída no sector de Vihamba com financiamento da União Europeia no valor de 103 milhões de kwanzas. O estabelecimento vai possuir quatro salas, área administrativa, cantina e espaço de lazer e recreação. Encarregou-se do lançamento da primeira pedra o vice-governador para o sector Técnico e Infra-estruturas, Nuno Mahapi Dala.

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