Reportagem

Calandula relança turismo e agricultura

O município de Calandula,  na província de Malanje, que comemorou no passado dia 2 do corrente mês o  89º aniversário da sua fundação,  tenta  materializar o desafio de fazer dos sectores do Turismo e da Agricultura os maiores geradores de emprego e receitas da região. A Antiga Vila de Duque, habitada por 87 mil pessoas, é conhecida, essencialmente, pelos pólos turísticos forjados pela própria natureza.

Fotografia: Eduardo Cunha | Edições Novembro

A aposta do município na agricultura e nos encantos turísticos, segundo o administrador local, Pedro Dembue, passa pela promoção e  divulgação das potencialidades destes dois sectores, com vista a captação de investimentos internos e externos.
“Calandula é privilegiado por ostentar as famosas quedas de água, uma das sete maravilhas de Angola, com mais de 100 metros de altitude, e também por ser uma região de veneração histórica e cultural. Esta região foi ponto de passagem da Rainha Njinga Mbande, soberana do reino Ndongo, e está na base da originalidade da Marimba, um dos importantes instrumentos da dança tradicional enraizada nos anais da vida sociocultural e etnolinguístico de Angola, em particular da região norte, onde é mais utilizada”, salientou Pedro Dembue, durante uma conversa com  a reportagem do Jornal de Angola que visitou o município.
A circunscrição de Calandula, que tem o capital turís-tico constituído, essencial-
mente, pelas quedas de Ca-landula, Musseleje, Mban-go a Nzenza, Macatalango, é composta por 464 aldeias e quatro comunas.
A língua predominante é o Quimbundo. A Pousada das Quedas de Calandula, cujas obras de restauração obedeceram os padrões antigos da estrutura, construída no tempo colonial, e a Igreja Católica, apresentam-se co-mo símbolos do município.
 “O município registou vários progressos nos últimos 15 anos de paz, particularmente no que toca à criação de condições de vida para as populações. Foram construídas escolas e postos de saúde em todas as comunas, embora o número de professores e técnicos de saúde sejam insuficientes, para fazer face as necessidades da população.
O sector agrícola contro-
la 227 associações de camponeses, que cultivaram na campanha agrícola passa-da 437 hectares de produtos diversos.

Dificuldades acentuadas  
A maioria dos  habitantes do município consome água de poços e cacimbas. “A sede municipal não dispõe sequer de um sistema de distribuição de água.
Portanto, para se evitar várias doenças resultantes do consumo de água imprópria, temos sensibilizado os habitantes do município para meterem lixívia na água antes de consumirem”, disse o administrador.
A falta de água potável, de energia eléctrica, bem como o fraco escoamento da produção  agrícola, em particular o café, produzido em grandes quantidades, são as principais dificuldades que assolam o sector produtivo.
Nesta vertente, sobressai ainda a falta de material de construção, cuja carência atrasou algumas obras de empreendimentos públi-cos e privados, que estavam em curso. 
 “Neste momento não temos condições para a construção de novas infra-estruturas. O que temos estado a fazer é conservar as existentes, pois, por razões conjunturais, várias obras estão paralisadas desde 2014”, afirmou Pedro Dembue, adiantando que o município está bem servido em termos de estradas, com destaque para a via que o liga ao município de Massango.

Educação e Saúde
O Sector da Educação, de acordo a entidade máxima do município, possui 23 escolas, que funcionam com 344 professores, estando a necessitar de mais mil novos do-centes.  Devido ao défice de professores e escolas, mais de dez mil crianças estão fora do sistema de ensino no presente ano lectivo.
Calandula, que se afirma também como região cafeícola, conta com uma rede sanitária composta por um Hospital Municipal, seis postos de saúde e igual número de médicos.
O Hospital Municipal está a ser reabilitado e ampliado. Neste momento funciona apenas com 20 camas, mas no final das obras terá a capacidade aumentada para 53 camas. O empreendimento tem área materno-infantil, banco de sangue e trabalha ainda com o Programa Alargado de Vacinação, entre outros serviços médicos.
O hospital de referência do município debate-se com a falta de bloco operatório, morgue, complexo de cozinha, lavandaria, área de oftalmologia, entre ou-tras especialidades. Quanto aos medicamentos, o ad-ministrador do município disse que “não há razões de queixa”, pois “além do apoio que é dado pela Direcção Provincial da Saúde, localmente são gizados planos de aquisição de fármacos essenciais”.

Registo Civil
O processo de registo civil está em curso em todo o território de Calandula, com a criação de brigadas móveis. Há algum tempo que foi instalado um posto fixo na localidade de Cota, que está a atender muitos habitantes da sede municipal. Numa segunda fase, o processo vai se estender às regedorias e aldeias.
Segundo o soba Kiluanje Quiassamba, o nome de Duque de Bragança, que havia sido atribuído ao município, na altura da sua fundação, era em menção a uma fortaleza que tinha sido construída por um tenente-coronel de infantaria, Joaquim Filipe de Andrade, por este ter dirigido a batalha diante dos sobas, vulgos “ Macotas e os auxiliares.

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