Reportagem

Calueque impulsiona a agricultura

Elautério Silipuleni| Calueque

Dias atrás os pequenos produtores agrícolas da província do Cunene exultaram de alegria ao tomarem conhecimento da chegada ao país para posterior distribuição pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) de centenas de milhares de sementes e também fertilizantes para melhorar a perspectiva de desempenho da campanha agrícola 2016/217.

Fotografia: Ja. Imagens

A notícia foi recebida com grande satisfação pelos produtores agrícolas que aprendem desde muito cedo a conviver com adversidades, principalmente a falta de chuvas e a escassez de sementes. Mas o assunto do momento em Ombadja, aquele que mexe verdadeiramente com as gentes da província, é o facto de estarem muito perto do fim as obras de reabilitação da primeira fase da barragem de Calueque. Por cá, a grande expectativa é o impulso que o empreendimento vai dar ao fomento da agricultura, permitindo a irrigação de milhares de hectares para a produção de cereais, hortícolas e outros produtos essenciais à segurança alimentar das populações. 
As obras da barragem seguem a bom ritmo e pelo exemplo de outros projectos semelhantes - o alteamento da barragem de Capanda e mesmo a construção deLaúca - existem bons motivos para acreditar num virar de página em matéria de segurança alimentar no Cunene já a partir do próximo ano.
A reabilitação da barragem contempla a recuperação das estruturas físicas, colocação de novas comportas e construção de reservatório de equilíbrio, com capacidade de um milhão de metros cúbicos de água.
A obra iniciada em 2012 está orçada em mais de 225 milhões de dólares e deverá estar concluída antes do fim do primeiro trimestre de 2017, de acordo com Neves Maceo, chefe do gabinete para gestão da bacia do rio Cunene. Com ela, cerca de 300 postos de trabalho directos foram criados, beneficiando maioritariamente jovens daquela localidade.
O projecto tem como finalidade promover o conjunto de acções de revitalização das zonas agrícolas de Calueque, a regularização fluvial do Cunene, permitindo a optimização da produção da central hidroeléctrica da barragem de Ruacaná, que vai armazenar água e transferir parte dela para o norte da vizinha Namíbia, onde vai alimentar projectos agrícolas, assim como abastecer a população e o gado.
Localizada nas imediações de Calueque, no leito do rio Cunene, 192 quilómetros a noroeste de Ondjiva, a barragem de Calueque é um açude em betão complementado por um dique em terra, na parte a jusante do Cunene Médio, a cerca de 540 km da barragem do Gove, no Huambo, e 40 quilómetros da barragem hidroeléctrica do Ruacaná que abastece energia eléctrica ao norte da Namíbia e a algumas localidades dos municípios de Ombadja, Namacunde e Cuanhama, na província do Cunene.
O plano de reabilitação da barragem visa devolver à localidade de Calueque a dinâmica na actividade agrícola na província do Cunene, granjeada no período colonial, bem como melhorar o mecanismo de distribuição dos produtos locais no âmbito da diversificação da economia. Quando estiver concluído, o projecto vai contar com duas novas centrais hídricas, um novo canal de irrigação e 21 pivôs. Além de Calueque, a barragem vai permitir igualmente a irrigação do Norte da Namíbia, através da implantação de três condutas elevatórias, no quadro da cooperação económica entre os dois países.Neves Maceo explica que a intervenção na barragem cingiu-se principalmente na sua estrutura física, para garantir maior segurança e sua longevidade, tendo em conta que a mesma havia sido destruída por altura do conflito armado.
O chefe do gabinete de gestão para o rio Cunene salienta que neste momento está-se a concluir as condutas elevatórias da zona sul, que vão servir para o abastecimento de água às populações e o canal de irrigação. Na zona norte ultima-se a construção da albufeira para fins agrícolas e a criação de bebedouros para o gado.
O responsável das obras afirma ainda que está também em fase de conclusão o sistema de bombagem para o abastecimento de água aos campos agrícolas de Calueque, a reparação do equipamento hidromecânico do descarregador das cheias e da descarga de fundo, bem como a instalação dos limpa-grelhas e das comportas de isolamento da estação do elevatório sul.
Em Fevereiro próximo acontece a testagem de todas as máquinas instaladas e depois de comprovada seguir-se-á o arranque definitivo do empreendimento, que vai passar a bombear água para a Zona Especial Económica de Calueque (ZEEC) e a República da Namíbia.
A reabilitação da barragem está a cargo de um consórcio integrado pelas empresas Mota-Engil e Lyon.

Benefícios do projecto

O administrador da comuna de Naulila mostra-se satisfeito com a recuperação da barragem que prevê irrigar, numa primeira fase, um total de dez mil hectares de terra, para a produção agrícola, tendo considerado que se trata de uma obra de grande importância na região no quadro da diversificação da economia.
Colmicil dos Santos refere que apesar dos vários constrangimentos de ordem financeira, o projecto está na sua fase final, e aguarda-se com enorme expectativa a sua entrada em funcionamento no próximo ano.
O administrador comunal acredita que com a exploração das potencialidades económicas da comuna de Naulila e da  povoação de Calueque, associadas à conclusão  da reabilitação da estrada Xangongo/Calueque, e da barragem hídrica, vão acelerar o crescimento económico sustentável da comuna, do município e da província. 
Segundo Colmicil dos Santos , trata-se de uma iniciativa do Governo Provincial do Cunene que visa o lançamento de vários projectos agrícolas na Zona Económica Especial de Calueque, sobretudo os ligados à produção de cana-de-açúcar, cereais, hortícolas, citrinos, entre outros.

Historial da barragem

A barragem hídrica de Calueque foi construída entre 1972 e 1974, e não chegou a ser concluída devido ao conflito armado que o país viveu e que destruiu parte da estrutura.
Neste momento a barragem está a funcionar parcialmente, armazenando um volume insuficiente de água.A barragem do Calueque está construída no leito do rio Cunene e destina-se também à regularização fluvial e à captação de água para consumo e regadio.
O projecto previa a constituição de uma albufeira com capacidade de 475 milhões de m3 e de uma rede de canais e adutoras capazes de regar cerca de 100.000 hectares de terrenos agrícolas.

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