Caminho traçado para eliminar o défice no abastecimento

João Dias |
13 de Abril, 2017

Fotografia: João Gomes |Edições Novembro

Os desafios em direcção à suficiência no que respeita ao fornecimento de energia estão lançados. Dentro de poucos meses, os resultados vão estar à vista. Se no domínio da energia, o Executivo traçou metas para atingir cinco mil megawatts nos próximos anos e permitir que mais 14 milhões de cidadãos no país tenham acesso à energia, no segmento das águas o movimento quer sinalizar o mesmo por via de uma série de empreitadas em curso, cujo escopo é a estabilidade e a regularidade no abastecimento.

Nesse âmbito, são notáveis os passos dados e, a justificar isso, está o número de empreitadas consignadas à Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL). Quando as empreitadas ficarem concluídas num prazo médio de três anos, o país no geral e Luanda em particular  deixam os problemas de défice para trás e milhões de habitantes passam a ter acesso regular à água potável. Para os próximos três anos, a EPAL prevê elevar a capacidade nominal instalada das estações de tratamento de água para cerca de 2,03 milhões de metros cúbicos por dia e aumentar a capacidade de reserva de água dos centros de distribuição para cerca 1,4 milhões de metros cúbicos de água. Deste modo, vai ser possível garantir, nos próximos três anos, que cada habitante tenha acesso a 260 litros de água por dia.
Em Icolo e Bengo, na presença do governador de Luanda, Higino Carneiro, e do administrador Adriano Mendes de Carvalho, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, afirma: “o que se quer para Luanda é que tenha cada vez mais água, menos cisternas, menos pontos de captação nos rios”. E é para isso, prossegue, que o Executivo está a trabalhar e, por isso, dá máxima prioridade às águas, justificando ser por essa razão que todos estes projectos se encontram inscritos na linha de crédito da China. O ministro explica que está feito o “down payment” ou pagamento inicial e criadas as condições para o início imediato das empreitadas a cargo da chinesa Sinoydro e outras.
O movimento, para que sejam alcançadas as metas delineadas em direcção à estabilidade e regularidade no abastecimento de água em Luanda, já começou com a consignação da empreitada de construção do sistema de abastecimento do Quilonga Grande, do Zango. A  obra deve ser feita durante 605 dias pela empreiteira Sinohydro. O objectivo é dar resposta à premente e abrangente necessidade de garantir e melhorar as condições de acesso ao fornecimento de água potável, numa cidade em progressão constante.
Ver eliminados os velhos problemas de abastecimento de água na periferia é outra das prioridades da EPAL-EP, que incluiu o projecto de construção do Centro de Distribuição de Águas do Zango, que agrega a construção de um reservatório apoiado de 20.000 metros cúbicos, de uma torre de 250 metros cúbicos, entre outros equipamentos. O valor do orçamento é de 14.784.363,69 dólares. 
Além deste, está o projecto do Sistema de abastecimento do Quilonga Grande para fornecer água aos arredores do novo aeroporto. À semelhança de outros sistemas, o Quilonga Grande tem a ambição de fornecer e garantir o fornecimento de acordo com as metas traçadas. Por isso, está projectada a construção de um reservatório apoiado de 40.000 metros cúbicos. No total, vão ser investidos 20.627.983,64  dólares. 
O sistema de abastecimento do Quilonga Grande estende as ramificações no corredor Bom Jesus - Icolo e Bengo,  onde estão a ser construídos edifícios e instalações auxiliares, as estações de captação de água, de bombagem de água bruta e a de tratamento de água e  a conduta elevatória de água bruta.
A empreitada vai ser feita pela Sinohydro sob a fiscalização da Gauff, num prazo de 1.080 dias. A construção da estação de captação ocorre na margem do rio Kwanza, localidade de Bom Jesus. Para já, está projectada uma capacidade de 6.6 metros cúbicos por segundo numa primeira fase e 9.9 para a última fase.
Ao sistema, é agregada a construção de uma estação de tratamento, uma sala de bombagem com capacidade para 6 metros cúbicos por segundo, uma de coloração, uma de geradores, um armazém para reagentes e edifícios administrativos, entre outros. Para a construção destes equipamentos, vão ser necessários 347.609.536,00 dólares.
A ser concretizado, o sistema de abastecimento do Quilonga Grande vai assegurar maior disponibilidade de água tratada para a população do norte e nordeste da cidade de Luanda, num total estimado de 3.456.000 habitantes, garantindo o fornecimento regular de água potável ao domicílio.
Neste investimento, subjaz o objectivo de suprir o défice de abastecimento de água na província de Luanda, a redução da especulação da venda de água potável no mercado informal à população desprovida, bem como o redimensionamento da capacidade de armazenamento de água disponível para distribuição à cidade de Luanda. Pretende-se também aumentar a eficiência da operação e de gestão da distribuição de água potável a partir das estações de tratamento de água (ETA) e centros de distribuição (CD).

Centro de distribuição


No rol de projectos para atingir a auto suficiência de água potável e a regularidade   no  seu fornecimento, está a ser projectada a  construção do centro de cistribuição (CD) do novo aeroporto, no distrito de Bela Vista - Icolo e Bengo, cuja empreitada é realizada pela empresa chinesa Sinohydro, fiscalizada pela Solidaeng, num prazo de 660 dias. A obra encontra-se no seu estado inicial. O valor real do projecto é de 20.627.983,64 dólares.
A compor este grande projecto, está a construção de um reservatório apoiado de 40.000 metros cúbicos, uma sala de bombagem, uma de coloração, uma de geradores e edifícios administrativos. Com a conclusão deste projecto, a capital vai dispor de mais água tratada para abastecimento à cidade aeroportuária, à zona económica e arredores. No total, espera-se que 789.943 habitantes beneficiem desta infra-estrutura.
Na zona de Bom Jesus, está a ser construído um outro centro de distribuição de água, denominado CD do Bom Jesus. O empreiteiro é também a Sinohydro e tem como fiscal a Cotefis Angola. O prazo para a conclusão da obra é de 730 dias.
O que se pretende é que o CD de Bom Jesus tenha um reservatório apoiado de 50.000 metros cúbicos, uma torre de 1.500, uma sala de bombagem, uma de coloração, uma de geradores e edifícios administrativos. Esta infra-estrutura deve absorver um investimento de 25.005.535,21 dólares.
Além da disponibilidade de água tratada que este centro de distribuição vai proporcionar, espera-se que sirva de reforço para os restantes, garantindo o fornecimento regular de água potável ao domicílio e assim suprir o défice de abastecimento de água, abrangendo as áreas de Bom Jesus, Zango, Km 30, Capalanca, Viana e Cacuaco.No conjunto de empreitadas, está projectado um estudo para a construção e expansão do Centro de Distribuição (CD) do Pólo Industrial de Viana (PIV). O empreiteiro é a Sinohydro e a fiscal a GB Consultores. O projecto deve durar 730 dias (24 meses).
A compor o CD do PIV está a construção de dois reservatórios apoiados de 10.000 metros cúbicos cada. O investimento projecto é de 14.784.363,69 dólares. Além disso, em Bom Jesus, vai ser construída, num prazo de 1.080 dias, uma estação de tratamento de água e processo (ETAP). A empreiteira é a Sinohydro e a fiscal a Impulso Angola. O valor do investimento projectado é de 9.994.449,00 dólares. Um dos benefícios passa pela reciclagem da água, o que redunda em vantagens  económicas e ambientais.

Construção de girafas


Como suporte a infra-estruturas, está também projectada a construção de girafas no Km 44, Capari, Bom Jesus, Benfica 2, Cabire e Angomenha e o lançamento de condutas para abastecimento ao Bita Vacaria e ao Bita Sapu. Para o efeito, o empreiteiro, Qing Jiang Group Co. Ltda, vai trabalhar num prazo de 12 meses para a concretização do projecto. A fiscal é a Tecproeng.
Todas estas empreitadas concorrem para a realização do que está perspectivado para o quinquénio 2015 - 2020, um período em que a EPAL prevê elevar a capacidade nominal instalada das estações de tratamento de água para cerca de 2,03 milhões de metros cúbicos de água por dia, por um lado, e, por outro, aumentar a capacidade de reserva de água dos centros de distribuição para cerca de 1,46 milhões e, assim, garantir o fornecimento de 260 litros de água por habitante por dia.
A concorrer para a composição de toda a infra-estrutura, está o lançamento das condutas para abastecimento de água ao Bita Tanque e ao Bita Vacaria, que devem ser construídas no âmbito da ampliação do sistema inscrito no Plano de Acção da EPAL para a parte Sul da cidade de Luanda. Além disso, mais pontos colectivos de abastecimento de água são construídos no Capari, Km 44, Bom Jesus e Benfica. Mas, pretende-se que a interligação de condutas permita melhorias razoáveis no abastecimento de água.

Adeus às cisternas

O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, diz que os vários projectos visam a melhoria no fornecimento de água potável e que o Centro de Captação e Tratamento de Água do Bom Jesus pode vir a ser o maior da província de Luanda, com uma capacidade inicial de seis metros cúbicos por segundo, o que corresponde a 500 mil por dia. A capacidade existente não permite abastecer mais do que metade da população. Daí a necessidade de ampliação da adução e tratamento de água. João Baptista Borges recorda que o Plano de Acção da EPAL prevê o aumento da capacidade e de tratamento de água, para reduzir o défice que ainda existe em Luanda, o número de pessoas ou habitantes que ainda consomem água das cisternas e, também, a dimensão do mercado informal de água que é actualmente uma preocupação.
“A província tem actualmente cerca de sete milhões de habitantes, segundo o último censo, e a capacidade existente nos outros sistemas não permite abastecer água potável a mais da metade da população”, disse o ministro, acrescentando que os projectos se devem associar a outras acções como a execução das ligações domiciliares, a construção de pontos de abastecimento colectivo de água em alguns centros de distribuições, de Kapari, Km 44, Bom Jesus e Benfica, bem como a interligação de alguns centros de distribuição e a construção de condutas, que permitem em breve, melhorias no abastecimento de água na província de Luanda. 
O ministro João Baptista Borges refere ainda que, no âmbito da ampliação dos sistemas de água, está prevista a construção na parte sul da província de Luanda, da estação do Bita, outro grande projecto inscrito no Plano de Acção da EPAL. “O que se pretende, é ver Luanda com mais água potável canalizada ao domicílio e menos cisternas. Mas se pretende também reduzir a dimensão do mercado informal das águas que é actualmente uma preocupação”, nota João Baptista Borges. 
A complementar os projectos em execução estão programas como as ligações domiciliares, em curso, com um nível de execução avançado que permite que as pessoas tenham acesso à água canalizada.
“As nossas preocupações não acabam com a conclusão destas obras, aliás, com elas começam outras, que têm a ver com a manutenção destes sistemas, pois é preciso que sejam optimizados e se tire deles a maior eficiência para que não falte água”, refere o ministro para quem é preciso regularidade no seu funcionamento para que a EPAL tenha receitas provenientes das cobranças e assim assegure a sua manutenção e o dia-a-dia do funcionamento das estações.

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