Reportagem

Campanha agrícola está mais rentável com novos meios

Arão Martins | Lubango

Apoiar as famílias camponesas agrupadas em associações, cooperativas e a título individual é a meta do Governo Provincial da Huíla, através da Direcção local da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente.

Governo Provincial da Huíla distribui parcelas de terra para combater a pobreza na região
Fotografia: Arimateia Baptista |Edições Novembro|Lubango

Para tornar mais rentável a campanha agrícola 2017/2018, no quadro do fomento da produção nacional e combate à fome e à pobreza. Os instrumentos de trabalho, como charruas e as respectivas correntes de tracção animal, enxadas, catanas, lima, sementes de cereais de milho, massango, massambala e fertilizantes são imputs, que, no quadro do programa de diversificação económica, estão planificados e nos próximos dias começam a ser distribuídos às famílias camponesas da província.
O director provincial da Agricultura na Huíla, Lutero Campos, disse à reportagem do Jornal de Angola que, com o objectivo de alcançar a meta traçada, a direcção vai dar início nos próximos dias  ao processo de distribuição de seis mil novas charruas de tracção animal, adquiridas pelo Executivo, nos catorze municípios que compõem a província, mediante um critério previamente estabelecido pelas autoridades, numa mensagem bem recebida pelos camponeses.
Com o chicote na mão direita, Ngolomono Hakua, 54 anos, tem a mão esquerda agarrada à charrua, que desbrava na sua naka, situada à margem do rio Caculuvar, na localidade de Nonjiwe, comuna da Arimba, Lubango.
A área está a ser preparada para cultivar, nesta época do Cacimbo, quantidades elevadas de couve, repolho, alface, cebola, alho e batata rena.
Integrante da Associação de Camponeses de Nondjiwe, o tradicional camponês, confessou que a falta de charruas de tracção animal, para aumentar as áreas de cultivo, é a principal preocupação.
Já António Kanguia, 47 anos, que integra a Cooperativa de Camponeses 1º de Maio, na localidade de Toco, município do Lubango afirmou: “com uma área vasta de hectares por explorar, apenas  acessórios de charrua nos tem dificultado a actividade, que mais gostamos de fazer: cultivar.”
Os municípios de Caluquembe, Caconda e Chicomba são famosos pelo potencial agrícola que possuem. Os apoios e as políticas traçadas pelo Executivo e implementados pelo Governo Provincial da Huíla, através da Direcção da Agricultura, em conjunto com as administrações municipais, permitem que as circunscrições contribuam com quantidades elevadas de alimentos para o consumo nacional e não só.
Lutero Campos reconheceu que o sector da Agricultura é das áreas que mais postos de trabalho cria e várias acções já implementadas estão a constituir factor catalisador para a produção de alimentos em grande escala.
“Os ganhos estão a se repercutir no aumento exponencial de famílias que são assistidas em cada período de campanha agrícola na província”, esclareceu.
Outro ganho referido pelo responsável é o facto de o cidadão, para ser o proprietário da sua própria parcela, receber o título de concessão de terra, junto dos membros da comunidade.
A Direcção Provincial da Agricultura, Desenvolvimento Rural, Pescas e Ambiente na Huíla controla 835 associações de camponeses, com um agregado de 429.185 famílias, e 224 cooperativas, com um agregado familiar de 172.513, que participam de forma efectiva no processo agrícola em grande escala.
Por género, o responsável referiu que, no total de associações de camponeses, 47.090 são homens e 39.447 mulheres, enquanto do número de cooperativas, 25.995 são por homens e 17.134 mulheres. 
Na campanha agrícola 2016/­2017, a Direcção Provincial da Agricultura tem o registo de mais de 605 mil hectares terras planificados para o cultivo de cereais. Para melhor controlo e dinamizar o processo de cultivo na região, o Governo Provincial da Huíla,  por intermédio da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), assistiu mais de 250 mil famílias.
Lutero Campos disse que foram assistidas famílias camponesas que vivem nas comunas do Munhino e Hoque, no Lubango, Chicomba, Quilengues, Chibia, Gambos, Quipungo, Cacula, Caluquembe, Humpata, Matala, Jamba, Caconda, Chipindo e Cuvango. Em Dezembro do ano passado, referiu, no quadro da campanha Agrícola 2016/2017, foi planificada e feita a distribuição de fertilizantes. Nos últimos anos, para as camadas mais desfavorecidas, começou a funcionar na Huíla, o crédito agrícola de campanha que, na província, fez a primeira experiência em 2011, com resultados positivos.

Formação de quadros

A formação no sector da Agricultura é outra realidade que a província conquistou, com o funcionamento do Instituto Médio Agrário do Tchivinguiro, que já formou milhares de técnicos, sobretudo jovens.
O Instituto Superior Politécnico da Huíla, que começou a funcionar nos últimos anos, como ganho da paz, está a permitir formar muitos técnicos superiores nas especialidades de Veterinária, Engenharia, Floresta e Zootecnia.
 “Actualmente, o próprio agricultor já se sente não só como proprietário, mas também como participante do processo produtivo e da diversificação da economia, rumo ao combate à fome e à pobreza no meio rural”, disse.
Na Huíla, surgiram ainda as a­gro-indústrias. Actualmente, salientou, a província conta com unidades de silo nos municípios do Cuvango, Matala, Caluquembe e Caconda, que permitem produzir e conservar com segurança os cereais, que podem servir também de stock para acudir o período difícil.
As infra-estruturas de apoio à produção estão disponíveis e, além das barragens e unidades de silo, a província da Huíla também já ganhou unidades de conservação a frio.
Lutero Campos indicou que o município da Humpata e a Chibia já experimentaram o projecto Huíla 3. No município da Chibia, particularizou, estão ainda em curso as obras de implementação de uma unidade de frio com capacidade de armazenar mais de 2.400 toneladas de produtos diversos. A unidade vai entrar em funcionamento nos próximos tempos.
A unidade vai processar a conservação e a congelação dos produtos pecuários. Actualmente , os investidores são direccionados a determinadas áreas, para exploração das diversas potencialidades.
O governo provincial tem estado a distribuir parcelas de terra em várias localidades determinadas pelas autoridades, para se realizar o desenvolvimento de forma sustentável. “Neste trabalho, estamos a mentalizar as populações para convivência pacífica e sã, entre os camponeses, agricultores e investidores”, garantiu.
O processo tem benefícios positivos, porque além da abertura de novos postos de trabalho, se pode fazer um aproveitamento das terras aráveis de forma sustentável. 
Para a campanha agrícola 2016/­2017, as autoridades administrativas programaram cultivar mais de 605 mil hectares, onde já foram, na primeira época, produzidos milho, massango e massambala.
 “Na província da Huíla, também se processa a agricultura de sequeiro e aproveita-se as zonas do norte, constituídas pelos municípios da Cacula, Caluquembe, Chicomba, Caconda, Chipindo, Quipungo e Matala para se fazer produções de cereais, sem descurar noutras regiões”, frisou.
No princípio do ano, as autoridades governamentais deram início à exploração dos perímetros irrigados do município do Cuvango, 315 quilómetros a leste da cidade do Lubango.
Na província, indicou, deu-se um passo qualitativo com o fomento da agricultura e na segunda época, que vai de finais de Janeiro até Março, vai-se fazer a cultura de leguminosas, como feijão, para sequencialmente atingir a terceira época, que vai de finais de Abril a Julho, para o cultivo de hortícolas, principalmente batata-rena, pimento e cenoura, e aproveitar as zonas baixas, entre Julho e Setembro, para se tirar maior proveito  na pré-época que é das nakas, onde os agricultores lançam a semente para terem a massaroca e maiores ganhos.
A existência do plano que visa o aproveitamento da zona leste da província, sobretudo no Cuvango, e produzir muita mandioca. “O Governo Provincial da Huíla está a preparar programas para efectuar o aproveitamento das zonas de meio entre montanhas e vales, para a produção de arroz e trigo”, garantiu.
Existem também muitos recursos aquáticos e com essas bacias tem que se melhorar a base dos recursos aquáticos e biológicos e a capacidade de intervenção. “As autoridades afins estão empenhadas para fazer com que a criação de pescado tenha um rendimento aceitável, do que irmos ao rio sem sucesso”, perspectivou.
O processo de aquicultura a nível do município e comuna está a decorrer com normalidade e, associado à experiência e ao potencial existente, já se conseguiu efectuar um aproveitamento aceitável em cada período apropriado para o processo.
A província da Huíla dispõe de rios, lagoas e outras albufeiras, a nível aceitável.

Identificação de terras aráveis
 
Cerca de 800 mil hectares de terras aráveis foram identificados e inventariados pelo Governo Provincial da Huíla, no quadro do programa de fomento da agricultura e diversificação económica, anunciou o vice-governador local para o sector Económico, Sérgio da Cunha Velho.
As áreas, precisou o vice-governador provincial da Huíla, para o sector Económico local, Sérgio da Cunha Velho, estão disponíveis nos municípios de Caconda, Caluquembe, Cacula, Chicomba, Chipindo, Chibia, Lubango, Quilengues, ­Matala, ­Quipungo, Humpata, Gambos, Cuvango e Jamba.
Sérgio da Cunha Velho informou que as áreas disponíveis podem potenciar a produção de milho, arroz, feijão, massango, massambala, soja e hortícolas como batata rena e doce, inhame e abóbora, entre outros alimentos. Acrescentou que a província da Huíla é composta por uma área total de 75 mil e dois quilómetros quadrados.
As áreas identificadas estão abertas a investimentos. A Huíla, reconheceu, é uma região planáltica, situada na altitude entre 900 a dois mil metros e é composta por 14 municípios. A mobilidade, para quem se desloca à Huíla, é realizada por diferentes meios,  a partir do Aeroporto Internacional da Mukanka, estradas e Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, que liga as províncias da Huíla, Namibe e Cuando Cubango.
A Huíla, com uma população estimada de 2. 497.422 habitantes, o que representa 10 por cento da população do país, está estrategicamente bem localizada e conta com um aeroporto internacional e um centro académico de referência.
O ramo energético e minério, onde estão incorporadas pedras semi-preciosas, exploração de ferro, granitos e mármores, bem como a sua transformação são outras potencialidades da província. O sector da Agricultura é o predominante na região, onde estão disponíveis diversas espécies de tubérculos, raízes, que podem ser plantadas com um poder germinativo e maturação aceitável.  Sérgio da Cunha Velho salientou que a província da Huíla é privilegiada por possuir muitas áreas com mais perímetros hídricos, com destaque para os quatro, que existem na Matala, com uma extensão de cerca de 44 quilómetros, para irrigar uma área de 15 mil hectares.

Rentabilizar hectares
 
Rentabilizar as novas zonas identificadas na Huíla, com a produção de alimentos em grande escala, é o objectivo do Governo Provincial da Huíla, disse o vice-governador provincial da Huíla, para o sector Económico, Sérgio da Cunha Velho.
O Governo Provincial da Huíla ao identificar e inventariar as novas zonas de cultivo, que aguardam por investidores, pretende aumentar a produção de alimentos, no âmbito do programa de combate à fome e à pobreza e diversificar a economia.
Dentre as zonas identificadas, Sérgio da Cunha Velho, apontou as do município do Lubango, com cerca de 130 mil hectares, e as áreas reservadas para pecuária, com cerca de 80 mil hectares.
O município da Caconda, que dista 230 quilómetros a norte da cidade do Lubango e 130 da cidade do Huambo, com solos férteis, água e boas condições climatéricas, é outra zona que apresenta vastas extensões de terras aráveis com características aceitáveis para prática da agricultura, ­sobretudo para o cultivo de milho, feijão e batata rena e doce.  O município da Jamba, que dispõe de recursos hídricos aceitáveis, é outro município mencionado pelo vice-governador, a par de Caluquembe, Chicomba, como os potenciais corredores de áreas férteis na produção de milho, massango, massambala e tubérculos.
“Temos os mapas, cujos inventários já foram feitos nos diferentes municípios. O Governo Provincial da Huíla criou novas áreas para possíveis investidores no sector da Agricultura”, disse.  No Lubango, salientou ainda Sérgio da Cunha Velho, existe uma área para a implantação do Pólo Industrial de 400 hectares e a Jamba com 145.04. O sector industrial é outro potencial mencionado pelo vice-governador como cartão de investimentos na província. “Temos ouro e granito nos municípios de Chipindo e Cuvango. Rochas ornamentais na Chibia, Gambos e Quipungo.
Actualmente, a província da Huíla tem cinco indústrias de água mineral, com maior número no município da Humpata e no Lubango.
O ferro existente no município da Jamba e a instalação de cerâmicas, no Lubango, Matala e Cassinga, são outras potencialidades referidas pelo vice-governador provincial da Huíla.
 
Potencial proveitoso

 Na Huíla, segundo Sérgio da Cunha Velho, há um grande potencial produtivo por explorar nos perímetros irrigados do Waba, município de Caconda, com 88.644 hectares para cultura de milho, trigo e leguminosas, o Projecto Humpata com 1.600 hectares de terra arável para fruteiras de clima temperado, tubérculos como batata rena e algumas hortícolas (alho, cebola, repolho e noutros).
 O Perímetro Irrigado da Matala, com 10.000 hectares de terra arável para cultura de cereais, batata rena, hortícolas diversas e fruteiras das zonas tropicais, e o Perímetro Irrigado da Gangelas na Chibia, com 6.220 hectares de terra arável, para cultivo de fruteiras de clima tropical com impacto na produção agrícola de grande escala (cereais, leguminosas como feijão e ervilha, tubérculos como batata rena e hortofrutícolas) são outras potências que alavancam a produção de alimentos na província da Huíla.

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