Reportagem

Camponeses precisam de tractores para alargar campos de cultivo

Víctor Mayala | Mbanza Kongo

Os homens do campo manifestaram essa preocupação na localidade de Mboyambo, comuna do Nquiende, em Mbanza Kongo, diante do governador provincial, Joanes André.

Joanes André procedeu à entrega de materiais de cultivo
Fotografia: Garcia Mayatoko|Edições Novembro| Mbaza Kongo

Para eles, a vontade de cultivar a terra sempre existiu, mas a escassez de insumes e a falta de tractores tem condicionado o alargamento de campos agrícolas, impedindo deste modo produzir alimentos em grande escala. “A maioria dos campos agrícolas são preparados de forma manual”, disse Enoque Elias Mangola, presidente da Associação “Mangola”, que alberga um total de 17 associados entre homens e mulheres.
Para a presente campanha agrícola, a Associação desbravou seis hectares numa zona contígua à aldeia do Lambo, a escassos quilómetros da cidade de Mbanza Kongo. Enoque Elias Mangola referiu, que foram lançadas à terra sementes de amendoim, batata doce, feijão macunde e de abóbora.
Na época agrícola transacta, a Associação colheu cinco toneladas de produtos diversos, uma cifra que se pretende aumentar caso surjam mais apoios em termos de insumes e de outros meios necessários à produção agrícola. 
“Precisamos de tractores e viaturas para o escoamento de produtos para os grandes centros de consumo”, referiu Enoque Elias Mangola. A cidade de Mbanza Kongo costuma ser o principal mercado para a venda dos produtos cultivados pelos associados.
João Paulo, presidente de uma outra Associação, “Vinda”, preparou quatro hectares, disse que as dificuldades enfrentadas no exercício da actividade são várias, destacou as que têm a ver com o acesso aos créditos bancários.
O agricultor considerou a falta de meios e recursos financeiros como o que constitui  empecilho para que o sector se desenvolva e desempenhe o seu real papel, no quadro da estratégia da diversificação da economia nacional. Com 20 associados, muitos dos quais antigos combatentes e veteranos da pátria, a Associação “Vinda” prevê uma safra satisfatória nesta época agrícola, a julgar pelo empenho e dedicação na lavoura da terra, e lançaram já diversas culturas. “Pretendemos produzir cada vez mais, para o combate à fome e à pobreza no seio das famílias”, referiu.
Os antigos combatentes integrados em distintas associações e cooperativas agrícolas em Mbanza Kongo, agradeceram o apoio que recebem do Governo Provincial do Zaire, que  permitiu a reinserção nas actividades socialmente úteis. Os mesmos, pretendem a cedência de maiores porções de terra, para elevarem a produção e “inundar” o mercado de produtos de campo, naturalmente, cultivados sem recurso aos agroquimícos que são considerados prejudicais à saúde humana.
 
 Diversificação da economia

 Os camponeses do Zaire estão conscientes dos desafios do país. No âmbito da diversificação da economia, consideraram o sector agrícola como a base para se alcançar o desiderato, conforme referiu a mensagem da União Nacional das Associações e Cooperativas de Angola no Zaire (UNACA), lida pela sua presidente.
Alice Kalasi alertou, que o momento não é de muitas palavras, mas de arregaçar as mangas para desbravar a terra e aumentar a produção, para que a agricultura retome o  lugar na economia nacional.
Na mensagem, a UNACA reafirmou o compromisso de continuar a trabalhar a terra e produzir alimentos, para combater a fome e a pobreza. Alice Kalasi notou que para este desafio a nível da província do Zaire, o sector conta com a força de 362 Associações de camponeses e 162 cooperativas.
As referidas Associações e Cooperativas ainda praticam uma agricultura de subsistência, apesar da região possuir terras aráveis e condições climáticas favoráveis. Para inverter o quadro, os agricultores encorajaram o Governo Provincial do Zaire para  continuar a apoiar o sector, em termos de  equipamentos.
“Desejamos ainda, que sejam construídas pequenas unidades fabris, que transformem os produtos do campo, para além de aquisição de tractores, melhoramento das vias de acesso aos campos e meios de transportes, para o escoamento dos produtos”, refere a mensagem da UNACA.
O governador provincial do Zaire procedeu à entrega de insumes aos membros das Associações e Cooperativas, como sementes diversas, catanas, enxadas e semeadores, e apelou à necessidade de produzir cada vez mais, para garantir alimentos indispensáveis para o bem-estar das populações.
“Não podemos esperar que o Estado nos dê de comer. A nossa função é dar  condições para o povo produzir e ter rendimentos”, disse Joanes André, antes de prometer um tractor para alargar a extensão do campo agrícola de Mboyambo, de 15 para 150 hectares de terra. Inicialmente, foram contemplada 40 famílias, das 300 previstas.
O governador do Zaire repudiou na ocasião, o comportamento de jovens da comuna do Nquiende que, em horas “mortas” vão às lavras alheias roubar os produtos, que está concebida uma ideia para sensibilizar os  jovens, no sentido de serem agrupados em Associações e Cooperativas agrícolas.

Milhares de hectares
O director provincial da Agricultura no Zaire, Gouveia da Silva Pedro, explicou que estão envolvidas 43 mil famílias no presente ano agrícola, que vão desbravar até à segunda fase mais de 75 mil hectares de terras a nível da província.
“Temos de compreender  que existem debilidades no sector. Há um esforço ingente do governador provincial, que conversou com o ministro da Agricultura e Florestas para ver a questão da  mecanização agrícola” e sublinhou que  a questão fundamental neste aspecto, são as debilidades na manutenção das máquinas, uma vez que ficam desgastadas em pouco tempo.
Uma máquina agrícola pode ter uma vida útil entre 15 e 20 anos. E, o que acontece actualmente, é que em menos tempo as máquinas ficam todas desgastadas, como referiu um agricultor à reportagem do Jornal de Angola.

Agricultura familiar
 O director provincial de Agricultura no Zaire, lembrou que os 15 hectares desbravados até ao momento, correspondem ao sector familiar e que em termos de preparação mecanizada a previsão é de 530 hectares. O sector agrícola vai ser abastecido de sementes, nos próximos dias, de acordo com garantias dadas pelo ministro da Agricultura e Florestas.
O responsável considerou serem genéricas as dificuldades que o sector enfrenta, mas no caso particular do Zaire, enfatizou o número reduzido de técnicos. Segundo ele, existem Estações de Desenvolvimento Agrária (EDA),  que não têm nenhum técnico de nível superior.
Os técnicos que se encontram têm a categoria de regentes. Gouveia da Silva Pedro disse, que outra instituição com défice de técnicos é o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA). Apesar de estar representada nos seis municípios da província, o pelouro possui apenas 11 técnicos. O IDA precisa de pelo menos 30 técnicos.

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