Reportagem

Centro Ortopédico de Menongue trata menores com má-formação

Lourenço Bule | Menongue

Pelo menos, oito novos casos de crianças menores de 10 anos de idade, com problemas de má-formação congénita, recebem tratamento médico no Centro Ortopédico de Menongue, província do Cuando Cubango.

Para o tratamento destas patologias, o Centro Ortopédico utiliza calçados e coletes especiais, a par de sessões de fisioterapia e calor, massagem, raios infra-vermelhos e ultrassom
Fotografia: DR

O director Clínico da referida unidade sanitária, Avelino Mahinga Filho, disse ao Jornal de Angola que estas crianças nasceram com problemas diversos como escoliose (deformidade na coluna vertebral), espinha bífida (desajustamento da espinha dorsal), pé bota (pé torto) e hidrocefalia (acúmulo do líquido cefalorraquidiano no interior da cavidade craniana).
Para tratamento destas patologias, o Centro Ortopédico utiliza calçados e coletes especiais, a par de sessões de fisioterapia e calor, massagem, raios infravermelhos e ultrassom. “Normalmente o tratamento é muito longo. Pode durar anos, até o paciente se ver livre da doença e tornar-se apto para o exercício das tarefas quotidianas”, explicou Avelino Filho.
Além dos novos casos, o Centro Ortopédico de Menongue, presta também atendimento ambulatório a outros 11 doentes dos quais, cinco casos de pé torto, quatro de paralisia cerebral e dois de paralisia obstétrica (lesão neuronal nas fibras do plexo braquial). 
O clínico assegurou que, apesar da complexidade dos casos, os pacientes, com idades compreendidas entre os zero e 20 anos, estão a registar melhorias significativas.
Mesmo assim, o responsável clínico do Centro defende a criação de programas específicos nos hospitais da província, para facilitar o diagnóstico precoce da má -formação congénita e para que se possa assegurar, atempadamente, melhor qualidade de vida às pessoas que padecem desta enfermidade.
“Face ao quadro actual, devem ser realizadas diversas palestras e campanhas de sensibilização, nas unidades sanitárias da província e nas comunidades, para que as populações saibam as causas desta doença. Tanto a herança genética como o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e uso de drogas, durante a gestação, podem estar na origem das patologias”, segundo Avelino Filho.

Fraca produção
O Centro Ortopédico de Menongue produziu, de Janeiro a Julho do ano em curso, 24 aparelhos de correcção, dos quais 10 órteses, oito próteses transtibiais e seis coletes ortopédicos para pacientes com lordose (deformidade no tórax) e escoliose (deformidade na coluna vertebral).
Estes números representam uma redução significativa, relativamente ao mesmo período do ano passado, durante o qual a instituição sanitária produziu 32 aparelhos de correcção, sendo 13 próteses transfemurais, sete próteses transtibiais, cinco órteses longas e quatro curtas, bem como três próteses para correcção de alterações congénitas nas mãos.
Ainda no período compreendido entre Janeiro e Junho de 2017, o Centro Ortopédico de Menongue  entregou  gratuitamente, 19 pares de muletas e duas cadeiras de rodas, a 22 pacientes que tinham problemas de locomoção. Avelino Filho revelou que a instituição não tem material suficiente para a  produção de próteses e órteses. Esta carência provoca inúmeros transtornos na prestação de serviços médicos e medicamentosos de qualidade, porque os pacientes esperam mais de 15 dias para receberem os seus aparelhos de correcção.
O responsável salientou que o défice de material está directamente relacionado com o atraso na disponibilização do orçamento, para assegurar o normal funcionamento do Centro Ortopédico de Menongue. “Tal situação que nos tem dificultado a aquisição  atempada da matéria-prima, sobretudo para a produção de próteses e órteses”.
Segundo apurou o Jornal de Angola, o recurso ao Centro Ortopédico da Huíla, tem sido alternativa, para dar sequência tanto à produção, como à reparação de muletas e aparelhos para alinhamento do fémur, por via de algum intercâmbio de material. 
“Temos feito permuta com a direcção do Centro Ortopédico da Huíla, onde entregamos o gesso em pó, em troca de alguns componentes para a produção de próteses e órteses, sistemas de alinhamento do fémur e tíbia, pés protésicos, fivelas entre outros meios”, explicou o director Clínico do Centro de Menongue. 

Faltam salas de internamento
De acordo com o responsável, a instituição que dirige está capacitada a produzir vários tipos de próteses, nomeadamente miolítica, transtibial, transfemural e órteses. Porém, a carência de matéria prima provoca uma diminuição significativa da produção. Por este motivo, O Centro Ortopédico de Menongue vê-se forçado a optar, sobretudo, na reparação de próteses, órteses, cadeiras de rodas e muletas.
A procura dos serviços do Centro Ortopédico,  por  pessoas  com poucas possibilidades, leva o director clínico a clamar por salas de internamento, tendo em conta que a acomodação dos pacientes, em muitas situações, é essencial para a sequência do tratamento. A par disso, a instituição debate-se ainda com a falta de energia eléctrica da rede, facto que quebra sistematicamente a rotina de trabalho. 
“A falta de energia eléctrica tem condicionado o funcionamento das quatro máquinas existentes para a produção de próteses e órteses no Centro Ortopédico. O único gerador de 50 KWA que a instituição dispõe, há mais de dez anos, funciona com muitas debilidades. Face a esta situação, apenas uma, das quatro máquinas que o centro possui, funciona normalmente. Uma está avariada e as restantes não trabalham por falta de energia eléctrica e fraca potência do gerador”, disse.
Para colmatar esta situação a direcção do Centro apela para a necessidade de instalação da energia eléctrica de rede, nas instalações, além da aquisição de um gerador de pelo menos 100 KVA, para permitir o funcionameno das máquinas.
Avelino Filho lamentou igualmente o reduzido número de quadros capacitados, em efectivo serviço no centro. “A falta de recursos humanos especializados, condiciona igualmente a qualidade e quantidade da nossa produção. O funcionamento da área de Fisioterapia é assegurado por 11 técnicos, dos quais oito enfermeiros adaptados e três técnicos superiores. Na secção de Ortoprotesia temos apenas quatro funcionários, sendo  três técnicos médios e um especialista de Ortoprotesia. Para atender a demanda, são necessários, no mínimo, 15 técnicos especializados na área de Ortoprotesia e 25 para a de Fisioterapia”. 

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