Reportagem

Chipindo projecta exploração de ouro

Arão Martins | Chipindo

A região é também famosa pela existência de turmalina. Numa altura em que o Executivo continua empenhado na dinamização e diversificação de arrecadação de receitas para dinamizar a economia angolana, acções viradas para  a sua reactivação estão bem avançadas na zona.

Município conta com dezenas de escolas primárias
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro | Huíla

O administrador municipal de Chipindo, Daniel Salupassa, disse ao Jornal de Angola que aquilo que a história do município aponta é que o ouro já foi explorado até finais de 1976.
Feito um trabalho de profundidade de prospecção de ouro, na localidade de Calomoroi, Bambi, e com o arranque da sua exploração, vão ser alcançados muitos benefícios.
Para a sua reactivação, afirmou Daniel Salupassa, já operou no município, o consórcio Ferrangol Lavulo e Chipindo Company (Lafech), de direito angolano, constituído pela Ferrangol, que se empenhou no processo de prospecção deste minério.
Houve um período em que se difundiu uma comunicação que comprovava que o ouro de Chipindo é dos melhores. Apesar de estar no período de pesquisa, os benefícios já são visíveis na circunscrição. A exploração propriamente dita na mina de Calomoroi, comuna de Bambi, ainda não iniciou, mas os benefícios já estão à vista, como assegurou o administrador municipal de Chipindo.
No âmbito da criação de condições para a exploração deste minério, foram reabilitadas as estradas que dão acesso ao local, com a colocação de pontes sobre os rios Tchissõe, Cassanda, Tchombo e canjanja, que muito contribuem para a transportação de pessoas e bens com segurança, embora em terra batida.
Existem perspectivas de que mais de cinco mil cidadãos vão estar empenhados no processo que visa a exploração de ouro no município, um contributo valioso para o programa de Combate à Fome e à Pobreza, com destaque para o meio rural.
As perspectivas apontam que, aquando do processo de exploração do ouro no Chipindo, mais de cinco mil pessoas vão encontrar o seu emprego, das quais quatro mil jovens nacionais, disse. É um processo técnico que envolve tecnologias de ponta, o que vai proporcionar também formação aos jovens nacionais.“É preciso termos paciência, porque os órgãos competentes estão a fazer o seu trabalho e, logo que os pormenores estiverem criados, os benefícios vão estar patentes”, disse, acrescentando que quer a população local, e não só, devem estarem esperançosas, assim como deixar que as pessoas envolvidas no processo de prospecção o façam sem interferências e aguardarmos que informações realistas sejam prestadas pelas autoridades de direito”, disse o administrador Daniel Salupassa.
Com a efectivação do processo, vai haver mais desenvolvimento em várias vertentes do município, quer em infra-estruturas quer no próprio desenvolvimento em si e um contributo valioso para o Orçamento Geral do Estado (OGE).
Com a  exploração do ouro, muitos jovens locais ganham o seu primeiro emprego. “Acredito que o Executivo e o consórcio vão estabelecer regras, para que o processo seja bem feito e vai sair a ganhar os angolanos”, referiu.
  
Avanços na Educação

Em 2002, quando se fez a reposição da administração local, Chipindo estava desprovido de escolas e, ao longo desse período, a circunscrição já tem mais de 11.
O director municipal da Educação do Chipindo, Moisés Canhina, reconheceu os avanços significativos no sector, porque em 2002, quando foi reposta a administração do Estado, a região não dispunha de escola e, ao longo desde período, fruto das acções do governo provincial, foram erguidas 11 escolas implantadas nas comunas de Bunjei, Chipindo e Bambi.
No quadro do programa de apoio às comunidades, foi erguido um total de 45 escolas. Chipindo ainda tem cerca de quatro mil crianças fora do sistema de ensino e o aumento paulatino de professores tem sido fundamental para fazer o possível, de modo a reduzir gradualmente o número de crianças que ainda se encontram fora do sistema de ensino.

A escola que recebe o II ciclo


A escola de 12 salas de aula construída no bairro Vingolo, nos arredores da sede municipal de Chipindo, em benefício de mil 296 alunos do ensino secundário do II ciclo, foi inaugurada recentemente pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge.
Erguida com fundos do Programa de Investimentos Público (PIP) do Governo Provincial da Huíla, a escola foi construída numa superfície superior a três mil metros quadrados e tem gabinetes para o director e o seu adjunto para a área administrativa e pedagógica, uma secretária, salas para professores e de arquivo, área de lazer e casas de banho (wc) para professores do sexo masculino e feminino e alunos de ambos os sexos.
Josefina Guia foi a voz dos alunos do município e ao ler a mensagem colectiva disse constituir motivo de satisfação para a população estudantil do município receber a abertura da escola que vai atender exclusivamente o ensino secundário do II ciclo no município de Chipindo.
A população estudantil defende a criação do núcleo do ensino superior no município de Chipindo, por forma a evitar que os alunos que terminam o ensino médio sejam obrigados a deslocar-se à província do Huambo ou aos municípios da Matala, Caconda, Caluquembe e Lubango, na Huíla, para frequentarem o ensino superior. Os alunos encorajaram o Governo Provincial da Huíla a continuar com o trabalho de materializar o programa do Executivoo e solicitaram quem, depois da entrega da escola, mais outras sejam construídas, para também dar condições propícias a outros alunos que ainda estudam em condições precárias no município de Chipindo, 456 quilómetros a leste da cidade do Lubango.
 
Contributo do PND


 Chipindo continua a realizar acções para continuar a renascer dos escombros. O surgimento de infra-estruturas sociais e económicas é visível no Chipindo.
O administrador municipal de Chipindo acrescentou que o grau de destruição foi muito acentuado e, fruto do Programa Nacional de Desenvolvimento, que começou a ser executado em 2013, as acções estavam viradas para as que restituíram a alegria dos munícipes.

As duzentas casas


Vinte, dos 200 fogos habitacionais construídos em todos os municípios do país, estão concluídos e habitados em Chipindo. As casas foram construídas na reserva fundiária da sede municipal. A acção da construção dos 200 fogos habitacionais é em coordenação com a administração local e o Governo Provincial da Huíla.
O soba grande de Chipindo, João Chimuco, reconhece os avanços que a região regista. Hoje, já é possível deslocar-se do Chipindo ao Huambo num tempo reduzido de viagem, porque estão disponíveis autocarros públicos. O comércio está mais fluido e os camponeses também estão animados para  trabalhar no campo.
O Governo Provincial da Huíla colocou uma ponte de maior dimensão sobre o rio Cunene, na estrada que liga o Cuima, no Huambo, a Chipindo, passando pela área do Gove. Está-se a fazer um estudo para que o asfalto chegue também à comuna do Bambi.
O município de Chipindo situa-se a leste da cidade do Lubango, foi criado por Portaria 16.999 de 7 de Julho de 1970, BO nº 157, Decreto 50-91 de 23 de Fevereiro. Delimita-se a norte com a província do Huambo, através dos municípios da Caála e Tchikala Tcholohanga, a sul com o da Jamba, a leste com o Cuvango e a oeste com os municípios de Caconda e Chicomba, na Huíla e tem uma população estimada em 80.344 habitantes. A sua população é maioritariamente camponesa.

 

  Município renasce dos escombros

Quem se desloca ao município de Chipindo, encontra uma região renovada e com sinais visíveis de construção e reconstrução, assente na edificação de novas infra-estruturas sociais, económicas e desportivas.
O Programa Nacional do Urbanismo e Habitação, na sua estrutura de interveniente, define que 68,5% estão destinados ao subprograma de auto-construção dirigida. Este subprograma foi concebido como componente chave do Programa Nacional de Urbanismo e Habitação (PNUH), aprovado no ano de 2009.
A estratégia de operacionalização do subprograma de auto-construção dirigida contribuiu para a criação de novas moradias no município de Chipindo.
Com ele, surgiu os bairros Mbuandangui, Tandala, Tchikuambi, Hoco, Vissamba e Capumua. O programa de reordenamento permitiu ainda criar melhores condições para a população que vive nas aldeias de Kamassissa, Mussungo, Tchilata, Kamuanha, Mboloteke, Sandja e Liapeka.
Com o subprograma, salientou o administrador municipal de Chipindo, identificou-se e constituiu-se legalmente uma reserva fundiária urbanizável, precedida de operações urbanísticas, com o loteamento e a infra-estruturação de muitas zonas, o que permitiu a criação de novas habitações.
A importância da estratégia de auto-construção dirigida propiciou o ordenamento e a expansão de equipamentos sociais colectivos, adequados aos diferentes tipos de ocupação urbana.

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