Reportagem

Cidadãos liberados vão ser acompanhados durante dez dias

Alexa Sonhi

Cinquenta cidadãos, dos 64 vindos da China, que estavam sob medidas de vigilância epidemiológica no Centro de quarentena da Barra do Kwanza, foram liberados ontem, depois de terem ficado 14 dias em observação para descartar a possibilidade de terem contraído o coronavírus.

Miguel de Oliveira garantiu que todos os exames deram negativo
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

 

O Inspector-Geral de Saúde Pública, Miguel de Oliveira, em declarações à imprensa, explicou que, depois de serem submetidos a vários exames com resultados negativos, cumprirem com o período de quarentena estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e não apresentarem nenhum sintoma da doença, achou-se por bem mandá-los para o seio das suas famílias.
Miguel de Oliveira assegurou que, apesar de terem saído da quarentena, os cidadãos vão continuar a ser acompanhados pelos técnicos de saúde durante dez dias, até completar os 24 dias de vigilância, na medida em que, de acordo com um novo estudo, o coronavírus pode ter um período de incubação de 24 dias.
Em relação aos restantes 14 cidadãos, Miguel de Oliveira informou que ainda não completaram o período de quarentena, mas que os exames já foram realizados e até agora o quadro clínico é estável. “Tão logo terminar os 14 dias exigidos pela OMS e, se não apresentarem nada estranho, poderão ser liberados”, garantiu.

Centro do Calumbo
Em Calumbo estão em quarentena 92 cidadãos, dos quais 37 são angolanos, 50 chineses, dois americanos, igual número de canadianos e um da Côte d´Ivoire. “Neste local, ninguém ainda foi liberado, porque aguardam o cumprimento rigoroso do período de incubação”, disse.
Questionado sobre alegados maus tratos nos dois centros de quarentena, o Inspector- geral da Saúde explicou que na Barra do Kwanza foram criadas condições adequadas para manter as pessoas isoladas, tendo convidado os jornalistas a constatar “in loco” as reais condições do local.
“Este é o primeiro centro de quarentena e possui todas condições de higiene, alimentação, água e lazer”, disse.
Já no centro de quarentena de Calumbo, a realidade é bem diferente. Os internados queixam-se de maus tratos, falta de pessoal para limpeza, má alimentação, os lençóis sujos e receiam que, ao invés de saírem bem como entraram, contraiam outras doenças.
Miguel de Oliveira assegurou que o Ministério da Saúde já melhorou as condições do centro desde ontem. “A empresa que serve a alimentação na Barra do Kwanza vai ser a mesma a abastecer o centro de Calum-bo”, garantiu.
Os técnicos da Barra do Kwanza vão passar a apoiar os colegas em Calumbo, com o objectivo de melhorar as condições de quarentena de qualquer cidadão que por lá passar.
Angola ainda não registou nenhum caso positivo de coronavírus. Recentemente, dois cidadãos chineses estiveram internados na clínica Girassol, com suspeita da doença, mas os resultados deram negativo.
Na China, epicentro da doença, foram registados 72.528 casos confirmados, sendo que 1.870 resultaram em óbitos. Fora da China, estão notificados 804 casos, em 20 países, sendo que três resultaram em morte.

Especialista conta o que viu após visitar Diamond Princess

Ospassageiros do navio começaram ontem a desembarcar, depois de concluído o período de isolamento. Entretanto, foram detectados mais 79 casos positivos.Infectados a bordo são agora 621. A epidemia já fez mais de dois mil mortos.
Kentaro Iwata, um especialista em doenças infecciosas daUniversidade japonesa de Kobe, foi levado até ao Diamond Princess, na terça-feira, um dia antes do Governo japonês autorizar que os passageiros desembarcassem do navio de cruzeiro que tem estado em quarentena. O cenário que encontrou chocou-o.
"O (protocolo) no navio era completamente inadequado em termos de controlo da infecção", disse Iwata, num vídeo partilhado no YouTube.
"Não houve distinção entre a zona verde, livre de infecção, e a zona vermelha, potencialmente contaminada pelo vírus",afirmou Iwata. De acordo com o site Quartz,Kentaro Iwata embarcou no navio como membro de uma equipa de assistência médica especialista em cenários de acidente, depois de lhe ser negada a entrada como especialista em controlo de infecções, revelou.
Os passageiros começaram ontem a desembarcar, depois de concluído o período de isolamento, fixado pelas autoridades para evitar a propagação do novo coronavírus.
À medida que o número de pessoas infectadas no navio aumentava, os especialistas começaram a questionar a estratégia do Japão de continuar a impor a quarentena a milhares de pessoas num espaço fechado.
Kentaro Iwata conta que havia passageiros confinados às cabines, mas os membros da tripulação dividiam o espaço e tinham equipamento de protecção mí-nimo, quando interagiam com os passageiros.
Até terça-feira, 542 pessoas foram confirmadas como infectadas com coronavírus, ou seja, 15% de todos os que estavam a bordo. Ontem, as autoridades de saúde disseram que 79 novos casos foram detectados. Com 621 casos positivos, a Diamond Princess é onde está o maior grupo de pessoas infectadas com Covid-19 fora da China.
Passageiros que testaram negativo para o Covid-19 e que nunca apresentaram sintomas tiveram autorização para desembarcar, mas quem acusou negativo nos testes, mas tenha dividido um quarto com uma pessoa infectada, será mantido a bordo e continuará de quarentena.
No vídeo, Iwata garante que, em duas décadas de tratamento de doenças infecciosas, incluindo o surto de SARS na China, em 2003, e o mais recente surto de Ébola, em África, "nunca tive medo de contrair o vírus". O que não aconteceu quando visitou o Diamond Princess.
"Estava com tanto medo de ser infectado com Covid-19, porque não há como saber onde está o vírus. Não há zona verde, não há zona vermelha, em todas as zonas poderia estar o vírus", contou, acrescentando que "não havia ninguém encarregado da prevenção de infecções".

Rússia proíbe a entrada de chineses

A Rússia anunciou que vai proibir a entrada de cidadãos chineses no seu território a partir de hoje, numa nova medida drástica para tentar impedir a propagação da epidemia de coronavírus.
"A entrada de cidadãos chineses nas fronteiras da Rússia está suspensa a partir de 20 de Fevereiro, para viagens de negócios, viagens privadas, estudos e turismo", disse, terça-feira, Tatiana Golikova, vice-primeira-ministra responsável pela Saúde, citada pelas agências russas
A decisão foi tomada "devido ao agravamento da epidemia na China e ao facto de os cidadãos chineses continuarem a chegar ao território russo", disse Golikova, que dirige o grupo de trabalho anti-coronavírus russo.
A presença de chineses no território russo é muito numerosa, sejam turistas, estudantes ou trabalhadores. Os aeroportos russos são amplamente utilizados como um ponto de trânsito entre a China e a Europa.
Moscovo já ordenou o encerramento da fronteira de 4.250km com o país vizinho, bem como a suspensão de ligações ferroviárias e restrições a voos.

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