Reportagem

Cinfotec chega ao distrito urbano do Rangel

Victorino Joaquim

O número de jovens que prouram obter formação profissional no Cinfotec tem sido cada vez mais elevado. Para acolher mais interessados, foi construído mais um centro no distrito urbano do Rangel.

O Centro do distrito urbano do Rangel garante um futuro promissor sobretudo para os jovens
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

O primeiro ciclo de formação já teve início. Dos 1.371 formandos inscritos, 988 estão já enquadrados, enquanto os 383 restantes começam a frequentar as aulas práticas e teóricas em Outubro e Dezembro deste ano.
Os 1.371 formandos saíram de uma lista de cinco mil candidatos, submetidos a testes de Matemática, Língua Portuguesa e Cultura Geral. Os candidatos para os cursos de Mecânica Automóvel, Informática e Hardware, Serralharia Mecânica e outros são estudantes que concluíram a 12.ª e 9.ª classes .
O centro apresenta como novidades áreas de formação em Transporte e Logística, Desenvolvimento Organizacional e Serviços, Inovação e Empreendedorismo. No próximo ano, vai ministrar 88 cursos.
“Até ao final deste ano vão ser ministrados 19 cursos”, anunciou o director-geral, Gilberto Figueira. “Numa primeira fase vão abranger os cursos de Electrónica Auto, Higiene e Segurança no Trabalho, Informática e Gestão da Qualidade Industrial, com duração de nove meses”, acrescentou.
O custo mínimo real da formação ronda entre 65 e 75 mil kwanzas. “O Executivo decidiu subvencionar os preços para dar a possibilidade de mais  jovens participarem e, desta forma, ganharem uma profissão”, referiu Gilberto Figueira.
Com a subvenção dos preços, os formandos contribuem com o pagamento de apenas 15.000 kwanzas para os cursos de nível três e 25.000 para os cursos de nível quatro, cuja duração vai de seis meses a um ano.
Nos cursos de aperfeiçoamento de nível três, esta comparticipação é variável em função da área de formação. Os cursos de aperfeiçoamento têm um período de formação que vai deste duas semanas até dois meses e 15 dias.
A instituição
Localizado entre o bairro da Precol, junto ao posto de Correios Telégrafos e Telefones (CTT), no Distrito Urbano do Rangel, o centro foi inaugurado pelo ex-Presidente José Eduardo dos Santos em 18 de Agosto deste ano. A construção a cargo de uma empresa chinesa teve uma duração de dois anos e seis meses.
Com 8.641 metros quadrados, o Cinfotec Rangel é suportado por uma estrutura moderna equipada com tecnologia de última geração, com capacidade para 640 formandos por turno.
O centro está divido em cinco áreas. O bloco A abriga a área administrativa, composta pelos Recursos Humanos, auditório, refeitório e uma biblioteca. O bloco B abrange a área tecnológica de informação e comunicação e  a secretaria pedagógica.
No bloco C, estão os laboratórios de electricidade, de autocad, de energias renováveis, electrónica e as oficinas de soldadura, bate chapa e pintura, manutenção de máquinas e indústria, área tecnológica de transporte, logística e desenvolvimento organizacional. O bloco D compreende a área de empreendedorismo, quadra desportiva, reprografia e armazém. O bloco E acolhe a área de lazer, com cantina e uma esplanada.
A instituição possui 10 salas de aulas, um parque de estacionamento para mais de cem viaturas, jardins e arruamentos devidamente sinalizados.
 
De candidatos a formandos

Os valores bonificados dos cursos estão a facilitar a participação de um grande número de jovens. Um deles é Alexandre Mbumba, 23 anos, que frequenta o curso de mecânica automóvel, vestido de bata azul, com letras brancas estampadas a indicar o curso.
O curso está programado para uma carga horária de 800 horas. Alexandre Mbumba garante que, até ao final do curso, vai estar empenhado em aprender a executar a reparação de sistemas mecânicos, utilizando os aparelhos de medida, bem como diagnosticar, reparar e verificar motores de ciclo Otto e Diesel, sistemas de transmissão, suspensão e travagem.
“Com este conhecimentos, vou lutar para abrir a minha oficina e dar emprego a outras pessoas”, disse o jovem, com uma certa emoção.
A jovem Celma Gonçalo frequenta o curso de Informática e Hardware. Até à conclusão deste curso são necessárias 796 horas de aulas, para aprender a desenvolver as actividades previstas, como a reparação de um computador e montagem de uma infra-estrutura de rede informática.
De estatura média e simpática, trajada com uniforme azul escuro, Celma Gonçalo reconhece que vai ter de fazer um grande sacrifício para terminar com êxito a formação, a fim de obter emprego numa empresa da especialidade.
Outro aluno, José Domingos, agradeceu a subvenção concedida pelo Governo, pois de outro modo muitos jovens não teriam a possibilidade de frequentar os cursos. “Com esta possibilidade, vou aproveitar ao máximo para ser um bom profissional e procurar abrir uma serralharia”, disse José Domingos, que está a frequentar o curso de serralharia mecânica, com uma carga horária de 680 horas.
 
Caminho para o sucesso

Naquele centro, os jovens têm de tudo para serem bem sucedidos. A razão do sucesso não está apenas na qualidade do equipamento disponível, nem no domínio da técnica, é também o cumprimento rigoroso de um comportamento correcto, disciplinado, e responsável exigido pelo director-geral, Gilberto Figueira.
Nos encontros com os formandos, o director-geral tem, com muita frequência, chamado a atenção para “serem responsáveis com os estudos, cuidar do material e equipamentos disponíveis nos laboratórios”.
“Os formandos não devem arranjar forma de subtrair material ou equipamento do centro, são alguns dos conselhos que tenho transmitido”, disse Gilberto Figueira.No que toca à higiene, a responsabilidade de manter o asseio nas salas de aula, os corredores e as carteiras, não é unicamente dos funcionários de limpeza. “É de todos nós, os responsáveis, os formadores e os formandos, todos devem apanhar o papel e colocar nos recipientes próprios para o lixo. Desta forma vamos manter sempre a instituição limpa e vamos ter mais saúde”, explicou o responsável.
Para o director-geral, o Cinfotec é a menor distância entre a empresa e a tecnologia, serve de ponte entre a formação e o emprego. No centro do Rangel, os formandos podem frequentar os cursos de aperfeiçoamento para aprimorar os seus conhecimentos, ou frequentar cursos de qualificação, quando pretendem mudar de profissão e passar a desempenhar outra actividade. Para os formandos interessados em desenvolver uma actividade comercial, o centro tem a área de Inovação e Empreendedorismo, onde são ministradas técnicas de marketing, estratégia de negócios, gestão e desenvolvimento de uma empresa. Como perfil de entrada, os jovens devem ter concluído a 10.ª ou a 12.ª classes.
“Tendo em conta a complexidade da tecnologia que possui e os conhecimentos a serem transmitidos, o centro exige que os formandos tenham domínio de Matemática, Língua Portuguesa, Física e Química. Se nestes cursos incluíssemos formandos com classes inferiores, o número de reprovação ia ser elevado”, explicou o director-geral.

  Formação técnica é importante em vários sectores

Gilberto Figueira defendeu que os jovens têm de deixar de pensar que só vão conseguir melhores empregos e salários se ingressarem na universidade.
“Um país não se desenvolve só com licenciados, mestres e doutores. O país precisa, também, de ter bons técnicos e outros profissionais”, disse.
Formação de qualidade
O Cinfotec promove o mercado de trabalho formando técnicos de qualidade. Os cursos foram previamente seleccionados, com a contribuição dos jovens que vivem nas imediações da instituição. Gilberto Figueira e outros responsáveis percorreram várias áreas, onde fizeram um levantamento das necessidades de formação.
A iniciativa de identificar os cursos permitiu conhecer as aspirações profissionais dos jovens, para saírem da condição de desempregados e desenvolverem uma actividade laboral lucrativa, depois de obterem uma formação especializada.

Cinfotec Talatona

A funcionar desde 2 de Setembro de 2008, o Centro Integrado de Formação Tecnológica de Talatona já lançou no mercado de trabalho 11.448 técnicos de Electricidade Mecatrónica, Tecnologia de Formação e Comunicação, Metrologia e Mecânica.
No presente ano lectivo, o centro perspectiva formar mais de 2.500 especialistas em Telecomunicações, Electricidade e Manutenção Industrial, Soldadura, Automação Industrial, Higiene e Segurança no Trabalho. Os alunos que mais se destacam ao longo da formação, são directamente encaminhados para empresas. Dos 11.448 formandos, mais de 85 por cento já estão empregados.
 
 Objectivo

O Cinfotec está enquadrado no Sistema Nacional de Formação Profissional, tutelado pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS). O objectivo é dar corpo à formação técnica e profissional no domínio das tecnologias aplicadas para o mercado de trabalho em Angola e atender as empresas do sector estratégico do país, como petróleo e gás, mineração, tecnologias de informação e comunicação e indústria metalomecânica.
O centro ministra diversos cursos de aperfeiçoamento para as pessoas que já trabalham e pretendem melhorar os conhecimentos, com uma carga horária de 200 horas, e cursos de qualificação. Os cursos têm uma duração mínima de duas semanas e meia e máxima de um ano e seis meses de formação.
Sedeado em Talatona, o Cinfotec é o único centro de formação no país de nível IV, vocacionado para a formação no domínio das tecnologias aplicadas e na qualificação técnica dos profissionais. Os valores de frequência são subvencionados pelo Executivo.
 
Dificuldades

Com a crise económica que o país atravessa, o Cinfotec tem enfrentado algumas dificuldades. Segundo o director-geral Gilberto Figueira, o centro tem enfrentado dificuldades na aquisição de material didáctico fora do país, bem como para enviar os formadores para cursos de capacitação por falta de capacidade em obter valores cambiais.
As dificuldades tiveram maior incidência em 2014, quando havia necessidade de reposição de material, como cintas, cabos eléctricos, disjuntores, tomadas, entre outros. Apesar das dificuldades, o Executivo continua a oferecer formação profissional aos jovens.
 
 



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