Reportagem

Construtoras paradas procuram investir na área da agricultura

Arão Martins | Huíla

O ministro da Agricultura, Marcos Nhunga, incentivou na semana passada as empresas de construção civil paralisadas na região de Calueque, província do Cunene, a participarem na actividade agrícola.

Construtoras paradas procuram investir
Fotografia: Arão Martins | Calueque Edições Novembro

“Não temos outra saída. O país tem de se envolver no sector da agricultura, por ser a base da nossa diversificação”, afirmou o ministro da Agricultura. “Peço que  as empresas de construção paralisadas se envolvam na agricultura.”
O Ministério da Agricultura, órgão que traça políticas e estratégias para o desenvolvimento do sector, procura incentivar o sector privado a participar na produção de alimentos. O apoio à agricultura familiar é outra tarefa primordial. Para o ministro, a participação das famílias na Campanha Agrícola 2016-2017 é satisfatória. Mais de dois milhões de famílias camponesas participam na presente campanha, referiu o ministro durante o lançamento do projecto Ezopark Horizonte 2020.
A quantidade de sementes e fertilizantes, afirmou, triplicou este ano no país e os insumos chegaram a tempo e horas. “Estamos apenas a pedir que as chuvas caíssem como esperamos para, no fim, fazermos a avaliação dos resultados obtidos”, adiantou o ministro.

Contributo valioso

O ministro da Economia, Abrahão Gourgel, reconheceu o contributo valioso que o projecto Ezopark Horizonte 2020, para o cultivo intensivo e industrialização de milho e massango, vai proporcionar às famílias.
O projecto, promovido pelo grupo Silvestre Tulumba e já homologado pelo titular do Poder Executivo, começa com 4.500 hectares.
O Executivo interveio, através do Ministério da Economia, Banco Nacional de Angola e Ministério da Agricultura, para que as sementes e fertilizantes necessários para ­iniciar o processo fossem adquiridos. “É óbvio que ainda existem algumas necessidades em termos cambiais. Vamos continuar a apoiar e acreditamos que o mais difícil, que era o arranque, já está a acontecer”, afirmou Abrahão Gourgel.
Alguns aspectos vão continuar a ser discutidos com os promotores, para que o projecto chegue a bom porto e sejam acautelados os problemas que vão surgindo num projecto desta dimensão, acrescentou.

Mais postos de trabalho

O número de postos de trabalho já criados, cerca de 700, e outros por criar, até à fase final, é um contributo valioso ao programa de combate à fome e à pobreza no meio rural. O projecto agro-industrial inclui a construção de na zona de desenvolvimento B, na localidade de Calueque, município de Ombadja.
“O primeiro contributo gerado com o surgimento do projecto é o emprego. Existe um número significativo de empregos directos e indirectos criados. Outro benefício é a oferta de bens de primeira necessidade”, indicou. A produção de milho permite um maior abastecimento de produtos básicos à população, salientou. Lembrou que o projecto prevê a instalação de fábricas de ração e moageiras de milho. O contributo previsto pela oferta de rações à avicultura é enorme, ­assim como o impacto da fabricação de vinhos. O projecto é dos maiores na região Sul de África, permite gerar empregos e aumentar a oferta interna, adiantou o ministro da Economia.

Boas perspectivas

Para Abrahão Gourgel, grandes desafios estão previstos para 2017, pois os condicionalismos que levaram ao choque petrolífero que se vive a partir de finais de 2014, estão ainda por ultrapassar.
O ministro referiu que o titular do poder Executivo “orientou de forma exímia a travessia da fase mais difícil desses aquecimentos”.
O país prepara-se agora para “crescer em novas condições”, sem os benefícios anteriores das receitas do petróleo. Nos últimos tempos, assiste-se a uma recuperação do preço, o que o ministro considerou uma boa notícia e pode ajudar o processo de diversificação, reconhecido por toda a classe política, empresarial e a população em geral, como único caminho a seguir. Para o ministro, o presente ano “é mais promissor do que 2016”.

Incentivos motivadores


Os incentivos do Executivo criam um ambiente salutar para que o investimento privado cresça em Angola, disse Norberto Garcia, director da Unidade Técnica para o Investimento Privado da Casa Civil do Presidente da República.
À margem do lançamento da primeira semente no projecto Ezopark, disse ao Jornal de Angola que os incentivos são conhecidos e os benefícios positivos. Norberto Garcia salientou que os incentivos vão de um a dez anos de isenção no pagamento dos impostos sobre aplicação de capitais, industrial e de cinza. O horizonte temporal é definido em função das características do projecto, o que este demonstra.
Norberto Garcia referiu que o momento de repartir lucros e dividendos é aquele em que  estes existem e há dividendos. Apenas estes podem ser repatriados. O país tem agora “uma boa lei de investimento privado”. Para Norberto Garcia, Angola tem bom mercado, porque se “muita coisa   se vende, se se produzir também se vende”.
Norberto Garcia defende que se  deve disciplinar o mercado com base na oferta para se encontrar bons preços. Acrescentou que o país deve primar por investimentos de qualidade para poder ganhar, tal como os investidores. “Negociar é assim”, referiu. “É uma arte de dar e receber algo em  troca”.
Localizada 192 quilómetros a noroeste da cidade de Ondjiva, a localidade de Calueque é considerada celeiro da província dada a extensão da cintura verde e a pesca artesanal.
 

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