Reportagem

Crenças generalizadas ainda afectam os albinos em África

O secretário-executivo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Stergomena Lawrence, aplaudiu os  Estados-membros que implementam políticas e legislação para proteger os albinos e pediu aos que ainda não o fizeram para reconsiderarem a sua posição.

Fotografia: Edições Novembro

Numa mensagem, por ocasião do Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo, assinalado ontem, Stergomena Lawrence referiu que a protecção começa pelo diálogo tendo em vista a elaboração de leis para a promoção dos direitos das pessoas com albinismo.
“Enquanto analisamos os progressos feitos, precisamos de continuar a tomar medidas concretas para proteger o direito das pessoas com albinismo”, salientou Stergomena Lawrence.
Em vários países do Mundo, alguns dos quais da África Austral, o albinismo é mal entendido de forma grosseira, lê-se na mensagem de Stergomena Lawrence, para quem os albinos continuam a viver em estado de medo constante, receando ataques, mortes e prejuízos sociais.
O responsável acentuou que pessoas com albinismo, jovens ou adultos, vivem em isolamento e desprovidas dos seus direitos, incluindo o direito à vida, saúde, educação e ao trabalho.
Em consequência disso, adiantou, são muitas vezes forçadas a viver no ciclo de pobreza, daí que “esforços e compromissos de todos são necessários para impedir estas atrocidades”.
Stergomena Lawrence alertou que, devido a preocupações com a segurança, algumas famílias são forçadas a abandonar as suas comunidades para viver em centros urbanos, onde acham que se sentem relativamente mais seguras.
Infelizmente, muitas crenças generalizadas, mitos e equívocos sobre pessoas com albinismo, afectam crianças e mulheres de forma desproporcional”, lê-se na mensagem de Stergomena Lawrence, que deu ênfase ao facto de ser grande a preocupação em relação aos abusos contra pessoas com albinismo, feito, às vezes, com a cumplicidade de pessoas a quem foram confiadas responsabilidades para proteger as próprias vítimas.
O secretário-executivo da SADC defendeu a continuação de acções de consciencialização sobre o albinismo, porque “as pessoas com albinismo não devem ser tratadas como seres humanos menores”.
“Temos de criar um ambiente em que as pessoas com albinismo possam viver e gozar dos seus direitos económicos, sociais, culturais, civis e políticos”, declarou o alto funcionário da SADC, lembrando que a segurança das pessoas com albinismo, incluindo em casa e na escola, deve ser garantida.
O Dia Internacional de Consciencialização sobre o Albinismo foi proclamado, em 2015, pela Assembleia Geral das Nações Unidas através de uma resolução que apela à prevenção de ataques e discriminação contra pessoas com albinismo.
A efeméride tem despertado a atenção regional, continental e global, estando actualmente robusto o movimento de consciencialização sobre os direitos humanos das pessoas com albinismo.

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