Reportagem

Cuando Cubango com boas escolas

Carlos Paulino | Menongue

O número de crianças fora do sistema de ensino e aprendizagem na província do Cuando Cubango continua a aumentar consideravelmente desde 2012, devido à não admissão de novos professores no sector da Educação.

Número reduzido de professores está a criar dificuldades à qualidade do ensino, mas a província tem salas de aulas condignas
Fotografia: Nicolau Vasco | Edições Novembro

O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, Miguel Kanhime, disse que actualmente a instituição que dirige controla cerca de 30 mil crianças fora do sistema de ensino, sendo um número que cresce a cada dia que passa por falta de professores.
Miguel Kanhime realçou que para resolver esta situação, que preocupa o governo provincial e os encarregados de educação, a província do Cuando Cubango necessita urgentemente de pelo menos 2.500 professores para o próximo ano lectivo, 2018, para tirar as cerca de 30 mil crianças que se encontram fora do sistema de ensino e aprendizagem a nível dos nove municípios que compõem esta região do sudeste de Angola.
A província conta neste momento com 272 escolas, perfazendo 1.355 salas de aula, assim como um total de 4.995 funcionários, dos quais cerca de 3.900 professores, que é um número irrisório para assegurar os pouco mais de 200 mil alunos matriculados da iniciação à 12ª classe.
O défice de professores agrava-se ainda mais pelo facto de muitos deles serem reformados devido à idade, outros porque foram transferidos para outras regiões do país, alguns por serem desactivados do sistema em função do recadastramento e uns tantos por falecerem.
“Por isso é que, em termos  de professores, na província regista-se uma falta gritante para fazer face à procura do número de crianças que se encontram fora do sistema de ensino e aprendizagem, que tem estado a crescer consideravelmente nos últimos tempos”, disse o director provincial.
Desde 2012 que o sector da Educação não regista ingresso de professores e o número de petizes fora do sistema de ensino e de salas de aula que o governo provincial construiu não condiz com o que foi feito, isto é a construção de salas de aula.
“Se beneficiássemos de ingresso de pelo menos 2.500 professores estaríamos a cantar vitória, porque poderiam resolver o grave problema que neste momento estamos a enfrentar na província do Cuando Cubango, para o melhoramento do processo de ensino e aprendizagem”, disse.
Questionado sobre o resultado do concurso público realizado em Dezembro do ano passado para admissão de 350 professores. O director provincial  explicou que, neste momento, o mesmo está a decorrer segundo os trâmites legais e nos próximos dias vai-se apurar os candidatos admitidos.
A efectivação deste concurso público vai ser uma mais-valia, tendo em vista que o número de docentes apurados vai contribuir para minimizar a falta de professores. “A dinâmica é reduzirmos o mais rápido possível o número de crianças fora do sistema de ensino, mas, para que isto seja uma realidade, implica o ingresso de uma cifra suficiente de professores”, disse.
 
Escolas sem aulas 
O governador da província, Pedro Mutinde, disse, recentemente, que o Cuando Cubango é uma das províncias com mais infra-estruturas escolares, com um total de 272 instituições funcionais, com seis, oito, 12 e 16 salas de aula, sendo que em algumas áreas da região os alunos são insuficientes.
Nos municípios, os alunos percorrem entre dois e três quilómetros das suas residências até à escola, mas em outras províncias do país os mesmos são obrigados a andar cinco, sete ou mais quilómetros de distância.
Miguel Kanhime explicou que, segundo estatísticas do Ministério da Educação, o Cuando Cubango é a província do país em que quase todos os alunos estudam em salas condignas, mas muitas escolas sem professores. No próximo ano lectivo, caso haja aumento de número de professores, está prevista a entrada em funcionamento de mais 52 escolas, que correspondem a cerca de 300 salas de aula a nível dos nove municípios da província. 
“Precisamos de mais professores em função das escolas que foram construídas desde 2012 até 2017 e que a maioria está encerrada por falta de professores para a entrada em funcionamento da mesma”, salientou.
O sector da Educação na região enfrenta ainda grandes dificuldades em termos de falta de pessoal administrativo, residências para os professores que leccionam nas zonas mais recônditas da província e de internatos para os alunos do segundo ciclo do ensino secundário que vêm dos municípios do interior e que pretendem aumentar o seu nível académico na cidade de Menongue.
O seu sector necessita ainda de instalações adequadas para o funcionamento da Direcção Provincial da Educação, Ciência e Tecnologia e para o futuro centro de formação permanente e ensino especial, bem como há falta de segurança e de recintos para a prática de educação física e desporto escolar na maioria das escolas.

Promoção de carreira
O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia anunciou que o sector que dirige prevê nos próximos dias efectuar a promoção e actualização da carreira de cerca de 800 professores nos diferentes subsistemas de ensino.
Neste momento, está a recolher-se os processos dos professores para que todos, a nível dos nove municípios da província, sejam avaliados. O processo de promoção de carreira vai seguir algumas regras, sobretudo o tempo de serviço e habilitações literárias, para que se possa ter um professor a trabalhar com alegria, empenho, dedicação, amigo da profissão e que considere os alunos com quem trabalha como seus filhos.  
O sector que dirige tem enfrentado também dificuldades atinentes à promoção e actualização das categorias dos professores em função da formação e tempo de serviço.

    Construção de Mediateca e de Instituto Superior Politécnico

O governador da província do Cubango Cubango, Pedro Mutindi, defendeu a construção de uma mediateca conforme ocorre em algumas regiões do país, tendo em vista que a mesma constitui uma das prioridades do seu mandato.
A construção de uma mediateca vai garantir uma formação integral da população estudantil da província, em particular da capital do Cuando Cubango, que enfrenta muitas dificuldades para fazer trabalho de investigação.
A cidade de Menongue não conta com nenhuma biblioteca, uma situação que tem estado a preocupar e muito a Direcção Provincial da Educação, Ciência e Tecnologia e os estudantes que muitas das vezes recorrem à pesquisa na internet, mas nem sempre a informação é segura. 
Por esta razão, os estudantes defendem a criação o mais rápido possível de biblioteca nas escolas para se evitar estes constrangimentos que dificultam o processo de ensino e aprendizagem.
 
Instituto superior privado
A província do Cuando Cubango vai ganhar no próximo ano académico um Instituto Superior Politécnico Privado de Menongue (ISPPM) que vai ministrar numa primeira fase cursos de licenciatura em Direito, Engenharia Informática, Psicologia Clínica, Gestão de Recursos Humanos e Contabilidade. 
O ISPPM foi criado e aprovado no passado dia 21 de Setembro de 2017.  A instituição de ensino superior, com a denominação Instituto Superior Politécnico Privado de Menongue, vai funcionar na oitava região académica, tendo como entidade promotora a Sociedade Serviforma, SA.
A coordenadora da comissão instaladora para o ensino particular, Paula Cristina Dias, disse que o Instituto Superior Politécnico Privado de Menongue é um projecto-piloto da empresa nacional Serviforma, SA que pretende apostar pela primeira vez no sector do ensino superior no país.
Devido à falta de instalações próprias, o Instituto Superior Politécnico de Menongue vai funcionar numa primeira fase, a título provisório, em seis salas de aula que foram criadas na Casa da Juventude, localizada no bairro Saúde, arredores da capital do Cuando Cubango e vai-se leccionar em três períodos: manhã, tarde e noite.
 Paula Cristina Dias fez saber que neste momento se está a criar todas as condições condignas do local e também de recrutamento nos próximos dias dos professores que vão poder leccionar no referido instituto.  
“Este é o primeiro empreendimento que vamos instalar a nível do país e está devidamente autorizado e legalizado. Só precisamos neste momento de cumprir as formalidades que o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação exige, para que possamos arrancar sem sobressaltos no próximo ano académico”, disse.
Paula Cristina Dias enaltece o apoio que a sua instituição está a receber do Governo Provincial do Cuando Cubango para que a abertura do Instituto Superior Politécnico de Menongue que se prevê ser chamado “Mwene Vunongue”, para homenagear o rei local, seja na verdade uma realidade em 2018.
A Serviforma, criada em 2014, tem a sua sede em Luanda e o Cuando Cubango é a primeira província do país que vai albergar o primeiro projecto de formação no ensino superior.

 
 Escassez de cursos

Paula Cristina Dias explicou que a Serviforma escolheu a província do Cuando Cubango e em particular a cidade de Menongue para albergar o seu projecto no ramo da formação no ensino superior pelo facto de esta região enfrentar uma grande dificuldade de oferta de cursos.
Isto só foi possível devido a um estudo no mercado da província e constatou-se que na realidade é muito promissor para a abertura de um Instituto Superior Politécnico Privado, sobretudo virado nos cursos de Direito e de Engenharia.
A coordenadora da comissão instaladora para o ensino particular salientou ainda que o estudo realizado apurou que neste momento a procura da população estudantil que pretende fazer o ensino superior é maior, mas a oferta é muito escassa. 
“Por este facto, é que queremos apostar na cidade de Menongue como o pontapé de saída do nosso projecto que pretendemos levar a cabo em outras províncias do país ou até mesmo em alguns municípios do interior do Cuando Cubango”, disse.
 Na cidade de Menongue, há muitos jovens com formação média terminada há já muito tempo, mas que não conseguem dar continuidade dos seus estudos por falta de capacidade de resposta.
A iniciativa visa promover um maior equilíbrio na rede de instituições de ensino superior a nível nacional, garantindo assim acções de formação académica e de investigação científica de extensão universitária.
O governador destacou que a concretização deste projecto vai ser uma mais-valia para a população estudantil, sobretudo para aqueles alunos que terminam o ensino médio e pretendem fazer um curso superior em Direito.

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