Reportagem

Défice de professores embaraça educação

João Luhaco | Lubango

Actualmente conta com um efectivo estimado em 1.812 docentes, mas em tempos idos este número já foi superior. “O que acontece é que cada ano que passa o número do efectivo docente está a diminuir, porque todos os anos vão professores para a reforma e  outros solicitam transferências”, disse Américo Chicote.

Ainda existe um número considerável de crianças a estudarem em condições impróprias
Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro

“Por ironia do destino alguns falecem e outros abandonam o sector, para além daqueles que por opção própria vão para outros organismos, logo deixam vagas que só podem ser preenchidas mediante a realização de concursos públicos”, explicou.
O último concurso massivo que aconteceu na província da Huíla ocorreu em 2012. No ano passado, houve um concurso, mas as quotas ficaram muito além daquilo que todos os anos esperam, por isso, “estamos com um défice gritante de pessoal docente”, como se queixou o director provincial da Educação na Huíla.
Em Dezembro de 2015, as necessidades do sector estavam estimadas em 3.095 docentes. Em 2016, realizou-se o concurso e foram admitidos 461 novos agentes. Ainda assim, ficou com um défice superior a dois mil docentes. No presente ano, já passaram à reforma mais de 80 professores e essas vagas também precisam de ser preenchidas.
“Com a falta gritante de docentes que se faz sentir com maior ênfase para os municípios, significa que todo um esforço precisa de ser redobrado para ver se conseguimos ultrapassar esse grande problema  que estamos a viver, que é a falta de pessoal docente”, disse.
Quanto à rede escolar, o director provincial disse que o sector está muito aquém da demanda. Existem 1.845 escolas na província, distribuídas pelo ensino primário, I ciclo, II ciclo geral e ensino médio técnico-profissional, assim como instituições vocacionadas para a formação de professores. No ensino primário, existe um número considerável de crianças a estudar em condições impróprias, “pedagogicamente não aceitáveis”, tais como as chamadas turmas ao ar livre.
 “Temos estado a trabalhar com os nossos parceiros e aqui devemos destacar as igrejas sedeadas na província, as autoridades tradicionais, os pais e encarregados de educação, comissões de pais, assim como de cidadãos singulares e algumas empresas que procuram de certa forma dar apoio, no sentido de construir ou então disponibilizar alguns espaços para poderem colmatarem essa dificuldade da limitação de salas de aulas”, afirmou o director provincial da Educação.
Américo Chicote referiu que a Huíla matriculou no passado ano lectivo 761.377 alunos nos diferentes níveis de ensino. A Direcção Provincial da Educação está a preparar a abertura do próximo ano lectivo, que começa oficialmente no dia 31 de Janeiro de 2018 e as aulas arrancam no dia 1 de Fevereiro. O acto oficial a nível da província da Huíla vai ter lugar no município do Cuvango.
Na província da Huíla está a ser preparado o 14.º encontro metodológico do sector, que vai ter como missão fundamental balancear o ano lectivo de 2017 e traçar as perspectivas para o ano lectivo de 2018.
“A comissão está a trabalhar neste sentido, mas ainda não temos  a definição do local. Normalmente, participam nesses encontros todos os membros de direcção, os nossos parceiros, os directores municipais da educação e alguns convidados pontuais. Durante dois dias, vão ser dissertados todos os assuntos inerentes ao sector e tomam-se as devidas decisões e recomendações de carácter vinculativo para o ano lectivo que inicia”, explicou.
 
UNICEF prepara carta escolar
Um projecto piloto da elaboração da carta escolar da província da Huíla está em fase final. Américo Chicote referiu que o projecto é  financiado pelo UNICEF e conta com o apoio directo do Ministério da Educação e do Governo Provincial da Huíla.
Quando for concluído e validado, servirá como instrumento que vai permitir com alguma exactidão definir de quantas salas de aulas a província precisa, por municípios e localidades.
No próximo ano lectivo, entram em funcionamento novas estruturas escolares com destaque para a nova centralidade da Quilemba, onde foram construídas nove escolas, das quais oito têm 24 salas de aulas. “Isso vai ser uma mais-valia, pois assim que entrarem em funcionamento estas escolas vão atenuar a gritante carência de salas de aula, principalmente no município-sede da província, onde temos o maior número de habitantes e de população discente”, assinalou.
 
Ajustamentos salariais
O director da Educação da Huíla disse que os problemas ligados às reclamações dos ajustamentos salariais dos professores  estão “em cima da mesa” e vão ser resolvidos.
O assunto não foi resolvido em tempo oportuno, porque muitos professores   ingressaram no sector como técnicos básicos e médios, mas nunca pararam de estudar, elevaram o seu nível académico e pelo tempo de serviço, nível académico, avaliação de desempenho, estão à altura de fazer a adequação do perfil académico ao salarial, mas “isso não tem sido fácil, porque não depende da província”. 
 
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