Reportagem

Dia da Pizza: “Pão de Abraão” alimenta o Mundo

Osvaldo Gonçalves

Com o pão, número um nas mesas em todo o Planeta, e cuja data é celebrada a 16 de Outubro, a pizza tem em comum a farinha de trigo, produto que vive um período conturbado desde Janeiro deste ano no mercado internacional.

Fotografia: DR


Na sexta-feira, 10 de Julho, comemorou-se o Dia Mundial da Pizza, prato italiano, famoso à escola internacional. É descrito como um tipo de comida preparada com massa fermentada de farinha de trigo, com molho de tomate e com ingredientes variados, como queijo, carnes e ervas. Tudo é assado no forno.

Tal como hoje a conhecemos, a pizza é associada à Itália. De facto, este era um alimento de pessoas humildes do Sul daquele país. A “picea”, como era chamada no início do primeiro milénio, surgiu em Nápoles. Tratava-se de um disco de massa assada com ingredientes baratos por cima.
Servida por ambulantes, a “picea” destinava-se a matar a fome da população mais pobre e recebia como cobertura toucinho, peixe frito e queijo.

As origens

Muitos historiadores acreditam que a origem da pizza esteja entre os antigos povos egípcios, hebreus e chineses. Há mais de seis mil anos, egípcios e hebreus já produziam pães com base na receita contemporânea.
Outros historiadores afirmam que foram os gregos os primeiros a fazerem massas à base de farinha de trigo, arroz ou grão-de-bico e assavam-nas em tijolos quentes.

Essa “piscea” ou “pão de Abraão”, muito parecida com os pães árabes actuais, era também muito comum entre os babilónicos, que adicionavam amido e a assavam em fornos rústicos, há mais de cinco mil anos.
O costume de acrescentar coberturas de carne e cebola é dos fenícios, foi adoptado pelos turcos muçulmanos e chegou à Itália, pelo porto de Nápoles, durante a Idade Média, por causa das cruzadas. Às ervas regionais e azeite de oliveira, típicos da região, os italianos acrescentaram tomate, descoberto na América e levado à Europa pelos conquistadores.

Hoje, até existem pizzas doces. Os Estados Unidos da América são o maior consumidor do alimento, que é comido com regularidade por 95 por cento dos norte-americanos. Segue-se o Brasil, onde chegam a ser consumidas 1,7 milhões de unidades por dia.
O terceiro maior consumidor é a França, onde cada pessoa come em média cinco quilos por ano, à frente da Itália, que detém o recorde da maior pizza, segundo o Guinness Book: a “Ottavia”, nome que recebeu em homenagem ao primeiro imperador romano, media 40 metros de diâmetro. A Austrália ocupa o quinto lugar entre os maiores consumidores. O sabor mais apreciado pelos australianos é abacaxi com frango desfiado.

Em Angola

Embora a pizza não esteja ainda entre as principais preferências dos angolanos, é um alimento muito consumido por determinadas franjas da sociedade, nomeadamente jovens de famílias com rendimento altos.
Alguns locais onde se confeccionam o prato são referências nesses círculos de pessoas. Mesmo se tratando de um prato considerado de “elite”, a pizza concorre para o aumento das necessidades do país em farinha de trigo, estimadas em 520 mil toneladas por ano, das quais 420 mil são de produção local. As outras cem mil são importadas.

A tão almejada auto-suficiência em farinha de trigo vem sendo adiada todos os anos. Em Fevereiro último, a Indústria Angolana de Óleos Vegetais (INDUVE) anunciou ter investido 20 milhões de dólares norte-americnos na construção de uma unidade de processamento de farinha de trigo.
Tudo indica que o repto lançado pelo Executivo de redução das importações esteja a ser atendido pelo lado final da escala de produção, as moajeiras, esperando-se que isso venha depois a ter impacto sobre os produtores locais de trigo, pequenos e médios agricultores.

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