Reportagem

Doença dos ossos já é o segundo mal

Osvaldo Gonçalves

A osteoporose já é considerada o segundo maior mal a nível mundial, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Quem o diz é a Or-ganização Mundial da Saúde (OMS), que aponta como principal causa da doença a ausência ou défice de vitamina D nos ossos e refere que cerca de 40 por cento das pessoas acima dos 65 anos apresentam níveis desse elemento no organismo abaixo do normal.

Conhecida como “doença dos ossos fracos”, a osteoporose é mais comum entre idosos, mas também se verifica casos entre os jovens e adolescentes. Os médicos apontam que a massa óssea é formada durante a juventude e começa a deteriorar-se após os 30 anos de idade. Os ossos tornam-se frágeis, como se fossem vidro. Idosos e, principalmente, mu-lheres na pós-menopausa, são os que mais sofrem da osteoporose.
Factores como a alimentação incorrecta e o sedentarismo podem precipitar esse processo. Concorre ainda para esse processo o excesso de sal, álcool e cafeína, que interferem na absorção de cálcio pelo organismo.
O maior problema é que, por ser predominante em idosos e não possuir sintomas que alarmem, a osteoporo-se é chamada de epidemia silenciosa e dessa forma atinge milhões de pessoas no Mundo.
Por se tratar de uma do-ença assintomática, exames rotineiros devem ser feitos para verificar a densidade óssea. Já é possível detectar a osteoporose antecipadamente, por meio da densitometria óssea.
Os sinais de alerta são per-da na estatura acima de quatro centímetros, postura en-
vergada, fracturas em ossos como fêmur, antebraço e coluna, doenças renais, reumáticas e intestinais. O uso de medicamentos como corticóides e anticonvulsivantes também aceleram a perda de massa óssea.
No dia 20 de Outubro, assinalou-se o Dia Mundial de Combate à Osteoporose, data instituída em 1996 pela Sociedade Britânica de Os-teoporose e adoptada no ano seguinte pela Fundação In-ternacional da doença (IOF, sigla em inglês). O objectivo é chamar a atenção para o problema, já que, segundo a fundação, de cada três pa-cientes que sofreram fractura no quadril, um tem o diagnóstico de osteoporose e, des-te número, apenas um em cada cinco recebe algum tipo de tratamento.
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos, Europa e Japão revelam que a osteoporose não é exclusividade das mulheres e atinge um em cada cinco homens. Nessas regiões, a estimativa é que 75 milhões de pessoas sejam afectadas pela doença.
Dentre os factores associados à prevenção da patologia, destaca-se a ingestão diária recomendada de nutrientes (especialmente cálcio e vitamina D), gerenciamento de uma vida activa, redução do consumo de sal, não utilização de tabaco e não exposição diária aos raios solares, sem protecção solar, tomando o cuidado para escolher horários em que os raios UV têm menor incidência.
Os especialistas acentuam que os ossos são componentes vivos e estão em constante estado de remodelação, e que o cálcio e a vitamina D actuam em conjunto para construir e manter a massa óssea. A vitamina D também está envolvida na redução do risco de fracturas e quedas.
Também se recomenda a ingestão de outros nutrientes, como proteínas, fósforo, magnésio e as vitaminas A, C, complexo B e K, assim como diá-
rio de leite e derivados, frutas, verduras e legumes, carnes, ovos e feijão, essenciais para a saúde óssea.
A OMS frisa ainda que a boa condição óssea é fundamental para a manutenção da qualidade de vida e do bem-estar. Por isso, a prevenção da osteoporose é um factor relevante e deve ser considerada em todas as fases da vida.

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