Reportagem

Embalagens metálicas produzidas no país

Natacha Roberto |

A produção de embalagens metálicas no país veio dar alento às necessidades da indústria química. Uma unidade fabril, situada na Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, está a cobrir o mercado nacional com a produção de embalagens metálicas para as fábricas de tintas, vernizes e produtos químicos.

Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

Para responder às necessidades do mercado interno, em 2012, a fábrica investiu 579 milhões de kwanzas para garantir uma produção anual de seis milhões de latas para embalar diluentes, tintas e seus derivados.
A aposta, da empresa Indupackage neste tipo de segmento, está a proporcionar mais receitas às empresas de produção de tintas e diluentes, uma vez que recorriam à importação.
Apesar de o mercado de tintas ser mais conservador, a fábrica possui máquinas de produção de latas de última geração, plenamente desenvolvidas para responder aos projectos inovadores.
A fábrica, além de produzir as latas em vários tipos e tamanhos, também garante a fixação do logotipo em função do gosto de cada cliente.
Instalada na ZEE, a unidade possui três linhas de produção que fabricam latas de um a 20 litros: a primeira linha tem capacidade de armazenar 1 a 4 litros de tinta, a segunda suporta cinco e a terceira e última comporta 15 a 20.
A unidade concebida para operar em três turnos, produz duas mil latas por dia e pode elevar o número em função das solicitações. O director da empresa Indupackage, Joaquim Vicente, avançou que a ­fábrica fornece o material em mais de 30 unidades fabris existentes no país que produzem tintas e outros derivados.
O quadro das necessidades, que o país apresenta, é ainda numeroso, mas acrescenta que a fábrica está em condições de atender à procura e ainda criar políticas para satisfazer o mercado.
Apesar dos desafios, o mercado de embalagens metálicas é muito promissor e cheio de oportunidades, principalmente por considerar a construção civil.
Joaquim Vicente considera a crise cambial no mercado angolano uma porta aberta para os empresários efectuarem bons ­negócios. O director-geral entende como uma oportunidade para se gerar ideias inovadoras e parcerias para fortalecer a classe empresarial angolana.
O responsável adiantou que muitas empresas hoje preferem consumir matéria-prima nacional do que importar. Estas medidas, na sua opinião, visam reduzir os custos de produção e garantir celeridade na entrega dos seus produtos.
No quadro do plano de acções, a empresa está a criar parcerias com as firmas que solicitam o seu material para, em conformidade, adequar as ideias e produzir um material com qualidade. Para o responsável, é necessário que as empresas angolanas se unam para criar produtos competitivos para o mercado nacional e internacional.

Plano de acções

A empresa tenciona investir mais 82 milhões de kwanzas para subir a produção diária de duas mil latas neste primeiro trimestre para três mil. A empresa foi criada para cobrir a produção total de tintas e vernizes no mercado angolano com as suas embalagens metálicas. A empresa quer concretizar vários projectos em carteira ainda este ano. A criação de embalagens para a indústria alimentar consta da lista de prioridades da fábrica. As embalagens metálicas de pequeno porte visam armazenar compotas, doces e concentrados de tomate e sardinha.
A unidade emprega 32 funcionários que beneficiam de formação contínua para dar repostas aos desafios da criação de embalagens com melhor qualidade. A unidade emprega muitos jovens na faixa etária dos 20 aos 30 anos de idade.
Lídio Golambole, técnico de produção de embalagens é um dos exemplos. Entrou na fábrica aos 24 anos de idade para exercer a função de técnico de produção de embalagens metálicas. Hoje, soma cinco anos de trabalho e domina o fabrico de latas metálicas para as unidades fabris que produzem diluentes. Realizar a actividade com mestria foi possível através da formação que beneficiou durante dois anos. A actividade exige apenas muita concentração. Lídio Golambole concluiu o curso médio de Máquinas e Motores, mas ambiciona frequentar a Faculdade de Engenharia Industrial para no futuro conquistar um cargo de chefia na sua área de trabalho.

Apoio aos ex-militares

A fábrica além de empregar jovens tem especial atenção aos portadores de deficiência e ex-militares das Forças Armadas Angolanas (FAA).  Narciso Pinto é um dos beneficiados. Em 2014, foi enquadrado pelo Ministério da Assistência e Reinserção Social (Minars) no quadro das políticas da instituição de integração dos ex-militares ao mercado de trabalho. Narciso Pinto começou a laborar como assistente de segurança, quando entrou na fábrica, e hoje desempenha a função de técnico de marketing.
Pai de quatros filhos, encara a nova área de trabalho como oportunidade de crescimento profissional e o concretizar dos sonhos de infância. Narciso Pinto sempre sonhou trabalhar numa área cujo objectivo consistisse em divulgar a imagem da empresa. O técnico de marketing quer ir mais longe: concluir a formação na área de comunicação e marketing para responder às exigências do mercado e dar formação a novos trabalhadores.

Projecto sustentável

A empresa realiza todos os anos actividades que visam proteger o meio ambiente e garantir a saúde dos trabalhadores. Esperança Pedro participa desde 2013 nas actividades para a protecção do meio ambiente. A operadora de máquina participou na última jornada da empresa, de arborizar uma das áreas do município de Viana.
Mãe de quatro filhos, sente-se realizada com o trabalho de operar as máquinas de criação de moldura das latas. A empresa tem estimulado a competência dos trabalhadores com as reuniões feitas diariamente, em que os funcionários têm a oportunidade de exprimir os seus conhecimentos e capacidades.
João Sousa era inibido quando entrou na fábrica em 2012. Hoje, com 27 anos de idade, incentiva os colegas a participarem na actividade que ajuda o crescimento intelectual do operador.
Sem dificuldades em partilhar os conhecimentos que adquiriu na empresa, hoje considera-se um líder e capaz de dirigir grandes equipas para desenvolver trabalhos com a qualidade desejada.

Reconstrução nacional

Muitos operários que trabalham na fábrica foram enquadrados pelo antigo Gabinete de Reconstrução Nacional, que tinha por atribuição promover, acompanhar e supervisionar a implementação de programas específicos no domínio da recuperação económica e social.
 Eliseu Vicente é um dos integrantes desta equipa que trabalhou na execução de programas específicos de recuperação económica e social.
Aos 43 anos de idade, passou por várias unidades fabris onde desempenhou a função de operador de montagem. O pai de quatros filhos foi transferido para a fábrica de metal em 2013, onde manuseia a máquina de soldadura das latas. Nzinga Cassue é também operadora de soldadura. É umas das poucas operárias nesta área.
Numa área onde os homens são a maioria, Nzinga Cassue deu provas de que merecia estar na área por ter alcançado uma nota positiva durante a formação que frequentou por dois anos.

Da lâmina à lata

O método de impressão utilizado na produção das latas metálicas é conhecido como litografia. O processo de criação da embalagem de metal passa por um corredor onde estão perfilados os operadores de produção. Para adquirir a sua forma definitiva, a parte do corpo apresenta-se sob a forma de lâminas metálicas planas, tal como as folhas de papel nas quais se imprimem revistas e catálogos, o que torna possível moldá-la. Sob a forma de lâmina, a matéria-prima ganha forma quando passa pela soldadura, onde adquire o formato de uma lata. Com a ajuda de um operador, é alargada nas suas extremidades e, em apenas um minuto, se processa o fundo da lata com as especificações da quantidade desejada. Na fábrica nada é deitado fora. O material mal concebido e os restos vão para a área de reciclagem onde ganham formato de uma nova embalagem.
 
Incentivo às unidades

O secretário de Estado da Indústria, Kiala Gabriel, declarou que as embalagens metálicas merecem especial atenção uma vez que cumprem mais um dos objetivos do Executivo de reduzir, de forma expressiva, as importações e quiçá aumentar as exportações. Na sua opinião, estas empresas constituem uma “riqueza” de um valor acrescentado para a economia pelo facto de aumentarem a oferta de abastecimento às firmas que necessitam de latas.

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