Reportagem

Empreiteira garante conclusão da via do Soyo no próximo ano

João Mavinga | Soyo

A chegada das chuvas não vai atrapalhar as obras na estrada nacional (EN) número 100, garantiu o director provincial do Instituto de Estradas de Angola no Zaire, Manuel Diangani.

A Sino-Hidro empresa chinesa à qual o Governo Provincial do Zaire adjudicou a construção do troço tem no seu estaleiro todos os equipamentos e o material para o sucesso da empreitada
Fotografia: Adolfo Dumbo | Quinzau

O responsável do INEA acrescentou que foram tomadas todas as precauções para concluir o troço de 150 quilómetros entre o Soyo e o Nzeto em 2017. A obra emprega mais de 800 trabalhadores.
Manuel Diangani afirmou também que existem todas as garantias quanto ao suporte financeiro das obras, pelo que as expectativas da população não vão ser defraudadas. A construção da via, de grande importância para a província do Zaire, registou antes várias interrupções.
O governador provincial, Joanes André, voltou a visitar as obras e mostrou-se satisfeito com o que viu, tendo deixado uma palavra de apreço às empreiteiras envolvidas nos trabalhos. Além da terraplanagem, estão a ser concluídas as 130 passagens hidráulicas e a tubagem das redes de esgotos, de electricidade e de telefones.A terraplanagem inclui a substituição de solos considerados medíocres em determinados troços. A estrada nova, com duas faixas de rodagem em cada sentido, está a ser preparada para suportar cargas de até 60 toneladas por eixo.
Em média, 500 veículos circulam por dia na EN nº100 entre o Soyo e o Nzeto. Os automobilistas mostram-se satisfeitos com as obras, que permitiram encurtar o tempo das viagens de 11 para cinco horas.
O responsável do INEA no Zaire disse que, com a conclusão da drenagem, pontes e  de passagens hidráulicas, estão criadas as condições para se dar início ao asfaltamento. Pelo menos duas faixas, uma de ida e outra de vinda, podem ser concluídas ao até final do ano.
A Sino-Hidro, empresa chinesa à qual o governo provincial adjudicou a construção de 96 quilómetros do troço, procede a escavações e ao compactamento do solo nos pontos críticos, para se dar início ao asfaltamento e garantir a circulação de viaturas.
Grandes quantidades de terra são removidas e substituídas, o que implica um esforço enorme em termos de logística. “Tem que se transportar muita terra, para a substituição dos troços argilosos, sem qualidade”, explicou Manuel Diangani.
Do Soyo ao Nzeto, estão em construção 18 grandes pontes no traçado da nova via expresso. O responsável afirmou que “falta muito pouco para se cantar vitória numa obra muito clamada pela população do Zaire.”

Indemnizações aos proprietários

A construção da estrada Soyo-Nzeto tem-se deparado com muitos obstáculos no terreno. Foram cadastradas 71 casas, numerosas lavras e alguns postos de saúde ao longo do traçado. Essas propriedades devem ser demolidas. O custo da expropriação dos espaços e as respectivas indemnizações correm por conta do Estado.
“É preciso, por força da lei, fazer-se uma indemnização justa aos proprietários das casas, serem acomodados noutros locais e pagar-se os custos das empreitadas, para prevenir dissabores no seio das famílias”, afirmou o responsável do INEA. Manuel Diangani referiu que está em curso grande exercício para salvaguardar as escolas e cemitérios existentes no traçado. São, no total, 35 campos santos.As obras exigem também um grande rigor técnico, sobretudo para contornar ou suplantar obstáculos naturais, como troços montanhosos, que requerem o desnivelamento do terreno ou a abertura de curvas.
 
A meta está próxima

O encarregado de obras por parte da Sino-Hidro disse ao governador do Zaire haver garantias da conclusão da estrada no próximo ano económico. Chen-Chen adiantou que a empresa tem, nos estaleiros, todos os equipamentos e o material para o efeito.
Os obstáculos colocados pela população, cujas casas e lavras estavam situadas ao longo do traçado, foram ultrapassados, depois de os proprietários receberem garantias sobre as respectivas indemnizações, assim como foram acertadas todas as questões de ordem financeira entre os governos de Angola e da China.
José Ganda, regedor de Mangue Grande, disse que a retomada das obras foi recebida com grande satisfação pela população local, que sofria com a poeira no Cacimbo e os terrenos lamacentos na época chuvosa.O chefe tradicional solicitou que, com o prosseguimento das obras, seja acautelada a questão do transporte para a população, sobretudo para as crianças, que têm de percorrer longas distâncias todos os dias para irem à escola. “Entendemos que o país está em crise, mas, se o Executivo abrisse uma excepção para resolver este problema, seria muito bom para nós”, apelou.

Vias urbanas

O asfaltamento da rua da Paróquia de Kikudo, no Soyo, já começou e a obra deve terminar no final do corrente mês. O programa de vias urbanas nesta cidade petrolífera prevê a construção de dez quilómetros de estradas em seis meses.
Os trabalhos englobam a construção de redes de drenagem, electricidade, lancis e passeios. “Está tudo a correr bem, porque a população tem cooperado de forma excelente”, afirmou Adriano Dzazio, encarregado da obra.
O director das Obras Públicas, Eduardo Chilembo, disse estar concluído todo o processo administrativo da empreitada.
Estão em execução 80 metros de sub-base e 70 de base, para o início da colocação do asfalto. Os trabalhos, que empregam 38 jovens, estão a cargo de dois empreiteiros.
As obras decorrem a bom ritmo e a autoridade tradicional máxima do Soyo, Pedro Toná, presenciou a cerimónia que marcou o início das obras. “Até ao fim de Setembro, vamos ter o primeiro asfalto aqui na rua da Paróquia”, disse.   
Para o governador Joanes André, as obras vêm pôr fim às inundações que se registavam todos os anos naquela zona.

Instituto politécnico

As obras do Instituto Politécnico do Soyo, empreendimento de um piso com 20 salas, estão também na recta final.
O governador Joanes André convidou o secretário de Estado da Hotelaria e Turismo, Alfredo Caputo, que se encontrava no Soyo, a visitar a infra-estrutura, que pode albergar o curso médio de Hotelaria, segundo uma proposta do governo provincial.
O Instituto Politécnico do Soyo, obra do Ministério da Educação acompanhada pelo Governo Provincial do Zaire, está localizado no bairro Kitona, a 15 quilómetros da cidade. A infra-estrutura tem um albergue para 60 alunos em regime de internato, dividido em alas feminina e masculina.
O instituto deve abrir as portas no próximo ano lectivo. O edifício tem quatro laboratórios e deve leccionar cursos de construção civil e de enfermagem. Para Joanes André, “o desenvolvimento do Zaire é uma certeza.”

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